Scott Ritter: O Horrendo Assassinato das Crianças de Minab

Scott Ritter: O Horrendo assassinato das crianças de Minab

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 14/04/2026, 17h:28, leitura: 11 min

Editor: Rocha, J.C.

O assassinato deliberado de 165 meninas — crianças entre 6 e 12 anos — em uma escola na cidade iraniana de Minab, logo nos primeiros momentos do ataque surpresa do consórcio EUA/Israel contra o Irã, com o objetivo deliberado de levar terror à população iraniana, e descrito pelo analista Scott Ritter, é uma dessas verdades que chocam; causam profunda repulsa, tal a desumanidade e a crueldade.

Scott Ritter, ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, consultor em segurança energética, e ex-inspetor de armas da ONU, descreveu o ataque em detalhes. Não foi um “erro”.

Foi uma execução fria, calculada, observada em tempo real por operadores americanos que viram as crianças se aglomerarem no que pensavam ser um local seguro — e ordenaram o ataque do segundo míssil de cruzeiro, já que o primeiro míssil que havia atingido o prédio tinha somente danificado o local.

O mesmo padrão de brutalidade desumanizada aparece no vídeo vazado pelo Wikileaks em 2007, mostrando pilotos americanos matando jornalistas e civis no Iraque enquanto trocavam gracejos macabros. “Bom serviço”, diz um. “Muito obrigado”, responde o outro. A história que a grande mídia não conta é esta: por trás da geopolítica, do “interesse nacional”, da “defesa da liberdade”, há pessoas reais sendo massacradas como “coisas” ou “animais”. E aqueles que apertam os botões — e aqueles que dão as ordens — não sentem remorso. Sentem orgulho.

Há 46 dias, os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra de agressão contra o Irã sob falsos pretextos. O pretexto era a “ameaça nuclear iminente” — uma mentira, como a própria inteligência americana confirmava. O objetivo declarado mudava a cada semana: mudança de regime, desarmamento, abertura do Estreito de Ormuz.

Mas por trás das justificativas oficiais, há uma realidade mais sombria. A guerra não é um jogo de xadrez geopolítico. É uma máquina de matar. E as vítimas, muitas vezes, são mães, os seus filhos, e idosos.

O Massacre de Minab: O Que Aconteceu

No início da guerra, um ataque com mísseis de cruzeiro atingiu uma escola na cidade iraniana de Minab, na costa sul do Irã. O primeiro míssil causou danos ao prédio. O diretor e os professores, seguindo os protocolos de segurança, reuniram as crianças sobreviventes e as levaram para o local que consideravam mais seguro da escola: o salão de orações, a parte mais bem construída do edifício.

Enquanto isso, no navio de guerra americano — Scott Ritter menciona o USS Vincennes, o mesmo que em 1988 abateu um avião comercial iraniano, matando 290 civis — os operadores do sistema de armas observavam as imagens transmitidas pela câmera do segundo míssil de cruzeiro.

Eles viram as crianças se aglomerando. Viram o salão de orações. Viram que era uma escola. Eles queriam causar terror.

E ordenaram o segundo ataque.

O segundo míssil foi lançado. Atingiu o salão de orações. Matou todos que estavam ali. A diretora da escola morreu abraçada às crianças. Professoras morreram protegendo os seus alunos com os seus próprios corpos.

O número de mortos: 165 meninas (a maioria entre 6 e 12 anos), além de adultos — incluindo a diretora e várias professoras.

É de chorar…Mas isso precisa ser contado.

“O comandante do navio e o oficial executivo estão sendo chamados pelos iranianos de criminosos de guerra, dizendo que são os responsáveis por isso. Isso é um grande negócio. Isso é um negócio enorme. Isso é como o Alamo. Qualquer multidão que você tenha. E essas são as mais inocentes. Cada uma dessas garotas tinha uma história de vida. Cada uma das crianças mortas ali eram crianças com uma vida. O Irã é um estado-nação moderno. Essas garotas tinham mais cultura e mais educação do que o presidente jamais terá. Tinham mais no dedo mindinho. Eram garotas que estavam treinando para ser ginastas, treinando para ser médicas. Tinham visões de se tornarem advogadas para ajudar suas famílias. Uma das garotas estava em uma competição onde memorizava passagens do Alcorão. Ela estava a duas semanas de ir para Teerã para entrar em uma grande competição onde, se vencesse, entraria em um caminho onde poderia ser jornalista e fazer televisão. Essas são as pessoas que matamos. Nós, América, os matamos. Nossas armas, dirigidas por nossos oficiais, recebendo ordens de nossa liderança.”

