Os EUA Entregam Plano de Paz de 15 Pontos ao Irã

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 25/03/2026, 19h:46, leitura: 8 min

Editor: Rocha, J.C.

Prometeu destruir o Irã em quatro dias. Caminhando para o trigésimo dia, entrega um plano de paz de 15 pontos. O império que ameaçava “aniquilar” o inimigo agora mendiga um cessar-fogo que Teerã só aceitará se as suas exigências forem atendidas. Eram favas contadas.

Há quase 30 dias, Donald Trump anunciava ao mundo que os Estados Unidos e Israel lançavam uma operação militar contra o Irã. Seria rápida, cirúrgica, vitoriosa. O regime dos aiatolás, garantia, desmoronaria em dias.

A realidade, teimosa, provou o contrário. Hoje, no vigésimo sexto dia de uma guerra que devia durar quatro, Washington mudou de tom. Não mais ameaças de “aniquilação”. Não mais ultimatos com prazos de 48 horas. Agora, o que se vê é o governo americano de joelhos, entregando a Teerã um plano de paz de 15 pontos, na esperança de encontrar uma saída honrosa para o atoleiro em que se meteu.

A notícia, divulgada pelo The New York Times nesta terça-feira (24), confirma o que vínhamos analisando desde a renúncia de Joe Kent – O IMPÉRIO RACHADO: Chefe Antiterrorista dos EUA Renuncia e Denuncia a Mentira da Guerra , passando pela farsa das negociações secretas e chegando ao recuo humilhante de Trump após ameaçar a infra estrutura elétrica do Irã e a ilha de Kharg – AS IDAS E VINDAS DE UM BELICISTA DESMIOLADO.

O Plano de 15 Pontos: Uma Capitulação Disfarçada

De acordo com o The New York Times, o documento foi entregue ao Irã por intermédio do Paquistão, que atuou como mediador diplomático. O plano aborda questões de segurança, incluindo os programas nuclear e de mísseis iranianos, mas o seu ponto central, segundo a publicação, é a restauração da segurança das rotas marítimas, particularmente no Estreito de Ormuz.

Traduzindo: o grande objetivo do plano americano é que o Irã reabra o estreito para que os navios petroleiros voltem a circular livremente. Porque, sem isso, a economia americana — e a global — afundam.

O que o plano não diz, mas está implícito, é que Washington reconhece a derrota estratégica. O Irã se tornou o “guardião do Estreito”, como definiu John Helmer, e agora os Estados Unidos precisam negociar com o guardião para que a torneira do petróleo volte a jorrar.

A Reação Iraniana: Silêncio que Fala Mais que Palavras

Até o momento, o Irã não respondeu oficialmente ao plano americano. Mas as declarações públicas dos iranianos nos últimos dias deixam claro o que eles esperam para encerrar a guerra:

  1. Retirada imediata das forças militares dos Estados Unidos do Golfo Pérsico. Esta é a exigência central, repetida à exaustão pelas autoridades iranianas. Enquanto houver bases americanas na região, o Irã se considera sob ameaça existencial. Nesse ponto nós acreditamos até que os iranianos poderiam ceder, até porque 80% de todos os ativos militares dos Estados Unidos na região estão destruídos. E a destruição dos 20% restantes segue enquanto esse artigo é escrito.
  2. Garantias de longo prazo de que não haverá novos ataques. O Irã não aceitará um cessar-fogo temporário que permita a Israel e aos Estados Unidos se rearmarem e se reorganizarem para um novo ataque no futuro, como ocorreu após a “Guerra dos 12 Dias” em junho de 2025.
  3. Compensações pelos danos causados. O major-general Mohsen Rezaei, veterano da Guarda Revolucionária, afirmou que o Irã exigirá reparações pelos bombardeios que atingiram a sua infraestrutura civil e energética. Alguns analistas em geopolítica mencionaram o valor astronômico de US$ 500 bilhões. A confirmar.
  4. Fim das sanções econômicas. Embora não explicitado em todos os comunicados, é uma demanda de fundo que acompanha qualquer acordo duradouro.

Cabe lembrar ainda que o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, já havia dito no início da semana: não há negociações em andamento, e as notícias sobre conversas são “falsas e servem para manipular os mercados“. A mensagem é clara: o Irã não está desesperado. Quem está é Washington.

