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Por PolitikBr I Brasília, Em 20/04/2026, 12h:13, leitura: 12 min
Editor: Rocha, J.C.
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Em um discurso histórico na primeira reunião da Mobilização Progressista Global (MPG), em Barcelona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Brasil – fez um diagnóstico verdadeiro e emocionante sobre o momento atual: a extrema-direita avança sobre a democracia, os “senhores da guerra” gastam bilhões em armas enquanto o mundo passa fome, e o progressismo precisa, urgentemente, recuperar a coerência entre o discurso e a prática.


Lula saudou a decisão corajosa do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de proibir o uso de bases militares no território espanhol para os ataques dos EUA contra o Irã — uma decisão que depois foi seguida pela França e pela Itália, deixando Trump furioso e ameaçando cortar relações comerciais com a Espanha.
“O meu elogio, meu querido Pedro Sánchez, é pelo fato de você ter tido a coragem de não permitir que os aviões de guerra dos Estados Unidos saíssem daqui para atirar no Irã”, disse Lula, sendo aplaudido de pé por 5 mil pessoas.
O presidente brasileiro ainda lembrou a sua própria tentativa, em 2010, de negociar um acordo nuclear com o Irã — um acordo que foi sabotado por Obama e Hillary Clinton por pura vaidade. “Se aquele acordo tivesse sido aceito, talvez não estivéssemos vivendo essa guerra hoje”, afirmou. Lula concluiu com uma mensagem de esperança: “A minha arma é o argumento. A minha arma é a razão.”
Há 52 dias, o consórcio EUA/Israel, chamado por Ali Khamenei de o “Grande Satã” e o “Pequeno Satã”, lançou uma guerra de agressão contra o Irã sob falsos pretextos. “Os objetivos declarados — mudança de regime, fim do programa de enriquecimento de combustível nuclear, fim do programa de mísseis, abandono do apoio a grupos de resistência que lutam contra os sionistas – Hezbollah, Houthis e outros e, por fim, nesse momento, a abertura do Estreito de Ormuz — não foram alcançados. As bases americanas no Golfo Pérsico foram destruídas. Os caças F-35 e F-15, drones Reaper, e outros foram abatidos. As defesas aéreas iranianas continuam ativas e, até, a força aérea iraniana está preservada, como visto em recente vídeo de aviões de caça iranianos sobrevoando teerã.” (Politikbr)

Mas, ao longo dessas semanas, um fenômeno notável ocorreu na Europa: aliados tradicionais dos EUA começaram a se distanciar da guerra. A Espanha foi a primeira. Depois, a França e a Itália a seguir. E, no último sábado (18), em Barcelona, o presidente Lula fez um discurso histórico saudando essa decisão e conclamando os progressistas do mundo inteiro a se unirem em defesa da democracia, da paz e do multilateralismo.
Referindo-se às ameaças públicas do presidente americano em relação ao Irã, Lula disse: “Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”.
A Coragem da Espanha: “Não Permitiremos o Uso de Nossas Bases”
No início de março, o governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, tomou uma decisão que irritou profundamente Donald Trump. A Espanha negou aos Estados Unidos o uso das bases militares de Rota (Cádis) e Morón de la Frontera (Sevilha) para os ataques contra o Irã . A ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, foi categórica:
“Categoricamente não, não foi prestada qualquer tipo de assistência nas bases de Morón e Rota. Existe um acordo com os Estados Unidos para a utilização das bases, mas este acordo permite que estas operem no âmbito da legalidade internacional, não quando um exército atua unilateralmente.”
O primeiro-ministro Pedro Sánchez, um dos críticos mais veementes da guerra, foi ainda mais direto no parlamento espanhol:
“Não autorizamos nem a utilização de bases militares nem a utilização do espaço aéreo para ações relacionadas com a guerra no Irã. Todos os planos de voo que contemplam ações relacionadas com a operação no Irã foram recusados. Todos, incluídos os de aviões de reabastecimento. Não foi fácil. Mas fizemo-lo porque assim o permite o acordo bilateral e porque somos um país soberano que não quer participar em guerras ilegais.”

