PEPE ESCOBAR: As Últimas da Guerra do Consórcio EUA/ISRAEL Contra o IRÃ

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 17/04/2026, 19h:40, leitura: 9 min

Editor: Rocha, J.C.

O estreito de Ormuz, a via navegável mais importante do planeta junto com o canal de suez e o estreito de Malaca, se tornou o palco de um duelo geopolítico de proporções históricas. De um lado, o bloqueio iraniano — na verdade, um sistema de pedágio aprovado pelo parlamento, que cobra US$ 1,00/ barril de petróleo transportado (ou o equivalente em yuan ou criptomoedas ) e permite a passagem de navios de nações não hostis.

Do outro, o bloqueio americano — uma tentativa desesperada de estrangular a economia iraniana e, principalmente, a chinesa, posicionando uma frota de 12 a 14 destroyers e um porta-aviões no Golfo de Omã, longe do alcance dos mísseis iranianos de curto alcance, mas vulnerável aos hipersônicos.

O analista Pepe Escobar, em sua análise semanal – Pepe Café, descreve a situação como um “bloqueio de covardes” que pode, a qualquer momento, escalar para um confronto direto entre as duas maiores potências do planeta – China e Estados Unidos. E, nas entrelinhas, um plano ainda mais sinistro: provocar um jejum de petróleo e dólares para forçar uma reestruturação da dívida americana nas costas do mundo multipolar.

A guerra contra o Irã já dura 49 dias. Os objetivos declarados — mudança de regime, fim do programa de enriquecimento de combustível nuclear, fim do programa de mísseis avançados, e agora a abertura do Estreito de Ormuz — não foram alcançados. As bases americanas no Golfo foram destruídas. Os caças F-35 e F-15 foram abatidos. As defesas aéreas iranianas continuam ativas. E as negociações entre o vice J.D Vance com os iranianos, em Ismalabad, fracassaram.

Encurralado, Trump recorreu a uma nova estratégia: o bloqueio naval. Mas, como Pepe Escobar explica, o bloqueio americano não é o que parece.

Dois Bloqueios, um Estreito

Escobar começa a sua análise descrevendo a situação atual no Estreito de Ormuz:

“O bloqueio do Estreito de Ormuz é um bloqueio de naves americanas, israelenses, ligadas aos Estados Unidos e Israel, e de nações hostis — ou seja, essencialmente europeus. Os outros podem negociar e passar. E todo mundo que negocia e passa paga o pedágio, que é basicamente um dólar por barril.”

O pedágio, aprovado pelo parlamento iraniano, já está em vigor. Navios japoneses e sul-coreanos já estão coordenando o pagamento. O status jurídico do Estreito de Ormuz jamais voltará a ser o que era antes.

Enquanto isso, os americanos posicionaram a sua frota no Golfo de Omã, bem ao sul do estreito, numa linha que chega perto da costa iraniana – 200 Km da costa – , mas não tão perto. Escobar é direto:

É um bloqueio de covardes, porque é longe. Os americanos estão longe de uma boa parte dos mísseis e drones iranianos, mas não dos de última geração e muito menos dos principais mísseis balísticos e hipersônicos.”

O objetivo do bloqueio americano, segundo Escobar, não é apenas o Irã. É a China.

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O Alvo Real: a China

Escobar cita o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que disse abertamente: “a partir de agora, a China não vai poder mais receber petróleo do Irã”. A declaração, nas palavras de Escobar, é “ridícula” — mas revela o verdadeiro propósito do bloqueio.

Toda essa história do bloqueio não só se traduz como uma guerra econômica contra a China, mas contra a maior parte das nações da Ásia que importam petróleo do Golfo Pérsico, incluindo Japão e Coreia do Sul. Isso perturba alguns dos principais fluxos de energia do planeta, perturba comércio, perturba toda a navegação transportando todo tipo de matérias-primas do leste para o oeste e do oeste para o leste.”

A China, no entanto, não está despreparada. Escobar lista as alternativas chinesas:

  • Power of Siberia 1, operando com capacidade total
  • Oleoduto ESPO, também em capacidade total
  • Power of Siberia 2, previsto para o próximo ano
  • Gasoduto China-Mianmar, que passa completamente ao largo do Estreito de Hormuz
  • Gasoduto China-Ásia Central, funcionando desde o início dos anos 2010
  • Porto de Gwadar, no Paquistão, conectado por terra ao oeste da China

Nesse entrevista ao podcast de Danny Haiphong – Zhang Weiwei DETONA bloqueio naval de Trump ao Irã: China VENCENDO? – o professor Zhang Weiwei disse que hoje a China já tem uma segurança energética própria de 85%, dependendo somente de 15% via importação de parceiros do Oriente Médio e mesmo do Brasil.

Além disso, a China tem reservas estratégicas de mais de 1,3 bilhão de barris de petróleo e é líder global em energias renováveis. Um bloqueio prolongado, embora doloroso, não a paralisaria de forma alguma.