— Scott Ritter.

O Vídeo do Wikileaks: O Mesmo Padrão de Brutalidade

O massacre de Minab não é um caso isolado. Há um padrão na conduta das forças armadas americanas — e ele foi documentado pelo Wikileaks em 2007.

O vídeo, intitulado “Collateral Murder” (Assassinato Colateral), mostra um ataque de um helicóptero Apache no Iraque. As imagens são granuladas, em preto e branco, típicas das câmeras de armas. O retículo de mira se move sobre figuras humanas.

Os pilotos avistam um grupo de pessoas. Entre elas, há dois homens carregando câmeras. Os pilotos os confundem com insurgentes armados — confundem câmeras com rifles AK-47.

“Um deles tem uma arma.”
“Sim, isso é uma arma.”

Não havia arma. Havia uma câmera.

Os pilotos pedem permissão para atacar. A permissão é concedida.

“Não temos pessoal a leste da nossa posição, portanto, vocês estão livres para atacar.”

O helicóptero abre fogo. Jornalistas e civis são mortos. Um dos feridos, ainda vivo, tenta se arrastar para longe. O helicóptero ataca novamente, matando também aqueles que tentavam socorrer os feridos — incluindo o motorista de uma van que havia parado para ajudar.

Ao final, os pilotos trocam comentários:

“Olha só esses desgraçados mortos. Que beleza.”
“Ótimo. Obrigado.”

O vídeo foi censurado e removido do YouTube, mas permanece disponível no arquivo da web. e documenta a frieza com que os pilotos descrevem o massacre.

PolitikBr extraiu a parte do vídeo do wikileaks, em que ocorre o massacre. Vejam:

Collateral Murder – Wikileaks -Iraq – Um caso clássico de violência e de desumanidade.

O Padrão: Desumanização e Impunidade

O que conecta o massacre de Minab ao massacre do Iraque não é apenas o uso de tecnologia militar avançada. É a desumanização das vítimas.

No vídeo do Wikileaks, os pilotos chamam os mortos de “desgraçados”. No massacre de Minab, os operadores do míssil viram crianças se aglomerando — e atacaram mesmo assim. Não há registro do que disseram. Mas há o fato: eles atacaram deliberadamente um abrigo de crianças.

Scott Ritter, ao descrever o massacre, não usa eufemismos:

“Este foi um ato deliberado de assassinato.”

E, ao final de sua análise sobre a guerra, ele faz uma declaração que deveria ecoar em todas as consciências americanas:

“Somos o mau da história.”

A Conexão com a Guerra Atual

O massacre de Minab não foi um “erro”. Não foi “dano colateral”. Foi um ato deliberado, observado em tempo real, executado com precisão. As crianças foram mortas não porque estavam no lugar errado, na hora errada; mas porque os operadores americanos não viram nelas seres humanos.

E o mesmo padrão se repete em Gaza, no Líbano, no Iêmen. O mesmo desprezo pela vida civil. A mesma convicção de que os “outros” não são realmente humanos.

O professor John Mearsheimer, em sua palestra no Arab Center Washington DC, foi direto:

O que me choca ainda mais é que os Estados Unidos são cúmplices do genocídio. Se tivéssemos julgamentos como os de Nuremberg, Joe Biden e seus principais tenentes, Donald Trump e seus principais tenentes, seriam enforcados.”

O massacre de Minab é uma prova material. O vídeo do Wikileaks é outra. A história não esquecerá.

A Luz da Verdade

Este artigo não é sobre geopolítica. É sobre humanidade. É sobre 165 meninas que tinham nomes, famílias, sonhos. Uma delas estava a duas semanas de uma competição nacional. Outras queriam ser médicas, advogadas, ginastas.

Elas foram mortas por um míssil americano, lançado por um navio americano, comandado por oficiais americanos, sob ordens de líderes americanos.

O PolitikBr existe para levar luz à verdade. Esta é a verdade mais difícil de contar.

O Wikileaks mostrou, em 2007, o que as forças armadas americanas fazem quando ninguém está olhando. Scott Ritter mostrou, em 2026, o que fizeram em Minab. Não há desculpas. Não há justificativas. O que resta é o luto.

Esse artigo foi baseado em:

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