A VOZ QUE QUEREM CALAR: Professor Seyed Marandi e a Verdade sobre a Guerra

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Por PolitikBr I Brasília, Em 26/03/2026, 20h:04, leitura: 11 min

Editor: Rocha, J.C.

Enquanto a mídia ocidental repete como mantra as mentiras de Washington sobre a “ameaça iminente” iraniana, um homem no coração de Teerã fala a verdade que o império não quer que você ouça. Professor Seyed Mohammad Marandi, analista político e decano da Universidade de Teerã, sobreviveu aos ataques químicos de Saddam — financiados pelos mesmos regimes árabes que hoje ajudam a matar crianças iranianas. Agora, enfrenta uma campanha criminosa online para arrecadar um milhão de dólares para o seu sequestro e assassinato. Por quê? Porque ele se recusa a calar.

Há quase trinta dias, os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra criminosa contra o Irã, sob o pretexto de uma “ameaça iminente” que nunca existiu. A cada dia que passa, a farsa se desfaz. Em contrapartida, os mísseis e drones iranianos atingem Israel com precisão crescente, com as defesas antimísseis americanas e israelenses quase exauridas. O Estreito de Ormuz está nas mãos de Teerã. E Washington, que prometeu vitória em quatro dias, entregou a dois dias atrás um plano de paz de 15 pontos ao Irã, que foi rejeitado.

Mas, enquanto os fatos no terreno mudam, a narrativa ocidental permanece congelada no tempo. A mesma máquina de propaganda que justificou a invasão do Iraque em 2003, que apoiou o genocídio em Gaza, que mantém Cuba sitiada por décadas, agora tenta vender ao mundo a imagem de um Irã agressor que precisa ser “contido”.

É nesse contexto que a voz do professor Seyed Mohammad Marandi se torna não apenas relevante, mas essencial. Professor de Estudos Ingleses e Decano da Faculdade de Estudos Mundiais da Universidade de Teerã, Marandi não é um “porta-voz do regime” como tentam rotulá-lo. É um acadêmico respeitado, um analista lúcido e, acima de tudo, um sobrevivente.

Quem é Seyed Mohammad Marandi?

Marandi não é um observador distante. Ele viveu a história do Irã em sua carne. Durante a guerra Irã-Iraque (1980-1988), quando Saddam Hussein, financiado pelos regimes do Golfo e armado com armas químicas fornecidas por empresas alemãs, massacrou dezenas de milhares de iranianos, Marandi estava lá. Ele sobreviveu a dois ataques químicos. Muitos ao seu redor não sobreviveram.

Essa experiência moldou a sua visão de mundo. Quando ele fala sobre os ataques americanos e israelenses ao Irã, não é como analista distante, mas como alguém que já viu o que acontece quando o Ocidente e os seus aliados regionais decidem “conter” uma nação.

“O dinheiro veio daquelas centenas de bilhões de dólares que esses países deram a ele (Sadan Hussein). E então o general Soleimani, ele foi um grande herói que enfrentou o ISIS e a Al-Qaeda. Como ele foi assassinado? O drone decolou do Catar.” – Seyed Mohammad Marandi.

Marandi também é uma figura pública central no Irã. Durante as negociações do acordo nuclear (JCPOA), ele integrou a equipe de assessores da delegação iraniana. Ele é presença frequente na televisão iraniana e em veículos internacionais como Al Jazeera, BBC, CNN e Democracy Now. É, em suma, uma das vozes mais autorizadas para explicar ao Ocidente como o Irã vê o mundo — e como o mundo vê o Irã.

A Ameaça de Morte: Quando Falar a Verdade se Torna Crime

Em meio à guerra, Marandi se tornou alvo de uma campanha criminosa que expõe, como nenhuma outra, a podridão moral do Ocidente.

Uma conta verificada no X (antigo Twitter), com parceria paga, está arrecadando um milhão de dólares para sequestrar e assassinar o professor Marandi. Apesar de milhares de denúncias, Elon Musk e seus funcionários se recusam a remover o conteúdo.

