NUREMBERG: Mearsheimer Diz que Trump, Biden e Netanyahu Seriam Enforcados por Genocídio

“Se houvesse um novo Tribunal de Nuremberg, eles seriam condenados e enforcados” (John Measheimer)

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 13/04/2026, 20h:40, leitura: 11 min

Editor: Rocha, J.C.

O professor John Mearsheimer, um dos mais influentes pensadores e estudiosos sobre política do mundo, não usou meias palavras. Em uma palestra no Arab Center Washington DC, o acadêmico da Universidade de Chicago afirmou que, se houvesse um novo tribunal de Nuremberg, os líderes americanos e israelenses seriam condenados e enforcados pelos crimes de genocídio cometidos em Gaza e na guerra contra o Irã.

Mearsheimer se refere a Joe Biden e seus principais assessores, Donald Trump e seus principais assessores além, obviamente de Benjamin Netanyahu e seus principais assessores. A declaração é um marco. Não apenas porque vem de uma das maiores autoridades em relações internacionais, mas porque expõe a verdade que a grande mídia tenta esconder: os Estados Unidos são cúmplices de genocídio. E a história, mais cedo ou mais tarde, cobrará o preço.

Há momentos em que a academia deixa de lado a neutralidade analítica e se torna um tribunal moral. Para John Mearsheimer, esse momento chegou.

Em uma palestra de 45 minutos no Arab Center Washington DC, o professor da Universidade de Chicago — coautor, com Stephen Walt, do influente livro “O Lobby de Israel” — fez uma análise da guerra contra o Irã, do genocídio em Gaza e da cumplicidade americana.

Mearsheimer foi direto: Os líderes nazistas foram julgados e executados pelos crimes que cometeram durante a Segunda Guerra Mundial. Da mesma forma, Mearsheimer está dizendo que os líderes americanos e israelenses de hoje cometeram crimes equivalentes — e que, em um mundo com justiça, enfrentariam o mesmo destino.

O Contexto: O Genocídio em Gaza e a Guerra contra o Irã

Mearsheimer começa a sua análise lembrando o óbvio que a grande mídia ocidental insiste em ignorar: o que aconteceu em Gaza foi um genocídio. E não foi cometido apenas por Israel. Os Estados Unidos foram cúmplices.

“O que me choca ainda mais é que os Estados Unidos são cúmplices do genocídio. Não há dúvida sobre isso. Se tivéssemos julgamentos como os de Nuremberg, Joe Biden e seus principais tenentes, Donald Trump e seus principais tenentes, seriam enforcados. Estamos falando de um genocídio. Sabemos o que aconteceu com todas aquelas pessoas que executaram o genocídio entre 1941 e 1945 na Europa. Elas foram enforcadas.”

O professor não se limitou a Gaza. Em relação ao Irã, ele acha que houve um “erro colossal” que já está produzindo consequências catastróficas para os Estados Unidos e para o mundo.

“Do nosso ponto de vista e do ponto de vista mundial, por causa das consequências econômicas de tudo isso, e também do ponto de vista de Israel, isso foi um erro colossal. Você simplesmente não pode subestimar o quão colossal foi o erro de os Estados Unidos e de Israel entrarem em guerra em 28 de fevereiro. Isso saiu pela culatra de uma forma profunda.”

Leia ainda:

Os Objetivos da Guerra: Os Três Pilares do Expansionismo Israelense

Mearsheimer delineia os três objetivos centrais da estratégia israelense na região — objetivos que explicam tanto o genocídio em Gaza quanto a guerra contra o Irã:

  1. Expandir as fronteiras para criar o “Grande Israel”. Isso inclui não apenas a Cisjordânia e Gaza, mas também o sul do Líbano até o rio Litani, partes do sul da Síria, e possivelmente a Cisjordânia e o Sinai.
  2. Limpeza étnica dos territórios tomados. “Os israelenses estão profundamente comprometidos com a limpeza étnica”, disse Mearsheimer, observando que a população de israelenses judeus e palestinos dentro do Grande Israel é hoje aproximadamente 50%-50% — uma situação que os israelenses consideram “inaceitável”.
  3. Enfraquecer os vizinhos ao máximo — seja tornando-os subservientes aos Estados Unidos (como o Egito e a Jordânia), seja “arruinando” os países maiores, como a Síria, o Irã e a Turquia.

