O FANTASMA DE NETANYAHU: Morto, Vivo ou Refém de um Golpe?

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 22/03/2026, 20h:41, leitura: 8 min

Editor: Rocha, J.C.

Os vídeos estranhos, as jaquetas que não mudam, o café que não desce. E se Benjamin Netanyahu já não estiver no comando de Israel? E se um golpe silencioso estiver em curso, orquestrado pelos militares israelenses com a anuência de Washington, para abrir caminho a uma saída negociada da guerra que o premiê insiste em ampliar?

Há três semanas, a guerra contra o Irã tem sido conduzida sob a liderança de um radical sionista que muitos acusam de ser o principal obstáculo à paz. Mas, nos últimos dias, uma série de vídeos estranhos e contraditórios envolvendo Benjamin Netanyahu, levantou uma questão perturbadora: ele ainda está no comando?

John Helmer ( jornalista e analista geopolítico australiano radicado em Moscou desde 1989, sendo o correspondente estrangeiro com maior tempo de serviço contínuo na Rússia. Ele é amplamente reconhecido por sua cobertura independente e crítica sobre os negócios russos, oligarcas e a política externa do Kremlin.)

John Helmer, em entrevista ao podcast Dialogue Works, foi além. Com a precisão de um investigador e o olhar de quem conhece as entranhas do poder, Helmer dissecou cada imagem e levantou uma tese que, se confirmada, muda completamente a geopolítica do conflito: Israel pode estar vivendo um golpe militar silencioso, orquestrado por seus próprios generais, possivelmente com a bênção de Washington, para remover Netanyahu do caminho e abrir espaço para negociações de paz.

Os Vídeos Que Não Convencem

Desde que rumores sobre a sua morte começaram a circular nas redes sociais e em canais iranianos, Netanyahu tem se esforçado para provar que está vivo. Mas as suas tentativas têm sido, no mínimo, bizarras.

Helmer lista três vídeos:

  1. O vídeo do discurso: Netanyahu aparece lendo um texto. Mas, segundo Helmer, “não conseguiu ser convincente, seja de que ele estava vivo ou no comando”.
  2. O vídeo da cafeteria: Netanyahu toma um café aparentemente inofensivo, mas, sob uma análise atenta, revela sinais de montagem. Helmer aponta três falhas:
    • O gole que não desce: “Quando ele bebe da xícara de café, percebe-se que ele não engole – Esse é o vídeo: Netanyahu publica vídeo em que ironiza rumores de sua própria morte nas redes sociais | O POVO News. Não dá para beber café sem engolir. E você vê um corte no vídeo entre o momento em que ele dá um gole e o momento em que engole. É uma fabricação”.
    • O capuccino eterno: “A superfície do café e o desenho do capuccino não mudam, mesmo depois que ele começa a beber”. Impossível.
    • A jaqueta repetida: “Se você observar com atenção, verá que ele está usando exatamente a mesma jaqueta que usava no vídeo da cafeteria, que foi exibido um dia antes, mais de 24 horas antes”. O zíper na mesma posição. Impossível.
  3. O vídeo das garotas: Netanyahu aparece em um site conversando com mulheres, com seguranças ao redor. Esse é o vídeo: https://youtu.be/LcYF3Idwhcg. Novamente, a mesma jaqueta. Novamente, uma encenação.

Para Helmer, o que esses vídeos mostram é óbvio: Netanyahu quer provar que está vivo. O que eles não mostram, e esse é o ponto crucial, é que se ele está vivo, estará no comando?

“Primeiros-ministros não mostram que estão no comando de uma guerra, muito menos de uma economia, fazendo vídeos em cafés ou conversando com garotas. As operações normais de um primeiro-ministro, ele não está mostrando. Por que você mostraria uma xícara de café e duas garotas se realmente estivesse no comando?” – John Helmer.

Morto, Vivo ou Desaparecido?

A questão que se impõe, portanto, é: se Netanyahu está vivo — e os vídeos, embora mal feitos, sugerem que ele está — mas não está no comando, quem está comandando Israel?

Helmer sugere uma hipótese que, até há alguns dias, seria considerada conspiratória, mas que agora ganha corpo: um golpe militar silencioso.

“Portanto, surge a questão, houve ou está havendo uma espécie de golpe em Israel? Este é um desenvolvimento muito sério, e não posso acrescentar muito ao que minhas fontes russas dizem, porque aqueles que sabem não estão falando, e há mais suspeitas e suposições do que realidade.”