“Eles estão arrecadando um milhão de dólares para me sequestrar. E isso significa que vão me torturar e me matar. Vão me assassinar. Apesar de muitas, muitas milhares de pessoas terem reclamado, se alguém verificar o tweet, é evidente. E mesmo assim, Musk se recusa a removê-lo.” – Seyed Mohammad Marandi.

A pergunta que fica é: por que Marandi? Por que a sua voz precisa ser silenciada com tanta urgência? A resposta está no que ele diz — e no que a sua existência representa.

O Silêncio Cúmplice da Mídia Ocidental

Marandi denuncia algo que a série de artigos do PolitikBr vem documentando desde o início: a mídia ocidental não é uma observadora neutra do conflito. Ela é uma ferramenta ativa da política de controle social, através da disseminação de narrativas falsas, deturpadas e da negação da liberdade ao direito à livre informação; as diferentes versões dos fatos.

Quando os EUA e Israel bombardeiam uma escola em Minab, matando 165 meninas, a mídia ocidental repete a versão de que foi um “erro não intencional”. Quando os Estados Unidos ameaçam bombardear a infraestrutura elétrica do Irã — um crime de guerra claro —, não há manchetes escandalizadas. Quando Trump diz que pode “destruir” Cuba, ninguém na grande imprensa pergunta: do que você está falando? Quem lhe deu esse direito?

“Nenhum veículo de mídia no Ocidente está gritando que isso são crimes contra a humanidade. Nenhum deles. Os oponentes dele não dizem isso. Isso só mostra o quão corrupto é o Ocidente, quão corrupta é a mídia ocidental.” – Seyed Mohammad Marandi.

O padrão se repete: em Cuba, as sanções americanas são tão sufocantes que hospitais não têm combustível para geradores, e pacientes morrem. A mídia não cobre. Na Venezuela, o mesmo. Em Gaza, o genocídio foi transmitido ao vivo, mas a cobertura foi cuidadosamente enquadrada como “conflito” entre iguais. Na Ucrânia, as mídias russas foram banidas do YouTube, e qualquer voz que questionasse a narrativa oficial era e é censurada.

Marandi aponta a hipocrisia estrutural:

“A mídia é propriedade e está sob o controle da classe Epstein. E esses jornalistas são apenas ferramentas. Assim como os políticos também são ferramentas. Não há diferença.”

A “classe Epstein” a que ele se refere é a oligarquia globalista que controla os grandes veículos de comunicação e financia as guerras. Uma classe que lucra com o caos e para quem a vida de crianças árabes, persas, latinas ou africanas não tem valor.

O Conluio dos Regimes do Golfo: Financiadores da Guerra

Um dos pontos mais importantes levantados por Marandi é o papel dos regimes árabes do Golfo — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar — como financiadores ativos da guerra contra o Irã.

Enquanto a mídia ocidental os pinta como mediadores ou vítimas das tensões regionais, a verdade é que eles fornecem espaço aéreo, bases militares e dinheiro para os ataques americanos e israelenses.

“Os Emirados e a Arábia Saudita não apenas fornecem espaço aéreo, isso todos eles fazem, e permitem que se dispare a partir de seu território e se usem as suas bases aéreas, como fazem a Arábia Saudita e a Jordânia, mas eles também financiam a guerra. Esses três países, os Emirados, o Catar e a Arábia Saudita, financiam a guerra. Eles pagam aos Estados Unidos, oferecem assistência financeira para a guerra. É isso que eles vêm fazendo desde o início. Então, eles têm muito sangue nas mãos.”

Essa cumplicidade não é nova. Marandi lembra que, na guerra Irã-Iraque, foram os mesmos regimes que forneceram centenas de bilhões de dólares a Saddam Hussein para invadir o Irã. As armas químicas que mataram tantos iranianos — e que ele próprio sobreviveu — foram fornecidas pela Alemanha, mas pagas com dinheiro árabe.

O Próximo Passo do Irã: Energia e Água de Israel em Jogo

Diante da continuidade dos ataques, Marandi é claro sobre o que vem pela frente. O Irã não aceitará um cessar-fogo temporário. A experiência da “Guerra dos 12 Dias” em junho de 2025 mostrou que Netanyahu e Trump usam pausas para se reagrupar e atacar novamente.