O Contexto: Uma Guerra Perdida em Todos as Frentes

O plano de paz americano não surge do nada. Ele é a consequência lógica de quase um mês de combates que expuseram a fragilidade estratégica dos Estados Unidos e de Israel.

No front militar, as defesas antimísseis israelenses e americanas estão exauridas. Os mísseis hipersônicos iranianos com ogivas de fragmentação (cluster bombs) têm penetrado a Cúpula de Ferro com facilidade — pelo menos 19 deles atingiram áreas urbanas em Israel, matando dezenas e ferindo centenas. Esse era o status de 23 de março. Hoje, 25/03, esse cenário certamente é pior. E o ataque a Dimona, em resposta ao bombardeio de Natanz, mostrou que o Irã pode atingir o coração do programa nuclear israelense quando quiser.

No front econômico, o Estreito de Ormuz está controlado pelo Irã. O volume de petróleo transportado pela região caiu para menos de 10% do normal. Os estoques estratégicos dos Estados Unidos, segundo o secretário do Tesouro Scott Bessent, duram apenas mais duas semanas. O preço do barril ultrapassou os US$ 110, e a gasolina nos EUA já passa de US$ 6 o galão em muitos estados. A inflação voltou com força, e o mercado de títulos americano, do qual depende o financiamento da dívida pública de US$ 40 trilhões ( e subindo), exige prêmios insustentáveis para uma nação perdulária e já praticamente insolvente em pagar essa dívida. Se os juros pagos em novos títulos da rolagem da dívida continuarem ou ultrapassarem os 5%, em algum momento, os Estados Unidos darão um “calote” nos credores, isto é, deixarão de honrar os serviços da dívida, hoje em um pouco mais de US$ 1 trilhão por ano.

No front político, a base “America First” de Trump está se revoltando. A renúncia de Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, foi o primeiro terremoto. Trump precisa desesperadamente encerrar a guerra antes das eleições de novembro, mas qualquer acordo que não pareça uma vitória será usado contra ele.

No front israelense, a situação é ainda mais grave. Os vídeos estranhos de Netanyahu — o café que não desce, a jaqueta repetida, os cortes nas imagens — levantaram a hipótese de que ele pode não estar mais no comando. Um golpe militar silencioso, especula John Helmer, pode ter removido o premier para que os generais possam negociar a saída da guerra sem o obstáculo que ele representava.

O Que Vem Agora?

O plano de 15 pontos americano será analisado em Teerã. Mas o Irã não tem pressa. Sabe que o tempo joga a seu favor. Cada dia que passa, Israel sangra mais, a economia americana sofre mais e a posição iraniana se fortalece.

As exigências iranianas são conhecidas. Se os Estados Unidos aceitarem retirar as suas bases do Golfo, pagar reparações e garantir que não haverá novos ataques, a guerra pode terminar. Se não aceitarem, a guerra continua — e o desgaste será cada vez maior para Washington e Tel Aviv.

Mas detalhemos esse ponto. O Irã sabe que um rato encurralado, não tendo como fugir, ataca. Até por que, que opção restaria ao rato? Ser morto? O Irã está conduzindo Israel nessa guerra como se ele fosse um “rato”. O deixando sem saída, a não a ser usar armas nucleares. E por quê então o Irã estica tanto a corda? Um jogador de poquer sabe que só se arrisca tudo tendo uma boa cartada na mão. Nós acreditamos que essa cartada dos iranianos – que nunca será revelada, como faz Israel – é que eles já tem armas atômicas. E os mísseis hipersônicos, para o qual Israel não tem defesa, são o “portador ideal” de uma ogiva nuclear. Dessa forma, o poder de barganha dos iranianos se tornou imenso. Fora de qualquer escala. Isso pode enterrar os nefastos planos de Israel em fundar a “Grande Israel” bíblica, para sempre.

O que está claro é que a arrogância de Trump — que prometeu “aniquilar” o Irã em quatro dias — colidiu com a realidade. E a realidade venceu. Agora, o império que partiu para a guerra com bravatas mendiga uma saída honrosa. Eram favas contadas.

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