“O caso de Gaza são os dois primeiros objetivos em jogo. O caso do Irã é o terceiro objetivo em jogo. O objetivo lá é desmembrar o Irã ou provocar uma mudança de regime.”

Como os EUA Foram Arrastados para a Guerra

Mearsheimer é categórico sobre o papel de Netanyahu no início da guerra. O primeiro-ministro israelense, diz ele, “bamboleou” o presidente Trump para iniciar o conflito.

“Está muito claro que, basicamente, os israelenses enganaram o presidente Trump para iniciar esta guerra. Eu pude perceber desde o início que o estado profundo não era a favor desta guerra. Eu conheço uma ou duas pessoas de dentro, e você podia perceber pelo que as pessoas estavam dizendo, sobre as visões do general Kaine na grande mídia, que o estado profundo não estava entusiasmado com esta guerra.”

O Mossad, segundo Mearsheimer, desempenhou um papel central nesse processo. O chefe do Mossad, David Barnea, convenceu Netanyahu e Trump de que uma campanha de “choque e pavor” baseada na decapitação do regime iraniano produziria uma vitória rápida e decisiva.

“O que aconteceu é que o Mossad convenceu tanto o primeiro-ministro Netanyahu quanto o presidente Trump de que poderíamos vencer uma vitória rápida e decisiva. Todos vocês conhecem a história. O que fazemos é entrar, lançamos uma campanha de choque e pavor. E prestamos atenção especial em decapitar o regime. E uma vez que fazemos isso, todo o castelo de cartas desmoronará.”

Acontece que o castelo de cartas não desmoronou. Pelo contrário. A guerra se transformou em uma guerra de desgaste — e, como Mearsheimer observa, os Estados Unidos não podem vencer uma guerra de desgaste contra o Irã.

Se havia uma divisão na sociedade iraniana, o assassinato do Aiatolá Ali Khamenei fez o povo se unir em torno da nova liderança e pedir vingança. Não há como desprezar a determinação de um povo unido em torno de uma causa: uma guerra santa dos xiitas contra o “Grande Satã” e o “Pequeno Satã”.

A Derrota Americana: Por que os EUA Não Podem Vencer

Mearsheimer lista seis razões pelas quais os Estados Unidos estão em uma posição perigosa:

  1. A Marinha não pode se aproximar do Irã ou do Estreito de Ormuz por medo de ser afundada por mísseis de cruzeiro ou drones iranianos.
  2. As 13 bases americanas na região estão todas “severamente danificadas ou destruídas”, segundo reportagem do New York Times.
  3. As forças terrestres são insuficientes. Trump moveu apenas 7.000 soldados de combate para a região — “você não pode fazer quase nada com 7.000 soldados de combate”.
  4. As perdas de aeronaves são as piores desde a Guerra do Vietnã. “Nesta operação de resgate, perdemos mais aviões em um único dia do que em qualquer outro dia desde a Guerra do Vietnã.”
  5. Os mísseis e munições de ponta estão se esgotando. Isso tem implicações catastróficas para a contenção da China, já que os EUA estão retirando sistemas THAAD e Patriot do Leste Asiático para usar no Oriente Médio.
  6. Não há capacidade de defender os aliados do GCC — os países do Golfo estão sendo bombardeados pelo Irã, e os EUA não podem fazer nada para impedir.

Do lado iraniano, a situação é oposta:

“Eles detêm quase todas as cartas. Eles estão em uma posição realmente poderosa. Ao interromper o tráfego através do Estreito de Ormuz, eles estão em posição de quebrar a economia global. A alavancagem que eles têm é enorme.”

Mearsheimer observa que um terço dos fertilizantes do mundo passam pelo Estreito de Ormuz — e que a crise alimentar resultante da guerra fará com que “muitas, muitas pessoas morram de fome”.

O Dilema de Trump: Sem Saída, Exceto Admitir a Derrota

O professor descreve o dilema enfrentado por Trump:

“O problema básico que o presidente Trump enfrenta é que ele não pode subir na escada da escalada porque os iranianos podem vencê-lo em cada degrau. E, além disso, não há opção de saída aqui, exceto admitir a derrota. Essa é a única maneira de Trump sair disso, é basicamente admitir a derrota. Os iranianos certamente não vão lhe dar uma opção de saída atraente.”

