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Por PolitikBr I Brasília, Em 22/04/2026, 17h:05, leitura: 9 min
Editor: Rocha, J.C.
No dia 02/05/2026, Politikbr irá migrar para o seu endereço web definitivo: https://politikbr.org. Anotem”
A derrota é tão evidente que nem mesmo Trump consegue mais disfarçá-la. O mesmo presidente que ameaçou “apagar uma civilização inteira” e estabeleceu ultimatos de 48 horas, 5 dias, duas semanas, agora anuncia que o cessar-fogo será estendido “sem um prazo determinado”.

Em sua postagem no Truth Social, o presidente americano afirmou que a decisão atende a um pedido do Paquistão, e que o governo iraniano estaria “seriamente fragmentado”. A realidade, no entanto, é oposta. O Irã — que já havia anunciado que não participaria da próxima rodada de negociações em Islamabad, acusando os EUA de “má-fé” e de tentar “compensar o seu fracasso na guerra por meio de demandas excessivas” — mantém o Estreito de Ormuz fechado.

Enquanto isso, a Sputnik lista os 5 fracassos estratégicos dos EUA na ofensiva contra o Irã: inflação recorde, arsenal militar esgotado, meta de derrubar o regime frustrada, alianças destruídas; e poder coercitivo em frangalhos. E, em meio ao desastre, Trump tenta desviar a atenção: ameaças veladas a Cuba, a velha cortina de fumaça. O império sangra. E o comandante-em-chefe, encurralado, não sabe mais o que fazer.
Há 54 dias, os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra de agressão contra o Irã sob falsos pretextos. Os objetivos declarados — mudança de regime, fim do programa de enriquecimento de combustível nuclear, fim do programa de mísseis avançados, abandono pelo Irã do apoio à Grupos de Resistência ao sionismo, como o Hesbollah, o Hamas, os Houthis e outros e; mais recentemente, a re-abertura do Estreito de Ormuz — não foram alcançados. As bases americanas por todo o Oriente Médio foram destruídas. Radares de mais de US$ 1 bilhão destruído. Os caças F-35, F-15, drones reaper, helicópteros e aviões de transporte de tropas foram abatidos. As defesas iranianas continuam ativas e “a inteligência militar dos EUA acredita que o Irã ainda tem recursos militares significativos” (NBC News).

Também é observado que a inteligência militar discorda das declarações do presidente, e do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que reivindicaram o controle total do espaço aéreo do Irã e a destruição da indústria de defesa iraniana.
Agora, na véspera do término do cessar-fogo de duas semanas, Trump anunciou que a trégua será estendida — sem um prazo determinado.
Leia ainda:
- A DUPLA FACE DE TRUMP: Discurso de Guerra, Negociação de Paz
- “ELES O EXPULSARAM”: Trump Foi Retirado da Sala de Situação Durante o Resgate de Pilotos Abatidos

O Cessar-Fogo Eterno: “Sem Data Determinada”
O anúncio foi feito no final da tarde desta terça-feira (21/04) no Truth Social. Trump afirmou que a decisão atende a um pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, ambos do Paquistão.
“O presidente, no entanto, deu ordens para que as forças armadas dos EUA continuem o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz.” (Nota: A verdade é que o bloqueio naval dos EUA – chamado de “bloqueiro covarde” por Pepe Escobar, está bem distante do Estreito de Ormuz. Os navios americanos estão no Golfo de Oman e no mar da Arábia)
A mensagem é contraditória: o cessar-fogo é estendido, mas o bloqueio e a apreensão de um navio — que o Irã considera um ato de guerra — continua. O Estreito de Ormuz permanece fechado.
O governo iraniano já havia anunciado que não participaria da reunião prevista para quarta-feira (22/04) no Paquistão, acusando os EUA de “má-fé”.
“A participação nas negociações é considerada um tipo de desperdício de tempo, pois os Estados Unidos estão obstruindo o alcance de qualquer acordo adequado.”
O Correio Braziliense informa que, segundo a agência iraniana Tasnim, o Irã havia concordado com um cessar-fogo. No entanto, a Casa Branca teria apresentado demandas que violavam o plano de trabalho, levando as negociações a um “beco sem saída”.
“Os americanos acreditavam que poderiam compensar o seu fracasso na guerra por meio de demandas excessivas nas negociações.”
A frase resume a essência do momento: derrotados no campo de batalha, os EUA tentam impor na mesa de negociações o que não conseguiram conquistar com armas. O Irã, que já venceu estrategicamente , não está disposto a aceitar.
Coleção de Fracassos: 5 Derrotas dos EUA
A Sputnik Brasil publicou uma análise listando as cinco principais derrotas dos EUA na ofensiva contra o Irã. O resumo é devastador:
1. Salto inflacionário
A crise do petróleo impactou a economia americana, levando o preço da gasolina a registrar alta recorde de 21,2% em março. A inflação chegou a 3,3%, um aumento significativo comparado aos 2,4% registrados em fevereiro. A aprovação do governo Trump atingiu o menor nível de seu segundo mandato: 63% desaprovam sua gestão.
2. Perda de arsenal militar
Somente nos primeiros 16 dias da operação, os EUA usaram 402 mísseis Patriot e 198 interceptadores THAAD — cerca de 40% de seu arsenal total. O Departamento de Defesa solicitou um aumento de 84,6% nos gastos com armas para o ano fiscal de 2027, saltando para US$ 413 bilhões. Entre os equipamentos destruídos: um caça stealth F-35, quatro caças F-15, um sistema de radar AN/TPY-2, um KC-135, um E-3 AWACS, dois C-130, um A-10, dois Black Hawk e mais de dez drones MQ-9 Reaper.
3. Meta frustrada
O objetivo da Casa Branca era derrubar o governo iraniano, mas este permanece firme no poder. A resiliência iraniana é fruto da estratégia de “defesa em mosaico descentralizada”, desenvolvida ao longo de duas décadas, que permite que unidades regionais do IRGC atuem de forma quase autônoma.
4. Alianças em xeque
A recusa de países europeus em apoiar a ofensiva americana agravou as fissuras na aliança EUA-Europa. Trump chamou a OTAN de “tigre de papel” e ameaçou deixar a aliança. A relação com os países do Golfo também foi abalada, já que as suas bases foram atacadas e destruídas pelo Irã.
5. Poder coercitivo enfraquecido
O maior paradoxo da ofensiva é que, em vez de enfraquecer o Irã, fortaleceu a posição do país como ator relevante no Oriente Médio e no mundo, em especial no Sul Global. Ao resistir à ofensiva, impor perdas custosas aos EUA e agravar o atrito com aliados, o Irã sai mais forte do confronto. Ali Akbar Velayati, assessor do governo iraniano, declarou que apenas o fato de os EUA terem sido obrigados a aceitar o cessar-fogo já indica “uma clara derrota estratégica para Washington”.
As Mentiras de Hegseth: “O Irã Não Tem Mais Nada”
Enquanto a realidade no terreno desmorona, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, continua a repetir mentiras em entrevistas coletivas. Em uma delas, afirmou que o Irã “não tem mais nada”, que “não pode reconstruir as suas defesas” e que “não tem mais indústria bélica”.

