Até os governadores bolsonaristas condenam: tarifa de Trump vira golpe político e a família Bolsonaro é responsabilizada

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Por Política em Debate I Brasília, Em 29/07/2025, 06h:02

O tarifaço de Trump contra o Brasil chegou a tal ponto de grotesco que nem mesmo parte dos governadores de perfil conservador consegue mais sustentar o silêncio: Eduardo Leite (PSD-RS) e Zema (MG) são apenas os exemplos mais emblemáticos do divórcio entre a racionalidade e a sabotagem explícita dos interesses nacionais.

“Imperdoável”: a condenação de Eduardo Leite e a implosão da unidade bolsonarista

Durante debate promovido pelo jornal O Globo, Eduardo Leite classificou como “inadmissível” e “imperdoável” a pressão encabeçada por Eduardo Bolsonaro e aliados de Bolsonaro para que os Estados Unidos impusessem um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. Em suas palavras, se trata de um atentado não só à economia real — indústria, agronegócio, empregos — mas a um princípio básico de decência política: não se vende o próprio país para salvar o pai do risco de cadeia.

“Aquilo que estão fazendo em relação ao Brasil, em nome de um interesse pessoal, é imperdoável”, disparou Leite, relembrando o óbvio: sacrificar o país na barganha por anistia para Jair Bolsonaro é um vexame tão explícito que foi preciso que até governadores com histórico conservador viessem a público marcar posição — um divisor de águas que evidencia o isolamento tóxico do bolsonarismo.

Interesses nacionais como moeda de troca: o fundo do poço

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, engrossou o coro crítico: se durante décadas a política brasileira foi capaz de construir consensos em nome do interesse nacional, hoje o bolsonarismo transformou adversários em inimigos de guerra e passou a instrumentalizar, sem pudor, sanções externas para destruir opositores internos — mesmo que o preço recaia sobre milhões de brasileiros comuns.

A farsa é tão evidente que, segundo Paes, o Brasil, como nunca, assiste a forças políticas operando abertamente contra seus próprios interesses, acusando quem discorda de ser inimigo da Nação, mas entregando a Nação de bandeja para pressões estrangeiras. Uma tática canalha que destrói a credibilidade internacional do país e só reforça nossa imagem de colônia submissa e fraturada.

O papel constrangedor de Eduardo Bolsonaro: negociando a anistia do pai à custa da economia

A realidade é inequívoca: Eduardo Bolsonaro tornou-se figura central na costura do tarifaço — e, ao mesmo tempo, na articulação de uma anistia que garanta a imunidade de Jair Bolsonaro diante da justiça brasileira. Não foi por acaso que Zema, Leite e até setores do velho Centrão começaram a recuar publicamente do abraço ao bolsonarismo, percebendo o tamanho do desgaste político e econômico de ser visto como cúmplice de uma sabotagem explícita à soberania. Um vergonhoso e canalha crime de lesa-pátria jamais registrado na história de nosso país.

A infâmia

A infâmia desse episódio reside na lógica do “quanto pior, melhor”, na qual a própria economia nacional se torna moeda de troca em negociatas políticas caseiras. O tarifaço de Trump, articulado com o beneplácito da família Bolsonaro, é o retrato do projeto antinacional mais explícito da história republicana recente: um golpe contra trabalhadores, empresas, governos estaduais e a própria credibilidade do Brasil no cenário global.

A saída? Política séria, defesa intransigente dos interesses nacionais e, acima de tudo, nunca mais permitir que minorias ideológicas usem o país como refém de projetos familiares ou de vingança.

É imperdoável, sim — e esse diagnóstico já é quase consensual até entre os ex-aliados do bolsonarismo. O ocaso do bolsonarismo é evidente. Até que enfim essa chaga definha a olhos vistos.

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