A SABOTAGEM ANUNCIADA: LT Col Daniel Davis Fala da Sabotagem de Netanyahu ao Acordo de Trump

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Por PolitikBr I Brasília, Em 09/04/2026, 08h:22, leitura: 11 min

Editor: Rocha, J.C.

O mesmo Trump que anunciou “vitória” e “cessar-fogo” na noite de terça-feira (7/4) acordou na quarta-feira (8/4) com a notícia de que seu “aliado” Benjamin Netanyahu já havia violado o acordo. Israel lançou o maior bombardeio contra o Líbano em semanas. Trump, em vez de repreender Netanyahu, disse que “o Líbano não estava no acordo”. O Paquistão, mediador das negociações, desmentiu Trump publicamente. O Irã reagiu fechando novamente o Estreito de Ormuz e retomando os ataques. O cessar-fogo que deveria durar duas semanas durou menos de 24 horas. E a verdade, exposta pelo Tenente Coronel Daniel Davis, é brutal: Netanyahu nunca quis a paz. Ele quer usar os Estados Unidos como fantoche para os seus projetos expansionistas: A Grande Israel. E Trump, fraco e encurralado, está sendo manipulado como uma marionete.

A história se repete. O padrão é sempre o mesmo. Trump anuncia algo grandioso. Horas depois, a realidade o desmente. E no centro das sabotagens aos esforços de paz está sempre o mesmo personagem: Benjamin Netanyahu. Ele mesmo. O genocida que trucidou e ainda trucida milhares de idosos, mulheres e crianças palestinas.

Na noite de terça-feira (7/4), Trump anunciou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, intermediado pelo Paquistão. O mundo respirou aliviado. A guerra que matou milhares, que levou o mundo à beira de uma catástrofe nuclear, parecia ter chegado ao fim.

Menos de 24 horas depois, o cessar-fogo já estava em frangalhos.

Netanyahu: “O Líbano não está no acordo”

Israel lançou o que foi descrito como o maior ataque recente contra o Líbano, intensificando a ofensiva contra o Hezbollah. Benjamin Netanyahu, foi direto: o cessar-fogo não se aplica ao território libanês. Parece que o Paquistão, que mediou o cessar fogo, não concorda com Netanyahu.

O governo do Líbano denunciou que áreas densamente povoadas foram atingidas, deixando centenas de vítimas. O Ministério da Saúde do Líbano calcula que a atual fase do conflito, iniciada em 2 de março, já matou mais de 1,5 mil pessoas, ferindo mais de 4,8 mil. Israel bombardeou 93 unidades de saúde libanesas e 57 profissionais de saúde foram assassinados. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas. Israel é uma máquina de massacres. E a intenção dos sionistas é anexar o sul do Líbano, da mesma forma que fez com as colinas de Golan e hoje ocupa, praticamente, todo o território destinado aos Palestinos, quando da partilha.

A reação de Trump foi a pior possível. Em vez de repreender Netanyahu, o presidente americano disse que “o Líbano não fazia parte do acordo”, citando a atuação do Hezbollah.

A declaração é óbvia: uma admissão de fraqueza. Trump está sendo manipulado ou chantageado – caso Epstein – por Netanyahu — e não tem força para resistir.

Leia ainda:

O Paquistão Desmente Trump: “O cessar-fogo vale para todas as partes”

O Paquistão, que atuou como mediador nas negociações e foi responsável por salvar a face de Trump, não aceitou a versão americana.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, publicou em sua conta no X (antigo Twitter):

Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com os seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todas as partes, incluindo o Líbano e outros locais, COM EFEITO IMEDIATO.” 

O dirigente acrescentou que a capital do Paquistão, Islamabad, receberá a partir de sexta-feira (10/4) delegações de ambos os países – Estados Unidos e Irã – para realizar negociações por duas semanas, destinadas a alcançar um “acordo definitivo”.

