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Por Política em Debate I Brasília, Em 20/07/2025, 19h:27
Eduardo Bolsonaro sucumbiu à própria estratégia e se tornou um dos maiores “problemas internos” para seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As suas ações nos Estados Unidos claramente prejudicaram ainda mais a imagem bolsonarista — ao ponto de ser considerado “tóxico” pela classe política —, Eduardo não apenas auto destruiu sua carreira, mas também agravou a crise já profunda do clã Bolsonaro no Brasil.
A Viagem Surpresa de Flávio Bolsonaro à Europa
A viagem que o senador realizou ocorreu um dia antes da operação da PF na casa de Jair Bolsonaro. Segundo a assessoria de Flávio isso se deu no início do recesso parlamentar. No entanto, a coincidência entre a data do embarque e a ação policial desencadeou uma onda de suspeitas e críticas, que veem uma tentativa velada de fuga diante das iminentes medidas legais contra o núcleo familiar Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, que é senador pelo Rio de Janeiro, manteve silêncio quanto ao itinerário e justificativas detalhadas, reforçando o clima de mistério e especulação. Nas redes sociais, entretanto, ele não poupou críticas aos adversários e prestou apoio público ao pai, Jair Bolsonaro. O que mais o senador poderia fazer? Afinal, se trata do pai dele, que pode ser, em breve, condenado a 43 anos de prisão, conforme pedido da PGR.
O Envenenamento no Mundo Político
Lideranças do Congresso Nacional avaliam que Eduardo Bolsonaro se tornou um “passivo de peso” para o bolsonarismo no Legislativo, e que sua imagem foi irremediavelmente desgastada. No Centrão, setor tradicionalmente pragmático e adepto de alianças baseadas no cálculo político, a palavra de ordem é evitar qualquer associação com ele, dada a crescente rejeição popular e midiática.
Os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, já deram sinais claros de que não colherão bandeiras para salvar Eduardo: propostas legais de benefício ao parlamentar – como o mandato remoto e a prorrogação da licença – seguem paradas, “na gaveta”, onde provavelmente ficarão até o fim do recesso parlamentar em agosto.
O Fracasso dos Planos e a Piora da Situação do Pai
Eduardo Bolsonaro saiu do Brasil com um plano traçado. Ele tentava se firmar como líder internacional e interlocutor junto aos Estados Unidos. Mas as suas ações foram interpretadas, e como se vê são, ataques à soberania nacional, sobretudo ao envolver Washington em litígios internos brasileiros, de forma a interferir com a mais alta corte do Brasil em suas ações e decisões, chantageando o país. No fim das contas, os movimentos do filho só prejudicaram Jair Bolsonaro, que agora enfrenta um cenário jurídico ainda mais complicado, inclusive com medidas cautelares como o uso da tornozeleira eletrônica e restrições de liberdade.
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A máxima da política que reverbera entre os detratores de Eduardo é simples: “Me peçam para acompanhar o funeral, mas não para cair no buraco.” Eduardo esqueceu disso, e o resultado é seu isolamento e rejeição crescentes.
O Gesto que Irritou a Cúpula
Para piorar, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo em que “aconselha” os presidentes da Câmara e do Senado a não se unirem ao vice-presidente Geraldo Alckmin nas negociações com os Estados Unidos, sobre o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil. A mensagem, caracterizada por tom arrogante e desautorizado, provocou desconforto e irritação nos bastidores do Congresso. Mais uma bola fora. E como diz outro ditado: “agora é só fechar a tampa do caixão”.
Hugo Motta, conhecido por sua aversão à pressão e ironias, não revelou qualquer sinal de que pretende mover processos contra o deputado, mas prefere manter distância e aguardar as decisões do STF e o desenrolar das investigações.
Quem joga poker sabe que, em gesto desesperado ou com a certeza de levar a mesa, o jogador aposta tudo em uma única mão ( to go all in ). No caso de Eduardo Bolsonaro parece que ele perdeu e selou o seu destino político com uma série de erros estratégicos e comportamentais, que não apenas o afastaram do poder e das lideranças do governo, mas também ampliaram a crise pessoal e jurídica do clã Bolsonaro.