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Por PolitikBr I Brasília, Em 09/04/2026, 20h:37, leitura: 10 min
Editor: Rocha, J.C.
“Iran has been a threat to the United States and the free world for 47 years… President Trump made history… decisive military victory… Iran begged for this ceasefire and we all know it.”
*”O Irã tem sido uma ameaça aos Estados Unidos e ao mundo livre por 47 anos… O presidente Trump fez história… vitória militar decisiva… O Irã implorou por este cessar-fogo e todos nós sabemos disso.”*

Foi assim que o Secretário de Guerra Pete Hegseth, na manhã de quarta-feira (8/4), tentou vender ao povo americano a ideia de que a guerra contra o Irã havia terminado em uma “vitória histórica”. O problema, como o Tenente Coronel Daniel Davis expõe em sua análise, é que nada do que Hegseth disse é verdade.
Davis, oficial de inteligência aposentado do Exército dos EUA, veterano de combate no Afeganistão e no Iraque, e hoje uma das vozes mais lúcidas sobre a realidade militar, não poupou críticas. Ele chamou a coletiva de Hegseth de “insulto à inteligência do povo americano” e disse que o Secretário de Guerra tratou os cidadãos como “crianças que não sabem de nada”.
A análise de Davis é um relato histórico e da realidade sobre a guerra, fora da “bolha de manipulação” – uma falsa realidade paralela – que as mídias tradicionais e o governo Trump tentam vender ao “público ocidental”; em especial aos próprios americanos — e merece ser lida com atenção.
“A Coletiva de Hegseth seria mais apropriada para um jardim de infância”
Davis começa a sua análise descrevendo a reação ao discurso de Hegseth:
“Quando assisti, fiquei rangendo os dentes. Desde as primeiras palavras que saíram da boca do Secretário de Guerra, ele está tratando o povo americano com total desprezo. Ele acha que somos todos estúpidos. Esta coletiva que ele deu esta manhã teria sido mais apropriada não para uma escola primária, mas talvez para um jardim de infância. O desgosto que senti ao ouvi-lo falar com tanto desprezo, achando que somos todos tão idiotas que acreditamos nas coisas que ele está dizendo.”
A crítica de Davis não é apenas retórica. Ele aponta, ponto por ponto, as mentiras de Hegseth.
Mentira nº 1: “O Irã é uma ameaça aos EUA há 47 anos”

Hegseth disse que o Irã tem sido uma ameaça aos Estados Unidos e ao “mundo livre” por 47 anos — ou seja, desde a Revolução de 1979.
Davis rebate com fatos históricos o que a propaganda americana nunca menciona:
“Isso começou não em 1979, mas em 1953. Em 1953, os Estados Unidos, através da CIA, derrubaram o governo legalmente eleito no Irã. Não gostávamos deles porque eles estavam tendo a sua própria política externa. Eles disseram: ‘Vamos administrar nosso petróleo. Não a BP – British Petroleum -, não os britânicos, não o Ocidente, não os Estados Unidos. Vamos decidir o que fazer com nosso petróleo.’ Não gostamos disso. Então o derrubamos e instalamos o Xá do Irã.”
Leia ainda:
- O BUFÃO RECUOU: Trump Anuncia Cessar-Fogo de Duas Semanas e o Irã Declara Vitória
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O Xá, prossegue Davis, era “ótimo para o Ocidente” — mas oprimia e explorava o povo iraniano. A Revolução de 1979 foi uma resposta direta a essa opressão.
“E então, naturalmente, odiamos eles desde então. E, claro, quando eles tomaram nossa embaixada e nos mantiveram como reféns por 444 dias, naturalmente isso fez com que muitas pessoas os odiassem. Mas nós não nos importamos com o que aconteceu antes, com o que levou a isso.”
Mentira nº 2: “O Irã estava prestes a ter uma bomba nuclear”
Hegseth repetiu a alegação de que o Irã era uma “ameaça nuclear iminente” — a mesma mentira usada para justificar a guerra.