Trump reagiu com fúria. Em entrevista na Casa Branca, ele ameaçou cortar todas as relações comerciais com a Espanha:
“A Espanha tem sido terrível. Na verdade, eu disse ao Scott Bessent para cortar todas as relações com a Espanha. A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-la. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-la.”
Falastrão…
A ameaça, no entanto, não surtiu efeito. A Espanha manteve a sua posição.
França e Itália Seguiram o Exemplo
A coragem da Espanha inspirou outros países europeus. A França, por meio do chanceler Jean-Noël Barrot, declarou que um possível ataque dos EUA contra a infraestrutura civil e energética do Irã “violaria o direito internacional” e poderia desencadear uma nova escalada no conflito.
Pouco depois, a França negou permissão para que Israel usasse o seu espaço aéreo para transportar armas americanas destinadas à guerra contra o Irã . Foi a primeira vez que a França tomou tal medida desde o início do conflito.
A Itália também se juntou ao movimento. O governo italiano negou permissão para que aeronaves militares dos EUA pousassem na base aérea de Sigonella, na Sicília, antes de seguirem para o Oriente Médio. A recusa ocorreu porque os EUA não haviam solicitado autorização prévia, conforme exigido pelos tratados bilaterais.
Trump, em sua rede social Truth Social, atacou a França:
“A França não permitiu que aviões com destino a Israel, carregados de suprimentos militares, sobrevoassem o território francês. A França tem sido MUITO INÚTIL em relação ao ‘Açougueiro do Irã’, que foi eliminado com sucesso! Os EUA LEMBRARÃO!!!”
O que Trump deveria lembrar, se envergonhar, pedir perdão ao povo iraniano, é de seu exército, deliberadamente, matar 165 meninas, entre 06 e 12 anos de idade, usando dois mísseis tomahawk. E, como bem lembrou John Mearsheimer –NUREMBERG: Mearsheimer Diz que Trump, Biden e Netanyahu Seriam Enforcados por Genocídio : ” se houvesse um Tribunal de Nuremberg hoje, Trump e Joe Biden seriam condenados e enforcados, assim como os “seus tenentes”. Ele disse:
“O que me choca ainda mais é que os Estados Unidos são cúmplices do genocídio. Não há dúvida sobre isso. Se tivéssemos julgamentos como os de Nuremberg, Joe Biden e seus principais tenentes, Donald Trump e seus principais tenentes, seriam enforcados. Estamos falando de um genocídio. Sabemos o que aconteceu com todas aquelas pessoas que executaram o genocídio entre 1941 e 1945 na Europa. Elas foram enforcadas.”
A postura europeia, em resposta à Trump, foi uníssona: a guerra é ilegal, e não participarão dela. Uma vergonhosa exceção é a da Alemanha, participando indiretamente dessa guerra absurda, ilegal.

Lula em Barcelona: “Meu Elogio a Pedro Sánchez”
Foi nesse contexto que Lula subiu ao palco em Barcelona, no evento Mobilização Progressista Global, diante de 5 mil pessoas. O presidente brasileiro começou o seu discurso exatamente com um elogio à decisão espanhola:
“Eu queria começar a minha fala dando os parabéns ao presidente Pedro Sánchez pela organização extraordinária de um evento progressista que tenta mostrar ao mundo que a democracia não morreu. E o meu elogio, meu querido Pedro Sánchez, é pelo fato de você ter tido a coragem de não permitir que os aviões de guerra dos Estados Unidos não saíssem daqui para atirar no Irã.”
O discurso foi interrompido por aplausos entusiasmados. Lula estava apenas começando.
A Coerência Progressista: “Não Podemos Trair a Confiança do Povo”
Lula fez uma autocrítica do campo progressista. Reconheceu que, apesar dos avanços em direitos sociais, a esquerda não conseguiu superar o pensamento econômico dominante:
“O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda assim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema.”
E concluiu:
“O primeiro mandamento para os progressistas tem que ser a coerência. Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo.”
A Mentira da Guerra: “Cadê as Armas Químicas?”
Lula também recordou a sua própria tentativa, em 2010, de negociar um acordo nuclear com o Irã. O presidente brasileiro viajou a Teerã junto com a Turquia e a Índia, e conseguiu um acordo com o presidente Ahmadinejad — um acordo que limitaria o enriquecimento de urânio iraniano à níveis pacíficos. O nosso blog discutiu esse tema nesse artigo:

