Liguem para Mosco – O alerta do professor Glenn Diesen
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Por PolitikBr I Brasília, Em 15/10/2025, 16h:56, Leitura: 3 min
Em um momento em que a Europa parece caminhar novamente para o abismo da confrontação com a Federação Russa, a voz do professor norueguês Glenn Diesen, da Universidade do Sudeste da Noruega, surge como um raro apelo à lucidez estratégica:
“Liguem para Moscou e se afastem do caminho da guerra.”
Diesen, especialista em geopolítica e estudioso das dinâmicas de segurança pós-Guerra Fria, não fala em nome de uma posição ideológica, mas da racionalidade que a Europa abandonou desde os anos 1990. Seu alerta, publicado na rede social X, evoca uma lição esquecida: a estabilidade continental depende da cooperação com Moscou, não da sua exclusão.
Ao longo dos últimos 35 anos, a OTAN teve inúmeras oportunidades de transformar a segurança europeia em um sistema inclusivo. Preferiu, porém, expandir-se até as fronteiras russas, convertendo promessas de estabilidade em instrumentos de contenção. O resultado é o que Diesen chama de “militarização da diplomacia” — o momento em que tanques e sanções substituem as negociações. Quando isso ocorre, a história mostra, a guerra deixa de ser uma hipótese e torna-se uma expectativa.
Essa reflexão se soma ao debate iniciado em “A Perspectiva de Putin: Finlândia e Suécia na OTAN”, onde se destacou a percepção russa de cerco estratégico. Para Moscou, a expansão da Aliança Atlântica não tem caráter defensivo: ela representa a normalização da hostilidade. Nesse quadro, a retórica da “defesa europeia” mascara a perda de autonomia política do continente frente aos interesses norte-americanos — uma transferência silenciosa de soberania que custa caro também à economia europeia.
Não é coincidência que Viktor Orbán seja uma das poucas vozes do continente a defender o retorno ao diálogo direto com a Rússia. Orbán, como Diesen, reconhece que o atual curso não conduz à paz, mas à escalada — alimentada pela ilusão de que a Europa, subordinada à estratégia de Washington, poderá triunfar sobre uma potência nuclear.
Ao propor “liguem para Moscou”, Diesen rompe com o dogma geopolítico vigente e resgata a essência da diplomacia: negociar, reconhecer o outro, construir segurança compartilhada. O fanatismo belicista transformou a prudência em covardia e o diálogo em heresia, sustentado por um complexo industrial-militar que lucra com o medo e por uma imprensa que converte ameaças em narrativa de fé.
Se o continente não alterar o curso, o conflito por procuração na Ucrânia pode evoluir para confrontos diretos no Báltico ou no Ártico — zonas onde qualquer erro de cálculo pode acender uma faísca nuclear. O professor Glenn não propõe capitulação, mas racionalidade. Seu chamado é uma advertência civilizatória: nenhuma potência sobrevive à sua própria arrogância.
Ignorar o alerta de Diesen significa prolongar a lógica autodestrutiva que historicamente antecede o colapso das grandes potências. As civilizações não caem por derrotas externas, mas por perderem a capacidade de discernir entre força e sabedoria.
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