A prova disso, diz Mearsheimer, foi o que aconteceu na segunda-feira (6 de abril). Pela manhã, Trump ameaçou “destruir o Irã como civilização”. À noite, ele recuou — e aceitou o plano de dez pontos do Irã, como base para negociações.

“O que o presidente Trump diz em sua postagem no Truth Social, onde ele basicamente diz ‘eu me rendo’, é que ele aceita o plano de dez pontos. Ele diz que é uma base sólida para avançar. Isso é realmente chocante.”

Mearsheimer observa que os quatro objetivos principais da guerra — fim do enriquecimento nuclear iraniano, eliminação de mísseis de longo alcance, fim do apoio ao Hezbollah, ao Hamas e aos Houthis, e a mudança de regime — não foram alcançados. Nenhum deles.

Sobre os 10 pontos do Irã e as exigências dos EUA de 15 pontos, não se chegou a qualquer acordo na rodada de negociações em Islamabad, ocorrida na sexta-feira(10/04) e sábado. Já se sabia que não haveria acordo. Em decorrência, e sem alternativas, Trump anunciou um “cerco aos navios que saem do Golfo”. Mais uma estupidez do Presidente americano – PÂNICO EM ISLAMABAD: Como a Guerra do Irã Quebrou o Império Americano.

A Possibilidade Nuclear: O Cenário Mais Aterrador

O professor conclui a sua análise com um alerta sombrio: a possibilidade real de que Israel use armas nucleares contra o Irã.

“Os israelenses se preocupam muito com o Irã. Eles pensam que é uma ameaça existencial. E seu maior medo é que o Irã adquira armas nucleares. E eu acho que se os israelenses suspeitarem que o Irã está buscando armas nucleares, eles usarão armas nucleares para impedir que o Irã adquira um dissuasor nuclear. Porque agora está claro que Israel não pode impedir o Irã de adquirir armas nucleares usando suas próprias forças convencionais. A única opção que eles têm são armas nucleares.”

E os Estados Unidos impediriam isso? Mearsheimer não acredita.

“Os Estados Unidos são cúmplices do genocídio em Gaza. A primeira reação do presidente Trump na segunda-feira, quando estava em situação desesperadora, foi ameaçar o próprio genocídio contra o Irã. E, além disso, dado o poder do lobby nos Estados Unidos, é extremamente improvável que impeçamos Israel de usar armas nucleares contra o Irã.”

Em recente artigo do PolitikBr nós publicamos o que pensam dois especialistas americanos em armamentos – A Iminência de Um Ataque Nuclear Israelense ao Irã e a Provável Resposta Nuclear Iraniana – respectivamente o Professor Theodore Postol, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das maiores autoridades mundiais em tecnologias de mísseis e defesa antimísseis, e o Professor Steve Starr, ex-diretor de programa da Universidade do Missouri.

Eles nos revelaram que o Irã possui cerca de 450 quilos de urânio enriquecido a 60%. E que em poucos dias, esse material pode – ou já foi – ser enriquecido para 90% (grau militar), suficiente para fabricar pelo menos 10 ogivas nucleares de 15 quilotons cada — o poder de destruição da bomba de Hiroshima. Essas ogivas podem ser montadas em mísseis hipersônicos, contra os quais, como o próprio Postol demonstra, não há defesa possível.

A Aliança EUA-Israel: Um Albatroz no Pescoço Americano

Mearsheimer encerra com uma imagem poderosa:

“Tudo isso mostra que Israel é um albatroz no pescoço da América.”

E conclui: os anos à frente no Oriente Médio serão “extremamente perigosos”.

A História Não Esquecerá

John Mearsheimer fez o que poucos acadêmicos de sua estatura têm coragem de fazer: chamou o genocídio pelo nome, apontou os responsáveis, e lembrou ao mundo que a justiça, mesmo que tardia, é inevitável.

A comparação com Nuremberg não é um exagero retórico. É uma advertência. Os líderes nazistas acreditavam que estavam acima da lei. Foram julgados e enforcados. Os líderes americanos e israelenses de hoje podem acreditar que a história os absolverá. Mearsheimer diz que não.

O genocídio em Gaza, a guerra de agressão contra o Irã, as ameaças de “aniquilar uma civilização” — tudo isso será lembrado. E, como em Nuremberg, chegará o dia em que os responsáveis terão que prestar contas.

A história não esquecerá. E, como disse Mearsheimer, “não há dúvida na minha mente sobre isso”.

Esse artigo foi baseado em:

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