“Depois de dois dias, nós conseguimos um acordo. Um acordo que foi feito com base numa carta manuscrita que o Obama me mandou. Quando nós publicamos o acordo, eu imaginei que nós íamos ser elogiados. O que aconteceu? A União Europeia e os Estados Unidos não aceitaram o acordo.”
O acordo foi sabotado por Obama e Hillary Clinton, que telefonaram para os líderes mundiais envolvidos no assunto dizendo que a carta de Lula “não valia mais nada”. A oportunidade de paz foi destruída.
“Se aquele acordo tivesse sido aceito, talvez não estivéssemos vivendo essa guerra hoje. E agora estamos atrás, outra vez, de construir a ideia de que o Irã iria construir bomba atômica. Eles não iriam construir bomba atômica.”
Lula também lembrou das mentiras que justificaram outras guerras:
“A invasão do Iraque foi uma mentira. Cadê as armas químicas que o Saddam Hussein tinha? Nunca encontraram. A invasão pela França e por Israel na Líbia foi outra mentira. A invasão e o genocídio que foi feito por Israel em Gaza é outra mentira muito grande.”
O Multilateralismo Contra os “Senhores da Guerra”
Lula criticou duramente o Conselho de Segurança da ONU, que chamou de “clube dos senhores da guerra”:
“A querida Nações Unidas, que foi criada depois da Segunda Guerra Mundial, criou um Conselho de Segurança com cinco membros permanentes para cuidar da paz. Se transformaram em cinco senhores de guerra. Porque o Conselho de Segurança não permite que as coisas aconteçam. Quando um aprova uma coisa, o outro veta.”
Lula também defendeu o multilateralismo; que os países do Sul Global tenham voz:
“Ser progressista na arena internacional é defender um multilateralismo reformado. É defender que a paz faça prevalência sobre a força. É combater a fome e proteger o meio ambiente. É restituir a credibilidade da ONU, que foi corroída pela irresponsabilidade dos membros permanentes.”
“Minha Arma é o Argumento”
Lula encerrou o seu discurso com uma mensagem de esperança e determinação:
“Eu tenho 80 anos de idade. Eu digo para Deus que eu quero viver 120 anos. Porque é preciso provar uma coisa: a gente não fica velho porque os anos passam. O que envelhece as pessoas são as pessoas perderem a motivação, perderem uma causa. Se todos nós levantarmos de manhã com uma causa, para defender uma causa, a gente não fica velho.”
E concluiu:
“A minha arma é o argumento. A minha arma é a razão. Quando o presidente Trump taxou o Brasil, dizendo que tinha déficit com o Brasil, eu mostrei um documento. Os Estados Unidos, em 15 anos, teve 410 bilhões de superávit com o Brasil. Eu disse, ninguém vai ganhar de mim com mentira. Eu não tenho a riqueza que ele tem. Eu não tenho a tecnologia que ele tem. Eu não quero guerra. A única coisa que eu quero é dizer para ele que, mesmo sendo pobre, tem uma coisa que nós temos que ter, que é caráter, honestidade e decência para a gente respeitar o direito de todos.”
Um Farol em Meio ao Caos
O discurso de Lula em Barcelona foi um farol em meio ao caos belicista que tomou conta do mundo. Enquanto Trump ameaça, destrói e mata, Lula oferece argumentos, razão e diplomacia. Enquanto o império da pirataria tenta impor a sua vontade pela força, Lula defende o multilateralismo, a democracia e a paz.
A decisão da Espanha, da França e da Itália de barrar o uso de seus territórios para a guerra ilegal contra o Irã é um exemplo de que a comunidade internacional não está disposta a aceitar passivamente as aventuras belicistas de Trump. E Lula, ao saudar essa decisão e ao conclamar os progressistas à coerência e à luta, mostrou que existe uma alternativa.
O mundo não precisa de mais “senhores da guerra”. Precisa de mais líderes como Lula — que têm coragem de dizer não, que têm argumentos em vez de bombas, e que acreditam que a paz é possível.
“O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país” (Presidente do Brasil – Luiz Inácio Lula da Silva),enfatizando que os pobres é que pagam pela “irresponsabilidade das guerras”.
Esse artigo foi baseado em:
- Agência Brasil: Lula fala para milhares na Espanha e pede coerência dos progressistas (18/04/2026)
- Euronews: Espanha nega ter autorizado a utilização das bases americanas de Rota e Morón para atacar o Irão (02/03/2026)
- Valor Econômico: Europa barra operações militares ligadas a guerra no Irã (31/03/2026)
- G1: Trump diz que EUA vão cortar relações comerciais com Espanha após país negar uso de bases para ataques ao Irã (03/03/2026)
- Expresso: Espanha fecha espaço aéreo e proíbe uso de bases militares a aeronaves americanas envolvidas na guerra (30/03/2026)
- Gazeta do Povo: França diz que possível ataque dos EUA contra a infraestrutura do Irã “viola o direito internacional” (07/04/2026)
- The Guardian: Spain denies US permission to use jointly operated bases to attack Iran (02/03/2026)
- Público: Europa trava operações militares dos EUA face ao escalar da guerra no Irão (31/03/2026)