O Golfo em Chamas: Trump Ordena a Israel Parar, Mas o Estrago Está Feito

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Por PolitikBr I Brasília, Em 20/03/2026, 17h:56, leitura: 7 min

Editor: Rocha, J.C.

O ataque israelense ao maior campo de gás do mundo não foi apenas um ato de guerra contra o Irã. Foi uma facada nas costas da estratégia de Donald Trump. E a resposta iraniana transformou a crise energética global num pesadelo sem precedentes.

A imprudência de um aliado pode destruir os planos mais cuidadosamente elaborados de uma superpotência. Na quarta-feira, 18 de março de 2026, Benjamin Netanyahu provou que, para ele, a sobrevivência de seu governo vale mais do que qualquer acordo secreto ou tentativa de Trump de encontrar uma saída honrosa para a guerra.

O alvo escolhido por Israel foi o campo de gás South Pars, no Irã, o maior do mundo, responsável por cerca de 70% da produção total de gás do país. As imagens de satélite mostram fumaça subindo de pelo menos dois pontos de impacto. O objetivo israelense, segundo analistas, era estrangular a capacidade energética iraniana e forçar uma rendição.

E se o real objetivo do ataque de Israel ter sido o de impedir que os Estados Unidos venham a negociar com os iranianos – A FARSA DA VITÓRIA: Trump Negocia em Segredo Enquanto o Irã Dita os Termos -, saindo, em algum momento, da guerra?

De toda forma, o tiro saiu pela culatra, e de forma catastrófica.

Por outro lado o Catar culpou Israel pelo ataque a seu campo de gás compartilhado com o Irã, e alertou para o risco energético global.

Cabe lembrar que o Catar é aliado dos Estados Unidos. Então, o ataque de Netanyahu foi, no mínimo, constrangedor para os Estados Unidos. Mas fica a pergunta: Por que Israel o fez?

E como não poderia deixar de ser, o preço do petróleo e do GNL explodiram em decorrência do ataque israelense, e da resposta devastadora do Irã, que se sabia que viria, se a sua infra estrutura produtora de energia fosse atacada.

A Fúria de Trump

Donald Trump não escondeu a sua irritação. Numa postagem em sua rede social, em letras maiúsculas, ele declarou: “Os Estados Unidos não sabiam nada sobre este ataque em particular. Israel não fará mais ataques contra este campo iraniano.”

Em aparição pública ao lado da primeiro-ministro do Japão, Trump foi ainda mais direto: “Eu disse a ele: não faça isso. E ele não vai fazer isso. Nós nos damos muito bem. É coordenado, mas de vez em quando ele faz algo que os Estados Unidos se opõem.” 

A declaração é um golpe raro na relação EUA-Israel. Trump, desesperado para conter a escalada que está destruindo a sua economia e a sua base política, foi obrigado a amarrar publicamente a coleira de seu aliado mais próximo.

Israel está – e sempre esteve – fora de controle, e Trump não pode mais garantir que ele seguirá o seu plano transloucado, e sem pé e cabeça.

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A Resposta Iraniana: O Golfo em Chamas

O Irã, como havia prometido, respondeu na mesma moeda ao ataque israelense — mas com juros. Ele avisou. Se Israel ou os Estados Unidos atacassem as suas instalações de gás, Teerã atacaria as instalações dos aliados de Israel e dos Estados Unidos no Golfo. E foi o que aconteceu, como dissemos. Olho por olho, dente por dente.

E o principal alvo do Irã foi a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar, o coração da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) do mundo. A QatarEnergy, estatal de petróleo, confirmou que mísseis iranianos atingiram o complexo, causando “danos extensos”. A capacidade de exportação de GNL do Catar, que abastece mercados na Ásia e na Europa, foi reduzida em 17% num único ataque .

Simultaneamente, a Arábia Saudita foi alvejada. Duas refinarias em Riade foram atacadas, e drones foram interceptados enquanto tentavam atingir instalações de energia na região leste do país.

Nos Emirados Árabes Unidos, as operações no campo de petróleo de Bab e no complexo de gás de Habshan — uma das maiores instalações de processamento de gás onshore do mundo — foram suspensas temporariamente, devido à queda de destroços de mísseis interceptados .

Um navio foi atingido por um “projétil desconhecido” ao largo da costa leste dos Emirados Árabes Unidos, perto do Estreito de Ormuz, resultando em um incêndio a bordo.

A Estratégia Iraniana: Proporcionalidade e Ônus

O que o Irã demonstrou com esta resposta é que a sua estratégia de “olho por olho” não é apenas uma questão de orgulho nacional. É uma doutrina militar calculada para maximizar o custo da agressão para os aliados dos Estados Unidos.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) havia emitido um aviso claro horas antes dos ataques, listando instalações específicas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar como “alvos diretos e legítimos” e instando os civis e trabalhadores a evacuarem as áreas . O aviso não era um blefe. Era um ultimato.

Ao atacar o Catar, que abriga a maior base aérea dos Estados Unidos na região (Al Udeid) – atacada diversas vezes e praticamente destruída – e é um aliado próximo de Washington, o Irã envia uma mensagem inequívoca: se você abriga forças americanas ou apoia a guerra, a sua infraestrutura energética não está segura. O Catar, que vinha tentando manter uma posição neutra, foi forçado a tomar partido, expulsando adidos militares e de segurança iranianos. A neutralidade se tornou impossível.

A Fratura Exposta: Israel Age por Conta Própria

O episódio expõe uma realidade que especialistas como o Embaixador Chas Freeman e John Mearsheimer já haviam diagnosticado: Israel tem a sua própria agenda e não hesitará em persegui-la, mesmo que isso signifique sabotar os esforços de seu principal protetor.

Enquanto Trump tenta negociar secretamente com o Irã, tentando encontrar uma fórmula de cessar-fogo, que lhe permita salvar as aparências antes das eleições de novembro, Netanyahu decidiu aumentar a aposta. Seu cálculo é sinistro, já que Israel está sendo sistematicamente destruído fogo iraniano, mas simples: quanto mais a guerra se intensificar, mais os Estados Unidos serão arrastados para o conflito, tornando impossível um recuo unilateral americano.

O Aliado Incontrolável

Donald Trump pode ordenar que Israel pare. Pode ameaçar, pode postar nas redes sociais. Mas Netanyahu sabe que a sua sobrevivência política depende da continuidade da guerra. Sem o conflito, ele enfrentará julgamentos, investigações e o colapso de sua coalizão.

O Irã, por sua vez, não tem motivo para parar. A estratégia de exaustão está funcionando. Israel sangra, os aliados dos Estados Unidos no Golfo são atingidos, a economia americana sofre e a base política de Trump se fragmenta.

O ataque ao campo de gás South Pars e a resposta iraniana no Catar e na Arábia Saudita não são apenas mais um capítulo desta guerra. São a prova definitiva de que a aliança Estados Unidos-Israel está sendo aos poucos fraturada, apesar da influência política do poderoso lobby sionista, mas, principalmente, pela mudança da percepção da sociedade americana, em seu apoio irrestrito a Israel, em especial, após o continuado genocídio dos palestinos em Gaza. Agora temos mais essa guerra, que novamente arrasta os Estados Unidos de volta às “guerras eternas”. Aliás, em que período da história os Estados Unidos não estiveram envolvidos em guerras? Esse Estado não prospera se não for através de sangue e de desgraça, dos outros, aliás.

O fogo que agora consome as instalações de gás no Golfo é o mesmo fogo que consome os planos de Washington. E ele só tende a aumentar.

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