As declarações de Hegseth são tão grotescas que ofendem a inteligência de qualquer observador minimamente informado. O Irã não apenas mantém as suas defesas aéreas ativas — como abateu caças F-35 e F-15, drones Reaper e helicópteros Black Hawk. O Irã não apenas mantém a sua indústria bélica — como está produzindo diariamente centenas de mísseis em fábricas subterrâneas, que os EUA não conseguem atingir.
Se um assessor independente pudesse dar um conselho à Trump, seria o de demitir Hegseth por incompetência. Mas Trump não demite Hegseth, porque Hegseth diz exatamente o que Trump quer ouvir — e porque demiti-lo seria admitir que a guerra, em si, é um fracasso.
A Cortina de Fumaça: Cuba no Horizonte
Enquanto o desastre no Irã se desenrola, Trump tenta desviar a atenção. Nos últimos dias, aumentaram as especulações sobre um possível ataque a Cuba — a velha cortina de fumaça, o velho inimigo simbólico.
A tática é conhecida: quando a situação interna se deteriora, se inventa uma ameaça externa. Quando a guerra no Irã se revela um fracasso, ameace Cuba. A mídia, ávida por manchetes, morde a isca. E o público, distraído, esquece — por alguns dias — que o “império” está decadente e já, nem de longe, tem o poder que antes tinha.
O problema é que a tática já foi usada tantas vezes que perdeu a eficiência. O público americano — e o mundo — está atento às “distrações” de Trump. Ele já não se deixa iludir tão facilmente. E a crise no Irã não desaparecerá porque Trump aponta o dedo para Havana.
O Império Sangra, o Comandante Cede
A extensão do cessar-fogo “sem prazo determinado” é aadmissão mais explícita de derrota estratégica sofrida pelos americanos. Trump não pode admitir publicamente que perdeu — seu ego não permite. Mas as suas ações falam mais alto do que as suas palavras.

Ontem foi publicado que um general americano teria impedido que Trump usasse os “códigos nucleares” para atacar o Irã. Essa notícia não foi confirmada, mas a especulação permanece – Was Donald Trump ‘blocked’ from using the nuclear codes against Iran? • FRANCE 24 English
Como o presidente dos EUA já foi expulso, pelos seus assessores militares, da “Sala da Situação” da Casa Branca e ele, frequentemente parece entrar em “estado de delírio”, de fúria desmedida, tudo pode se esperar desse homem inconsequente, que parece, cada vez mais, ensandecido.
O cessar-fogo é estendido porque não há alternativa. A guerra não pode ser vencida. O bloqueio não funciona. As negociações estão em um beco sem saída. E o Irã, que já venceu a guerra estrategicamente, não está disposto a aceitar nada menos do que as suas exigências.
Enquanto isso, Trump tenta desviar a atenção para Cuba. Uma tentativa desesperada de um presidente encurralado, que não sabe mais o que fazer. Mas a verdade é teimosa: o império sangra. E o comandante-em-chefe, que deveria estar na Sala de Situação, está ocupado criando cortinas de fumaça.
A história não esquecerá.
Esse artigo foi baseado em:
- Correio Braziliense: Trump estende cessar-fogo no Irã e Estreito de Ormuz permanece fechado (21/04/2026)
- Sputnik Brasil: Coleção de fracassos: 5 derrotas dos EUA na ofensiva contra o Irã (21/04/2026)
- PolitikBr: A DUPLA FACE DE TRUMP: Discurso de Guerra, Negociação de Paz (21/04/2026)
- PolitikBr: PEPE ESCOBAR: As Últimas da Guerra do Consórcio EUA/ISRAEL Contra o IRÃ (17/04/2026)
- NBC News: Iran still has significant military capabilities, Pentagon intelligence agency assessment says
- Sputnik Brasil: https://noticiabrasil.net.br/20260419/fechamento-do-estreito-de-ormuz-esta-sendo-sentido-tanto-na-ue-quanto-fora-do-bloco-diz-midia-49790137.html