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Por Que um Golpe Agora?

A resposta, segundo Helmer, está no cálculo estratégico americano.

O Irã está vencendo a guerra de exaustão. Os mísseis hipersônicos iranianos estão atingindo Israel com precisão devastadora. As defesas antimísseis israelenses e americanas foram degradadas. O Estreito de Ormuz está nas mãos de Teerã, que se tornou, nas palavras de Helmer, “o guardião da ordem mundial, do suprimento global de petróleo”.

E, de forma urgente, os EUA querem encerrar a guerra em duas semanas. Helmer aponta duas evidências:

  1. Trump cancelou um encontro de cúpula com a China marcado para 31 de março, alegando que precisava ficar em Washington para comandar a guerra — ou, mais provavelmente, para conduzir as negociações para encerrá-la.
  2. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que há estoques de petróleo para apenas mais 14 dias, antes que a escassez cause uma ruptura estratégica global.

Os Estados Unidos, portanto, têm um cronograma: a guerra precisa acabar até o início de abril.

Netanyahu: O Obstáculo a Ser Removido

O problema é que Netanyahu quer o oposto. Ele quer destruir o Irã, e acredita que pode fazê-lo com armas nucleares táticas. Mas os Estados Unidos não querem uma guerra nuclear na região, que arrastaria a Rússia e a China para o conflito, e desestabilizaria o mundo de forma irreversível.

Netanyahu, insiste Helmer, “é um defensor da guerra nuclear tática contra o Irã”. E essa posição o coloca em rota de colisão com Washington.

A solução, então, seria óbvia: remover Netanyahu do caminho.

“Netanyahu se torna um bode expiatório muito conveniente para um fim da guerra negociado pelos americanos. Antes de tudo, ele já é o líder da facção israelense pró-guerra. Muitas comunidades judaicas que se opõem à guerra querem dizer que Netanyahu é a maçã podre do barril.”

O Precedente Paquistanês

Helmer lembra um precedente crucial: em 2019, quando o Paquistão estava prestes a usar armas nucleares táticas contra a Índia na Operação Sindor, os militares paquistaneses, temendo a aniquilação, telefonaram para o então vice-presidente Mike Pence e pediram um cessar-fogo. A guerra terminou. Os generais assumiram o controle e evitaram a catástrofe.

“Já aconteceu antes, pode acontecer novamente.”

Os militares israelenses, que têm acesso às mesmas informações de inteligência que Netanyahu, sabem que a guerra está perdida. Sabem que o uso de armas nucleares seria o fim de Israel. E sabem que os Estados Unidos estão desesperados para sair do atoleiro em que se meteram.

Se os generais israelenses decidirem que Netanyahu é um perigo para a própria existência de Israel, eles têm os meios e a motivação para removê-lo — pacificamente ou não.

As Negociações em Curso e os Termos Iranianos

Enquanto isso, nos bastidores, as negociações já estão em curso. Helmer lembra que os termos iranianos para o fim da guerra já foram enunciados pelo novo Líder Supremo:

  1. Vingança pela morte de Khamenei. Este ponto poderia ser atendido com a remoção de Netanyahu, vivo ou morto.
  2. Reparações. Podem vir das reservas bancárias iranianas, roubadas pelos britânicos e congeladas no exterior.
  3. Fechamento imediato das bases militares dos Estados Unidos na região. Washington pode se retirar, alegando que já não precisa delas, e redirecionar os seus recursos para o confronto com a China.

Os Estados Unidos, segundo Helmer, podem aceitar esses termos. “Podem se afastar não com a vitória total prometida por Trump, mas com uma solução que evite a aniquilação de Israel.”

O Fantasma que Assombra o Oriente Médio

Se Netanyahu está morto, o mundo saberá em breve. Se está vivo, mas fora de cena, os próximos dias serão decisivos. Se os generais israelenses realmente tomaram as rédeas, a guerra pode terminar em duas semanas, nos prazos que Trump estabeleceu.

Mas uma coisa é certa: a tentativa desesperada de Netanyahu de provar que está no comando, com vídeos mal feitos que mais parecem provas de um sequestro do que de liderança, revela que algo está profundamente errado em Israel.

O império rachou. Agora, o homem que o conduziu à guerra pode estar sendo removido para que o império possa encontrar uma saída.

O fantasma de Netanyahu paira sobre o Oriente Médio. Morto, vivo ou refém, ele já não é mais o dono do seu próprio destino. E a guerra que ele iniciou pode terminar sem ele.

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