Davis é categórico:
“Descobrimos em 2003 que eles vinham fazendo algumas pesquisas sobre uma arma nuclear, mas então, por razões próprias, escolheram parar. Eles a desativaram. Então, de 2003 em diante, de acordo com todos os serviços de inteligência ocidentais, eles nunca mais tiveram um programa de bomba nuclear. O aiatolá tinha uma fatwa religiosa contra isso. E todos os anos, nossa inteligência validava. Eles não tinham um programa de armas nucleares.”
Davis lembra ainda que a própria diretora de inteligência nacional de Trump, Tulsi Gabbard, havia testemunhado no Senado, menos de duas semanas antes, que não havia evidências de que o Irã tivesse reativado o seu programa nuclear, especialmente após a Operação “Midnight Hammer” no ano anterior.
“A própria causa, o próprio ponto de atrito, ele acabou de mentir. Não há melhor maneira de dizer. Você não pode dizer que ele exagerou. É uma mentira conhecida, uma mentira intencional para enganar você, o público americano.”
Mentira nº 3: “Alcançamos uma vitória militar decisiva”
A mais grotesca das alegações de Hegseth é a de que os EUA alcançaram uma “vitória militar decisiva” e que o Irã “implorou pelo cessar-fogo”.
Davis responde:
“Nada foi alcançado aqui. Você apenas parou de atirar por um momento. Não há paz. Definitivamente não há nenhuma vitória militar histórica. Isso é tudo genuinamente gerado na mente dele. É pura ficção verbal. É mais fino que papel. Está tão distante da realidade que é de tirar o fôlego.”
A verdade, segundo Davis, é o oposto:
“Houve uma humilhação para os Estados Unidos. E um exemplo claro que todos no mundo podem ver: nosso poder é muito mais limitado do que essa reivindicação absurda que continuamos fazendo de sermos a potência militar mais poderosa do planeta. Isso foi despedaçado.”
O Contexto que Hegseth Esconde
Davis faz questão de lembrar o que Hegseth nunca mencionará:
- Os EUA apoiaram uma guerra de oito anos do Iraque contra o Irã, que resultou em entre 300 mil e 500 mil mortes iranianas.
- Os EUA e Israel vêm assassinando cientistas e líderes iranianos há anos.
- Israel destruiu uma embaixada iraniana — um ato de guerra em qualquer circunstância.
- E, ao longo de todo esse período, o Irã agiu com contenção, calibrando as suas respostas para evitar uma guerra em larga escala.
“O Irã teve contenção porque não queria entrar em uma guerra. Eles tiveram uma reação e resposta, mas claramente calibrada para dizer: ‘Não queremos entrar em uma guerra, apenas queremos defender os nossos direitos.'”
A Humilhação Americana
A conclusão de Davis é sombria:
“Agora, quem vocês acham que vai acreditar que podemos ir frente à frente com um concorrente real, uma superpotência como a Rússia, a China ou mesmo a Coreia do Norte? Quem vai acreditar nisso?”
A resposta, implícita, é: ninguém.

A guerra contra o Irã expôs ao mundo as limitações do poder americano. As defesas aéreas iranianas continuaram ativas. Os caças americanos foram abatidos. As bases americanas no Golfo foram destruídas. O Estreito de Ormuz foi controlado pelo Irã. E, no final, os EUA tiveram que aceitar os termos iranianos para um cessar-fogo.
Davis resume o sentimento de muitos americanos:
“Você está sendo manipulado. E eles estão olhando para você com desgosto, como se estivessem falando com uma criança do jardim de infância, porque eles acham que você não consegue ver através de nada. Esse desgosto por nós, pelo povo americano, é o que mais me irrita.”
O Presidente do Irã: “Ataques de Israel tornam as negociações inúteis”
Enquanto Hegseth tentava vender a “vitória”, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, emitia um alerta que expõe a fragilidade do cessar-fogo.
“As repetidas agressões da entidade sionista contra o Líbano são uma violação flagrante do acordo inicial de cessar-fogo e um sinal perigoso de engano e falta de compromisso com um possível acordo de paz. A continuação destes ataques tornará as negociações inúteis.”