“O Irã não vai aceitar nenhum cessar-fogo, porque um cessar-fogo basicamente significaria que Trump e Netanyahu voltariam à prancheta, se rearmariam e voltariam a matar crianças. Isso não vai acontecer.”

As exigências iranianas são conhecidas: retirada das tropas americanas do Golfo, garantias de longo prazo contra novos ataques, reparações pelos danos causados. Mas Marandi acrescenta uma dimensão crucial: o Irã exigirá que os regimes árabes que serviram de plataforma para a agressão paguem por isso — e que nunca mais possam fazê-lo.

“No futuro, o Irã terá que garantir que isso nunca mais aconteça. Os fatos no terreno terão que permanecer de forma que a segurança do Irã esteja garantida por décadas. Além disso, o Irã exigirá reparações e as obterá desses regimes.”

E se a guerra escalar, o alvo será outro. Marandi sugere que o próximo passo do Irã pode ser atingir a infraestrutura de energia e água de Israel e dos regimes do Golfo. Uma vez que as usinas de dessalinização do Golfo forem destruídas, países como o Kuwait, o Catar e o Emirados se tornam inabitáveis em semanas.

“Se Trump escalar, isso significa que a infraestrutura de petróleo e gás do outro lado do Golfo Pérsico será destruída. Os petroleiros serão destruídos. Então, digamos que mais adiante, haja uma suspensão das hostilidades e o Irã alcance as suas exigências. Não haverá mais petróleo, gás, petroquímicos ou fertilizantes. E não haverá navios para transportar esses produtos inexistentes. Então isso apenas levaria a uma depressão econômica muito pior do que a de 1929.”

A Unidade Iraniana e o Colapso do Império

Apesar de décadas de sanções, assassinatos e agora bombardeios, o Irã não se fragmentou. Pelo contrário. Marandi descreve cenas que a mídia ocidental não mostra: milhões nas ruas no Dia Internacional de Al-Quds, em solidariedade à Palestina, enquanto os mísseis americanos caiam ao redor.

“Eles os bombardearam, mataram uma mulher, dispararam mísseis contra as pessoas, e ninguém se moveu. As pessoas mantiveram as suas posições. Nunca vi nada parecido. Nunca ouvi falar de algo assim na minha vida. Ninguém tropeçou, não houve pânico, ninguém fugiu e tudo foi documentado. E a mídia ocidental não mostra isso. Por quê? Porque são ferramentas do império.”

O império, na visão de Marandi, está desmoronando. As guerras intermináveis, o neoliberalismo que destruiu a classe média americana, a corrupção da “classe Epstein”, o enfraquecimento da Europa — tudo contribui para um colapso que, para quem viveu o apogeu do poder americano nos anos 1990, é vertiginoso.

“Estavam no topo do mundo e, em três décadas, simplesmente arruinaram tudo.”

A Voz Que se Quer Calar

A campanha para assassinar Seyed Mohammad Marandi é um atestado de que o império teme a verdade. Não a verdade dos mísseis e das bombas, mas a verdade que expõe a sua hipocrisia, o seu racismo estrutural, a sua cumplicidade com o genocídio.

Marandi não é um “inimigo do Ocidente”. Ele é um acadêmico que sobreviveu a armas químicas financiadas pelos mesmos regimes que hoje o ameaçam. É um pai que viu crianças serem assassinadas em sua escola. É um cidadão de um país que há 45 anos é alvo de sanções, assassinatos e guerras, mas que ainda assim resiste.

“Quando esses adolescentes no Irã não se intimidam com os mísseis dos Estados Unidos, eu não tenho direito de me intimidar.”

A voz de Marandi não será calada. E o PolitikBr, ao publicar as suas palavras, se junta àqueles que recusam o silêncio cúmplice. Porque, como ele mesmo diz, “os dias são sombrios, mas com a ajuda de Deus, espero que o império seja forçado a recuar.”

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