A mensagem é : o Paquistão está dizendo a Trump que ele não pode reescrever o acordo para agradar Netanyahu. O Líbano está incluído. O cessar-fogo é para todas as partes. Se Israel violar, o acordo está rompido. É exatamente o que Netanyahu quer. Acabar com o cessar fogo. Continuar a guerra – O BUFÃO RECUOU: Trump Anuncia Cessar-Fogo de Duas Semanas e o Irã Declara Vitória

O Irã Reage: O Estreito de Ormuz Fechado Novamente

O Irã, como era de se esperar, não aceitou a violação passivamente. O governo iraniano anunciou o novo fechamento do Estreito de Ormuz para navios comerciais, justificando a medida como uma resposta às ações israelenses.

As autoridades iranianas também declararam que pretendiam “punir” Israelo que já aconteceu .

Os Países do Golfo relataram novos ataques atribuídos ao Irãou teriam sido ataques de bandeira falsa de Israel? – mesmo após o início da trégua. O Catar, o Kuwait e a Arábia Saudita disseram ter sido atingidos por mísseis e drones, com registros de danos materiais e interceptações de projéteis.

O cessar-fogo que deveria durar duas semanas durou menos de 24 horas. E o mundo está novamente à beira do abismo.

O Tenente Coronel Daniel Davis: “Netanyahu está usando os EUA como fantoche”

Para entender o que está acontecendo é preciso ouvir quem conhece a máquina de guerra americana, por dentro. O Tenente Coronel Daniel Davis, oficial de inteligência aposentado do Exército dos EUA, veterano de combate no Afeganistão e no Iraque; uma das vozes mais lúcidas sobre a realidade militar e um dos analistas independentes em geopolítica mais respeitados, não poupou críticas.

Em sua análise, Davis expõe a dinâmica perversa que está se desenrolando:

“Benjamin Netanyahu, segundo todas as evidências, colocou todo tipo de pressão e o presidente Trump acabou cedendo a ele. Acho que ele foi enganado, levado a pensar que isso seria algo rápido e fácil, e que ele obteria uma grande vitória. Agora ele percebe que não há saída militar. Ele vai ter que encontrar alguma saída diplomática que lhe dê alguma chance de salvar as aparências. Mas há problemas reais. Há problemas com Benjamin Netanyahu, que o colocou nessa guerra, e há problemas em seu próprio campo, seus supostos aliados nos Estados Unidos.”

Davis é ainda mais direto ao descrever a relação entre Trump e Netanyahu:

“Ele está tentando dizer a todos em Israel: ‘Esta é a primeira vez na história que conseguimos os Estados Unidos’. Ele convenceu o presidente Trump a efetivamente entregar as Forças Armadas dos Estados Unidos para serem usadas por Israel na guerra que ele queria. Ele conseguiu convencer Trump a fazer isso. Não sei por quais meios. Através de sua coordenação com o AIPAC, através de alguma pressão do tipo ‘Miriam Adelson te deu muito dinheiro’, não sei o que foi. Mas o que sabemos é que ele conseguiu fazer isso.”

A conclusão de Davis é :

“Trump está permitindo que alguém o use, e às Forças Armadas dos EUA, quase como se o estivesse mantendo refém de seus desejos. E porque Netanyahu é um personagem mais forte, ele consegue coagir Trump a fazer o que quiser. É embaraçoso. Trump gosta de falar o quão forte ele é, e ainda assim permitiu que ele fosse usado como um fantoche. É vergonhoso de assistir e doloroso também.”

O Lobby Judeu-Americano: Jack Keane e a Tentativa de Impor o “Modelo Líbia”

Não é só Netanyahu que está sabotando o acordo. Dentro dos Estados Unidos, aliados de Trump estão fazendo de tudo para inviabilizar qualquer negociação de paz.

Davis cita o exemplo do general aposentado Jack Keane, que foi à Fox News e disse abertamente que não apoia o cessar-fogo:

“Eu não teria feito o que estamos fazendo. Eu não teria ido para o cessar-fogo, porque acho que deveríamos tomar o controle do estreito e nos mover.”

