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O circo bolsonarista montado dentro do Congresso Nacional para chantagear, via motim, os presidentes da Câmara e do Senado — com ameaças de só encerrar a ocupação após obter a anistia a Jair Bolsonaro, o fim do foro privilegiado e até o impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF)— terminou do jeito que toda aposta desesperada costuma terminar: em fiasco retumbante.

Por PolitikBr I Brasília, Em 09/08/2025, 07h:18
O plano era simples na cabeça dos extremistas: ocupar o plenário, criar tumulto, inflamar a militância digital e dobrar a espinha do Legislativo. Só esqueceram de um detalhe — o Centrão, que sempre jogou no fio da navalha, não arrisca o próprio pescoço por um Bolsonaro inelegível e cercado de processos.
Enquanto Nikolas Ferreira, Sóstenes Cavalcante e mais uma dúzia de deputados radicais batiam no peito com discursos inflamados, os líderes pragmáticos da Câmara e do Senado já trabalhavam no sentido oposto: pediam, nos bastidores, que Hugo Motta e Davi Alcolumbre punissem exemplarmente os envolvidos.
Do “vamos para cima” ao pedido de perdão
O resultado não poderia ser mais humilhante: o anúncio da suspensão de mandatos por seis meses de 14 parlamentares, todos eles os mais estridentes do bolsonarismo. Uma deputada também poderá ser suspensa. Uma medida que, na prática, retira dos radicais bolsonaristas o microfone e a vitrine que eles utilizam para agitação e tentativa de desestabilização do funcionamento do Parlamento, os únicos instrumentos que ainda tinham para manter viva a narrativa de que “o povo está com Bolsonaro”. O pedido de suspensão foi enviado por Hugo Motta, à Corregedoria da Câmara
. As medidas precisam ser votadas pelo Conselho de Ética da Casa.
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Os oposicionistas são, em maioria, do Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, e do Novo, e participaram da ocupação da Mesa Diretora da Câmara, obstruindo a retomada dos trabalhos legislativos. Já a deputada é do Partido dos Trabalhadores (PT), e é acusada de agredir o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Os deputados citados são:
- Marcos Pollon (PL-MS);
- Zé Trovão (PL-SC);
- Júlia Zanatta (PL-SC);
- Marcel van Hattem (Novo-RS);
- Paulo Bilynskyj (PL-SP);
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ);
- Nikolas Ferreira (PL-MG);
- Zucco (PL-RS);
- Allan Garcês (PL-TO);
- Caroline de Toni (PL-SC);
- Marco Feliciano (PL-SP);
- Bia Kicis (PL-DF);
- Domingos Sávio (PL-MG);
- Carlos Jordy (PL-RJ); e
- Camila Jara (PT-MS).
O Centrão, como sempre, não age por moralidade, mas por cálculo: percebeu que a manobra não tinha apoio popular significativo e que manter esses radicais ativos no plenário só desgastava o próprio Legislativo.
O efeito boomerang
A tentativa de transformar a Câmara num bunker ideológico virou munição para o próprio sistema que eles juravam enfrentar. Agora, os extremistas não apenas perdem espaço de fala, mas ainda voltam para casa com o selo de “suspenso por mau comportamento” — algo que a imprensa e os adversários farão questão de lhes esfregar na cara diariamente.
Ironicamente, a movimentação ajuda o governo Lula e a cúpula do Congresso a reforçar a narrativa de que na democracia – que os deputados bolsonaristas sistematicamente desrespeitam – há um limite para a baderna parlamentar. Até os mais cínicos reconhecem: se Hugo Motta promove essa punição é porque o bolsonarismo não tem mais “fichas na mesa” para o jogo político, pelo menos nesse momento. Falta agora saber o que ocorrerá no Senado de Davi Alcolumbre. O radical senador Malta, que se acorrentou à mesa da diretoria dizendo só sair de lá morto, será um dos punidos? Esperamos que sim. Esse é um dos mais agressivos e estridentes em suas posições e falas.
O preço da insensatez
Os parlamentares bolsonaristas – extremistas de direita – apostaram que o medo e o barulho funcionariam como moeda de troca. Descobriram, tarde demais, que ameaça sem força real é só teatro barato e pantomima. A punição pedida por Hugo Motta reforça a sua autoridade e é um recado: quem tentar transformar o Congresso em palanque golpista arrisca até perder o mandato.