O Triângulo de Al-Aqsa: Os Houthis no Chat

O cenário mais aterrorizante, no entanto, ainda está por vir. Escobar menciona a possibilidade de os houthis do Iêmen entrarem no conflito com força total, fechando o “triângulo de Al-Aqsa” — o estreito de Bab al-Mandeb, o porto de Yanbu na Arábia Saudita (terminal do oleoduto leste-oeste) e o canal de Suez ao norte.

Na hora que os nossos amigos iemenitas entrarem no chat, o preço do barril do petróleo vai chegar a 200 – US$ 200,00/barril – e até mais. O que isso significa para nós todos, para a economia global como um todo? Um choque sistêmico de cadeias de produção e de cadeias de suprimento com consequências absolutamente devastadoras.”

Os houthis, que já demonstraram sua capacidade de atingir navios no Mar Vermelho, estão apenas esperando o momento estratégico para agir.

O Plano Sinistro de Trump: Reset Financeiro às Custas do Mundo

Escobar revela o que pode estar por trás de todo esse caos: uma tentativa de reset financeiro.

“O cálculo que os fazedores de contas do Tesouro americano estão fazendo: vamos provocar um jejum de petróleo e de dólares em boa parte do planeta. E aí, boa parte do planeta vai ficar desesperado para vender bônus do tesouro americano de volta para os Estados Unidos, mas por um preço super baixo, porque essa é a única maneira que eles terão para conseguir comprar petróleo e para conseguir dólares.”

O objetivo, segundo Escobar, é que os Estados Unidos retirem a sua dívida trilionária de circulação com um desconto gigantesco, desaparecendo com os pagamentos de juros insustentáveis que não podem honrar. É uma tentativa de reset em cima do mundo multipolar.

Há poucos dias, neste mesmo espaço, discutimos a hipótese levantada pelo jornalista Patrick Henningsen – PÂNICO EM ISLAMABAD: Como a Guerra do Irã Quebrou o Império Americano – de que a guerra contra o Irã poderia ter como objetivo oculto inviabilizar o petróleo do Golfo para beneficiar os EUA, a Rússia e a Venezuela. Agora, Pepe Escobar adiciona uma camada ainda mais sinistra: o bloqueio americano não é apenas uma jogada energética — ele seria uma tentativa de provocar um jejum de petróleo e dólares para forçar uma reestruturação da dívida americana às custas do mundo multipolar. O império não quer apenas vender mais petróleo. Ele quer reescrever as regras do sistema financeiro global.

A Pergunta que Fica: Até Quando?

O cessar-fogo expira na próxima semana. As negociações de Islamabad fracassaram, mas há rumores de um “Islamabad II” — possivelmente na Rússia ou na China, os únicos países em que o Irã confia agora.

Hoje (17/04) a notícia do dia foi que o Irã liberou a passagem pelo Estreito de Ormuz a todos os navios até o dia de término do cessar-fogo. Trump agradeceu ao Irã o gesto e, obviamente, vai tentar capitalizar isso distorcendo o gesto iraniano. Aliás, ele é doutor em mentir e distorcer os fatos.

Mas o por quê o Irã fez esse gesto? Provavelmente para forçar os EUA a abandonar o “bloqueio covarde”, de longe, citado por Pepe Escobar. O mercado de energia reagiu bem ao anúncio iraniano e o preço do barril de petróleo caiu logo 10%.

Entretanto, o errático presidente americano, apesar de comemorar a abertura de Omuz pelo Irã, declarou que irá manter o “bloqueio covarde” até que as negociações com o Irã sejam totalmente concluídas.

Já que os EUA não conseguiram vencer o Irã no campo de batalha, eles agora apelam para a pura pirataria, como diz Pepe Escobar. O desdobramento, a seguir, da declaração do americano belicista foi a resposta iraniana, ameaçando fechar novamente o Estreito de Ormuz.

Sobre o desfecho dessa história, Pepe Escobar, no entanto, não está otimista:

Esse cenário de uma degringolada vinda diretamente desse bloqueio é bem mais plausível do que um segundo turno de negociações. O que está acontecendo realmente é um bloqueio de covardes. Os americanos estão longe de uma boa parte dos mísseis iranianos, mas não dos de última geração.”

E conclui:

Basta os iranianos afundarem um destroyer americano. Basta eles conseguirem desabilitar um daqueles monstros de 13 bilhões de dólares depois de um vôlei de mísseis e drones iranianos, guiados por inteligência chinesa, para a gente ter a imagem definitiva que vai rodar o planeta inteiro — a imagem gráfica da derrota estratégica do império da pirataria.”

O Império se Desfaz

O bloqueio americano é um ato de desespero. É a tentativa de um império em decadência de ditar regras que já não pode impor. Mas a China não se curva. O Irã não se curva. E os houthis estão prontos para fechar o cerco.

O mundo multipolar que emerge deste conflito não será governado por ultimatos de Washington.

O império da pirataria ainda pode causar muito dano. Mas o seu tempo, como Pepe Escobar deixa claro, está se esgotando.

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