A DANÇA DO ESTREITO: Irã Fecha Ormuz Novamente, e o Petróleo se Prepara para Nova Alta

Internacional, Geopolítica, Economia

PolitikBr é uma mídia independente. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

As pessoas. Talvez você, queira, como eu, entender o mundo em que vive. E é isso que o PolitikBr oferece. Conectar fatos, em uma “linha do tempo”. Venha conosco! Subscreva o nosso conteúdo.

Dedicado à Verdade e à Paz.

Por PolitikBr I Brasília, Em 19/04/2026, 20h:08, leitura: 9 min

Editor: Rocha, J.C.

O Estreito de Ormuz, a via navegável mais importante do planeta, se tornou o palco de uma novela geopolítica que se desenrola em tempo real. Na quinta-feira (16/04), o Irã anunciou a reabertura completa do estreito para todos os navios comerciais durante o período restante do cessar-fogo — que expira na próxima semana.

O mercado de energia reagiu imediatamente: o barril de petróleo caiu 10%, passando de mais de US$ 100 para menos de US$ 90. Trump, em sua rede social, agradeceu ao Irã: “Obrigado!”, escreveu. Mas, na mesma postagem, entretanto, ele deixou claro que o “bloqueio covarde” — como define Pepe Escobar — seria mantido até que “o acordo entre as partes seja 100% concluído”. O Irã, naturalmente, reagiu. Neste sábado (18), a agência estatal iraniana Tasnim anunciou: o Estreito de Ormuz está novamente fechado. Um porta-voz militar iraniano afirmou que a passagem continuará bloqueada enquanto o bloqueio americano aos portos iranianos permanecer em vigor. A dança do estreito continua. E a única certeza é que Trump não quer paz — quer uma capitulação. E isso para o Irã é inaceitável sob todos os aspectos.

Há 51 dias, o consórcio EUA/Israel, definido pelo Aiatolá Ali Khamenei como o “Grande Satã” e o “Pequeno Satã”, lançou uma guerra de agressão contra o Irã sob falsos pretextos. Os objetivos declarados — mudança de regime, fim do programa de enriquecimento de combustível nuclear, fim do programa de mísseis, abandono do apoio a grupos de resistência que lutam contra os sionistas – Hezbollah, Houthis e outros e, por fim, nesse momento, a abertura do Estreito de Ormuz — não foram alcançados. As bases americanas no Golfo Pérsico foram destruídas. Os caças F-35 e F-15, drones Reaper e outros foram abatidos. As defesas aéreas iranianas continuam ativas e, até, a força aérea iraniana está preservada, como visto em recente vídeo de aviões de caça iranianos sobrevoando teerã.

Encurralado, Trump recorreu a uma nova estratégia: o bloqueio naval, já que não conseguiu vencer o Irã no campo de batalha. E como Pepe Escobar descreveu, o bloqueio americano é um “bloqueio de covardes” — posicionado no Golfo de Omã, longe do alcance dos mísseis iranianos de curto alcance, mas vulnerável aos mísseis hipersônicos.

E, na quinta-feira, o Irã tentou quebrar o impasse com um gesto de boa vontade.

A Liberação Temporária: O Petróleo Cai 10%

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, anunciou em sua conta no X que o Irã havia aberto a passagem pelo Estreito de Ormuz para todos os navios comerciais durante o período restante do cessar-fogo.

O mercado de energia reagiu imediatamente. O barril de Brent, que chegou a ser negociado a mais de US$ 100, caiu 10,42%, para US$ 89,03. O West Texas Intermediate caiu 11,11%, para US$ 84,17.

Trump, em sua rede social Truth Social, agradeceu ao Irã:

O Irã acaba de anunciar que o estreito está totalmente aberto e pronto para a passagem completa dos navios. Obrigado!” 

Mas, na mesma postagem, o presidente americano deixou claro que o bloqueio naval continuaria:

“O bloqueio naval americano permanecerá em pleno vigor, pois afeta apenas o Irã, até que o acordo entre as partes seja 100% concluído.”

Está mais do que claro que Trump quer manter o preço do petróleo à níveis recordes, não importando o que isso signifique para a economia global e, em especial, para os “aliados europeus”. Isso é bom para o negócio de energia dos Estados Unidos e, em um cenário de permanente colapso do Golfo Pérsico – PEPE ESCOBAR: As Últimas da Guerra do Consórcio EUA/ISRAEL Contra o IRÃ – os únicos que lucrariam imediatamente, como já vem lucrando, são os grandes produtores de petróleo e gás fora do Golfo Pérsico, isto é, os EUA e a Rússia, em especial.

E, em um cenário de dívida trilionária americana, os países que quisessem comprar energia dos EUA teriam que negociar com desconto seus Treasuries, títulos de dívida emitidos pelo governo dos Estados Unidos, para obterem dólares para a compra. Isso aliviaria o imenso serviço da dívida, que hoje consome mais de US$ 1 trilhão por ano.

No entanto, Trump não esperava que o Irã fizesse esse movimento estratégico de reabertura de Ormuz e, não tendo saída, ele, sendo um autêntico Trump: contraditório, primeiramente agradeceu ao Irã por abrir o estreito e, passo seguinte, afirmou que manteria o “bloqueio covarde”.

É como se ele dissesse: “Obrigado por fazer o que eu pedi, mas eu vou continuar com a minha ameaça de qualquer jeito”, já prevendo que o Irã iria novamente fechar o Estreito. O problema é que está, agora, cristalino para os compradores de petróleo, e para o mundo, que o problema não é e nunca foi o Irã. O problema são os Estados Unidos, marionete de Israel. Um Estado fora da lei. Pirata. Que vergonha!