Pezeshkian foi além, reafirmando o compromisso do Irã com os seus aliados:
“Nossos dedos continuam no gatilho. O Irã nunca abandonará os seus irmãos e irmãs libaneses.”
A mensagem é clara: o Irã não abandonará o Hezbollah. Se Israel continuar atacando o Líbano, o cessar-fogo estará rompido. E a guerra recomeçará.
Os EUA Devem Parar de Obedecer a Israel
A análise da mídia americana, citada pela Sputnik Brasil, é ainda mais direta sobre a raiz do problema:
“A parte mais importante para evitar um novo conflito antes de maio é garantir que o nosso relacionamento com Israel retorne à sua ordem legítima. Os EUA não devem ser usados como ferramenta para promover as ambições regionais israelenses. Nunca devemos ir à guerra em nome de qualquer governo estrangeiro.”
O artigo aponta que a mais recente escalada de Israel no Líbano desconsidera descaradamente Washington e revela um padrão deliberado de sabotar as negociações dos EUA com o Irã, impedindo uma ação independente em prol dos interesses norte-americanos. Nós discutimos isso hoje nesse artigo: A SABOTAGEM ANUNCIADA: LT Col Daniel Davis Fala da Sabotagem de Netanyahu ao Acordo de Trump
E conclui:
“Essa campanha de assassinatos e o apoio cego a um Estado cliente devem ser extirpados para que se garanta uma paz duradoura e se recupere a honra dos EUA.”

Para dar um fecho a como Israel ‘tem cada vez mais voz” na Administração Trump, o âncora Jesse Dollemore publicou hoje uma verdadeira “bomba” – Trump Gave Netanyahu Control IN WHITE HOUSE SITUATION ROOM. Dollemore revelou que quem, de fato, estabeleceu as estratégias e os objetivos da guerra contra o Irã foi Benjamin Netanyahu.
Dollemore revela que Trump, em fevereiro, convidou Netanyahu para participar de uma reunião na “Sala de Situação” – presente todo o staff e o vice presidente – onde Netanyahu traçou os objetivos a alcançar. Terminada a reunião, os únicos que teriam se oposto a alguns pontos do “Plano de Guerra de Israel” foram J. D. Vance e o Diretor da CIA.
A Mentira Exposta
O Tenente Coronel Daniel Davis fez o que o jornalismo mainstream deveria ter feito, mas não fez: expôs as mentiras de Hegseth, contextualizou a história da hostilidade americana contra o Irã, e lembrou ao público que a “ameaça nuclear iraniana” nunca existiu.
A guerra contra o Irã foi uma guerra de escolha, baseada em mentiras, e terminou em humilhação. Os EUA não alcançaram nenhum dos seus objetivos. O Irã controla o Estreito de Ormuz. O programa nuclear iraniano continua. As tropas americanas vão se retirar do Oriente Médio. E Israel, o verdadeiro beneficiário da guerra, está isolado e desesperado.
Trump e Hegseth podem tentar vender a narrativa de “vitória”. Mas, como disse Davis, o povo americano não é estúpido. E o mundo inteiro viu o que realmente aconteceu.
Esse artigo foi baseado em:
- YouTube (Daniel Davis / Deep Dive): Victory? Don’t Insult Our Intelligence, Mr. Sec of War (08/04/2026)
- Brasil 247: Presidente do Irã acusa violação de cessar-fogo após ataques contra ilhas do país persa (08/04/2026)
- CartaCapital: Presidente do Irã diz que continuidade de ataques de Israel no Líbano sabota negociações de paz (09/04/2026)
- Sputnik Brasil: EUA devem parar de obedecer a Israel se quiserem paz duradoura com Irã, diz mídia (09/04/2026)
- PolitikBr: A SABOTAGEM ANUNCIADA (09/04/2026)
- PolitikBr: O BUFÃO RECUOU (08/04/2026)
- Trump Gave Netanyahu Control IN WHITE HOUSE SITUATION ROOM.