Keane também defendeu o chamado “Modelo Líbia” para o Irã — o mesmo modelo que resultou na derrubada brutal e no assassinato de Muammar Gaddafi, depois que ele entregou o seu programa nuclear. Davis é categórico sobre a insanidade dessa proposta:

“Ele realmente disse em voz alta que está procurando um modelo Líbia. Para aqueles que não sabem, o modelo Líbia ocorreu durante a administração George W. Bush… Gaddafi se livrou de tudo aquilo. E então, depois que terminaram, de repente, quando não tinham mais programa de armas nucleares, Obama entra e diz: ‘Vamos usar nossa força aérea, apoiar alguns adversários do regime, bombardear os alvos do regime e enfraquecê-lo o suficiente para que a oposição tome o controle’. Foi exatamente o que aconteceu. Gaddafi foi brutalmente assassinado nas ruas da pior maneira possível. E você quer que os líderes iranianos sigam esse exemplo? Ninguém faria isso.”

Davis percebe o óbvio: ao defender o “Modelo Líbia”, Keane está, na verdade, tentando garantir que o Irã nunca aceite qualquer acordo. É uma sabotagem deliberada.

O Hezbollah e a Esperança Frágil

Em meio a esse caos, o Hezbollah emitiu um comunicado que revela a sua percepção da situação:

“Este inimigo traiçoeiro e bárbaro, procurando escapar à imagem da sua derrota, poderá recorrer à tentativas traiçoeiras para criar a falsa impressão de ter alcançado uma vitória que não conseguiu obter no campo de batalha.” 

O grupo pediu que os habitantes das áreas despovoadas pela guerra não retornem imediatamente aos seus bairros e vilas antes do anúncio definitivo do cessar-fogo no Líbano. O Hezbollah, que tem resistido aos ataques israelenses por décadas, sabe que Netanyahu está desesperado para mostrar alguma vitória — e que o desespero leva a ações imprevisíveis. Sem assassinatos Netanyahu não sobrevive politicamente.

Netanyahu ao atacar o Líbano, rompendo o cessar fogo mediado pelo Paquistão, sabia que o Irã iria retaliar. Isso porque se o Irã não o fizesse, os sionistas poderiam “plantar a narrativa” de que o Irã teria abandonado os seus aliados. Isto é, se fomentaria desconfiança e até divisão nos grupos armados pró Irã em todo o Oriente Médio.

Para tentar “garantir que o cessar fogo fracasse”, Netanyahu também atacou, além do Líbano, o próprio Irã, conforme divulgado por autoridades iranianas.

O Que Vem Agora

As negociações entre os Estados Unidos e o Irã estão marcadas para começar na sexta-feira (10/4) em Islamabad. O Irã destinou duas semanas para todo o processo de negociação, durante o qual será discutido o cessar-fogo e, talvez, um acordo de maior amplitude visando o fim da guerra. O Paquistão, que atuou como mediador, faz um alerta: violações comprometem os esforços por uma solução definitiva para o conflito no Oriente Médio.

Mas as perspectivas são sombrias. Netanyahu já deixou claro que não respeitará o acordo se ele incluir o Líbano. Jack Keane e outros aliados de Trump estão pressionando para que os EUA abandonem o cessar-fogo e retomem os ataques. O Irã, sentindo-se traído, já reagiu fechando Ormuz.

Por outro lado há a pressão dos mercados pelo fim das hostilidades. O efeito imediato do anúncio do cessar fogo foi que o preço do petróleo despencou 11% após o anúncio de trégua. Além do mais, como já era esperado, o cessar-fogo entre os EUA e o Irã foi aplaudido por vários países, que elogiaram a decisão, e pedem o fim da guerra no Oriente Médio.

E Trump, fraco e encurralado, está sendo puxado em todas as direções. Por um lado, quer sair da guerra. Por outro, não tem coragem de enfrentar Netanyahu e o lobby israelense-americano. O resultado é um império em frangalhos, um aliado traiçoeiro, e um mundo que observa, perplexo, o desmoronamento da maior potência militar da história.

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