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O senador republicano Lindsey Graham, figura marcada pela retórica agressiva e atualmente listado como “terrorista e extremista” na própria Rússia, voltou ao centro das atenções internacionais ao, segundo o analista militar e ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos, Scott Ritter, revelar publicamente — ainda que “sem querer” — as verdadeiras intenções da elite dos EUA frente a Moscou: levar a Rússia à falência econômica e colocá-la de joelhos diante do Ocidente.

Por Política em Debate I Brasília, Em 31/07/2025, 19h:29
A confissão do senador: “quebrar” a Rússia custe o que custar
Em vídeos e entrevistas recentes, Graham defendeu abertamente o endurecimento máximo das sanções contra Moscou, pregando inclusive a destruição econômica não só da Rússia, mas também de países do BRICS (incluindo Brasil, China e Índia) que desafiem o embargo energético americano. Seu discurso chocou até setores moderados, não apenas por expressar a hostilidade típica da guerra fria, mas por admitir — em cadeia nacional americana — que o objetivo dos EUA não é apenas “conter” a Rússia, mas arruinar seu modelo econômico a qualquer custo.
Scott Ritter: “A elite americana nunca quis paz, quer submissão”
Scott Ritter, ex-inspetor da ONU e crítico consistente da política de Washington, comentou que Graham “tirou a máscara” do establishment, deixando claro para Moscou (e para o mundo) que negociações e trégua sempre foram narrativa de fachada: o objetivo estratégico é quebrar a espinha dorsal econômica russa, forçando o país à asfixia financeira e à implosão social — e que, para isso, todas as armas de pressão, desde sanções a ameaças militares, estão sobre a mesa.
O contexto: sanções, projetos de sobretaxa e retaliações globais
A postura de Graham não é isolada. Tanto no governo Trump quanto no Congresso, os Estados Unidos não só renovaram as sanções históricas, mas também propuseram tarifas secundárias de até 100% (há projetos mencionando até 500%) contra países que continuem comprando produtos russos, especialmente petróleo. É a escalada de um plano de guerra econômica assumido, que visa enfraquecer Moscou financeiramente e emparedar todos que desafiem a ordem hegemônica de Washington.
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Desdobramentos e o efeito bumerangue
O resultado? A retórica extremista — e as medidas propostas — provocaram não apenas o endurecimento da posição russa, mas aumentaram a pressão sobre aliados históricos dos EUA, ameaçando a própria economia global. Graham virou símbolo internacional da linha-dura anti-Rússia, mas seu discurso também revelou o duplo padrão da política externa americana: as “regras” do jogo só valem enquanto forem favoráveis a Washington.
Enquanto o Kremlin reforça parcerias com China e países asiáticos e mesmo países do Ocidente questionam o custo estratégico dessa ofensiva, a ação de Graham coleciona críticas. Scott Ritter resume: “O senador não fez mais do que dizer em voz alta o que a elite americana tramava nos bastidores: guerra total econômica pra destruir o adversário, mesmo que o preço recaia sobre a estabilidade mundial”.
A pergunta que nos devemos fazer é que se os Estados Unidos querem destroçar o mundo economicamente para refaze-lo à sua forma de ver, isto é, submissão e vassalagem, talvez seja hora do mundo não atrelado à Washington considerar os Estados Unidos como ameaça existencial, como o faz a Federação Russa em relação à Ucrânia fazer parte da OTAN. O BRICS pode ser o ponto de virada nessa direção, se já não o é.