A Resposta Iraniana: O Fechamento Imediato

O Irã, como esperado, não aceitou a manutenção do bloqueio americano. No sábado (18/04), a agência estatal iraniana Tasnim anunciou que o Estreito de Ormuz estava novamente fechado. O interessante é que Trump declarou que “não irá se submeter às chantagens do Irã”, mas quem, de fato, é o chantagista aqui? Obviamente os americanos.

Um porta-voz do Quartel-General Central iraniano (Khatam al-Anbia) foi direto:

Como resultado, o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restabelecido ao seu estado anterior, e essa via marítima estratégica está sob gestão e controle rigorosos das Forças Armadas. A passagem continuará bloqueada enquanto o bloqueio americano aos portos iranianos permanecer em vigor.”

De acordo com a agência de notícias Reuters, embarcações mercantes foram avisadas pela marinha iraniana, via rádio, que o Estreito de Ormuz está fechado novamente e que nenhum navio está autorizado a passar. Um petroleiro – provavelmente desobedecendo ao novo status – teria sido alvejado à tiros por embarcações militares do Irã.

A lógica iraniana é simples: o gesto de boa vontade foi uma tentativa de forçar os EUA a abandonar o “bloqueio covarde”. Trump recusou. O estreito está fechado novamente. E o petróleo, que já havia caído 10%, voltará a subir nessa segunda (20/04).

A Mente Confusa de Trump: “Está Aberto, mas Bloqueado”

Em nova postagem no Truth Social, Trump tentou contornar a situação. Ele escreveu:

“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada.” 

A declaração é um exercício de completa confusão mental e de absoluta falta de lógica. Como algo pode estar “completamente aberto” e, ao mesmo tempo, “bloqueado”? A resposta, no mundo de Trump, é: porque ele diz que sim.

O mercado, no entanto, não se deixa enganar por palavras. O petróleo subirá novamente. E os investidores, confusos, já não sabem o que esperar.

A Europa Age sem os EUA

Enquanto Trump dança conforme a música de sua própria contradição, a Europa age. No início da sexta-feira (17/04), os líderes da França, Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram colegas de dezenas de outros países — sem a presença dos Estados Unidos — para debater planos para a reabertura do estreito.

A mensagem é clara: a Europa já não espera nada de Trump. Está agindo por conta própria.

O Problema Energético Global: Não se Resolve com Abertura Temporária

Mesmo que o estreito permaneça aberto, o problema energético global está longe de ser resolvido. A mídia especializada já alerta que o desbloqueio do Estreito de Ormuz não resolve a crise .

As razões são múltiplas:

  1. Os países do Golfo estão vulneráveis — os seus oleodutos, gasodutos e usinas de dessalinização foram atingidos e podem ser novamente atacados.
  2. Os houthis estão prontos para fechar Bab al-Mandeb — se isso acontecer, o petróleo que sai do Mar Vermelho também será bloqueado.
  3. O pedágio iraniano veio para ficar — mesmo que o estreito reabra, o preço do petróleo será permanentemente maior. Nós estamos falando de um pedágio, ao “Dono do Portão”, de US$ 1,00/barril de petróleo transportado.

Hoje (19/04) a CNN divulgou que os EUA apreenderam um cargueiro de bandeira iraniana que, segundo a mídia, teria tentado “furar” o “bloqueio covarde americano”. Coisa de bucaneiro. Como na Venezuela.

O mercado de energia, que comemorou a queda de 10% do petróleo, comemorou cedo demais.

O Que Esperar na Segunda-feira?

O cessar-fogo expira na próxima semana. As negociações de Islamabad fracassaram. Trump mantém o “bloqueio covarde”. O Irã fechou o estreito novamente.

Os mercados financeiros, que já estão voláteis, enfrentarão uma segunda-feira turbulenta. O petróleo, que caiu para US$ 89, voltará a subir — e deve ultrapassar a marca de US$ 100 novamente.

Os investidores estão confusos. As declarações contraditórias de Trump — “obrigado” mas “bloqueio mantido”; “está aberto” mas “bloqueado” — criam incerteza. E incerteza é o que os mercados mais odeiam.

O Império da Pirataria

Pepe Escobar chamou o bloqueio americano de “império da pirataria”. A expressão é precisa. Os Estados Unidos, que não conseguiram vencer o Irã no campo de batalha, agora apelam para a pirataria — interdição ilegal de navios em águas internacionais, em violação do direito marítimo.

Trump pode chamar isso de “bloqueio”. A comunidade internacional, se tiver coragem, chamará pelo que é: um ato de guerra.

A dança do estreito é um microcosmo da guerra como um todo: Trump ameaça, recua, ameaça novamente. O Irã resiste, negocia, responde. O mercado oscila. O mundo observa.

A liberação temporária do estreito foi um gesto de boa vontade iraniana. Trump respondeu com manutenção do bloqueio. O Irã fechou o estreito novamente. O petróleo caiu, mas agora subirá.

A única certeza é que Trump não quer paz. Ele quer uma capitulação. E o Irã, que já venceu a guerra militarmente, não está disposto a aceitar nenhum termo, a não ser os seus próprios. Nesse momento o Irã é uma inspiração para todo o sul global em seu enfrentamento aos Estados Unidos. Decadente e mais pirata do que nunca.

O império da pirataria ainda pode causar muito dano. Mas o seu tempo, como Pepe Escobar deixou claro, está se esgotando.

Esse artigo foi atualizado com base em:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *