Tarcisio: mimimi, vitimismo ou implosão

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Por PolitikBr I Brasília, Em 13/10/2025, 12h:11, Leitura: 8 min

Há uma regra quase universal na política: o desgaste nunca é gratuito. Ele vem, invariavelmente, como resultado das próprias ações, escolhas e alianças. E é justamente essa a tormenta que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, enfrenta neste momento.

O outrora “queridinho” do bolsonarismo começou a despencar nas pesquisas de opinião. A recente sondagem da Genial/Quaest, publicada pelo Estado de Minas e pela CartaCapital, mostra queda na popularidade do governador — algo que seria natural diante do acúmulo de contradições e desgastes. Segundo os institutos, Tarcísio caiu da segunda para a terceira colocação entre os candidatos da oposição preferidos pelos eleitores na pesquisa estimulada. Agora, com 18%, ele está atrás de Jair Bolsonaro (26%) e Michelle Bolsonaro (21%), ambos do PL. Mas Tarcísio, ao invés de refletir sobre seus próprios erros, preferiu culpar o PT, alegando ser vítima de uma campanha difamatória.

Nada mais previsível. Quando o espelho mostra as rachaduras, o instinto da extrema direita é sempre quebrar o espelho, não se olhar nele.

O fato é que a erosão da imagem de Tarcísio não tem nada a ver com o PT — e tudo a ver com ele mesmo. O governador de São Paulo tem acumulado atitudes impopulares, polêmicas, e moralmente indefensáveis. A começar pela defesa da anistia a Jair Bolsonaro, uma pauta rejeitada pela maioria dos brasileiros, segundo levantamentos recentes. Ao insistir nessa narrativa, Tarcísio tenta agradar o bolsonarismo radical, mas perde o eleitor moderado — justamente aquele que poderia sustentá-lo em uma eventual corrida presidencial futura.

Além disso, o governador foi peça-chave na articulação contra a MP das “Bets, Bancos e Bilionários“, a MP BBB, que visava taxar os lucros astronômicos das fintechs, das casas de apostas online e as grandes fortunas. A derrocada da medida foi comemorada pelo PL e por setores do capital financeiro, e — como revelou o Brasil 247 — Tarcísio recebeu o agradecimento público de Sóstenes Cavalcante – líder do PL – por ter ajudado a “derrubar a MP do governo Lula”. Batom na cueca, não é mesmo? Um gesto que deixou clara a sua opção: não governar para os brasileiros comuns, mas para o andar de cima.

Se isso não bastasse, a condução desumana e debochada do caso das mortes por envenenamento com bebidas alcoólicas adulteradas em São Paulo, expôs o lado mais cruel de Tarcísio, à semelhança de Bolsonaro, dizendo durante a pandemia de Covid 19, que não era coveiro e imitando, em um vídeo, pessoas se asfixiando por falta de oxigênio em Manaus.

Enquanto dezenas de pessoas eram hospitalizadas — algumas em estado grave — após ingerirem cachaças contaminadas com metanol, o governador fazia piada com a tragédia, dizendo que só iria se preocupar quando falsificassem coca-cola. Como assim governador? Depois Tarcísio se retratou, de certa forma se auto elogiando, mas o estrago – merecido – já estava feito.

As investigações da Polícia Civil de São Paulo confirmaram que três fábricas clandestinas e uma rede de distribuidores compravam etanol combustível adulterado com altas concentrações de metanol, chegando a até 45% do volume em algumas amostras. Essas substâncias foram usadas para fabricar bebidas falsificadas, responsáveis por diversas mortes por intoxicação, especialmente em São Bernardo do Campo e na capital. E aonde é que estava o governador? E o escândalo, também em São Paulo, da adulteração de combustíveis pelo PCC? O que fizeram para coibir isso? Se você não sabe, nós também não.​

Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) afirmou que o metanol utilizado poderia ter origem em estoques controlados por facções como o PCC. Entretanto, o governo paulista e o secretário Guilherme Derrite se apressaram a dizer que não há provas diretas de envolvimento da facção nas mortes recentes ou no fornecimento às fábricas clandestinas. Se eu entendi bem, não há provas diretas, É isso? Há provas circunstanciais? Ou é puro achismo político?

Um episódio de saúde pública trágico como esse esse seria suficiente para derrubar um secretário, convocar uma CPI e abalar a autoridade do chefe do Executivo estadual. Em São Paulo, Tarcísio fez piada com “coca cola”. E a população não perdoou.

O Canibalismo da Extrema Direita

O declínio da popularidade de Tarcísio não se explica apenas por sua própria arrogância. Ele é também reflexo do racha interno da extrema direita, que agora implode publicamente.

Como mostra o Diário do Centro do Mundo, Eduardo Bolsonaro está em rota aberta de colisão com Tarcísio. Eduardo, movido por ciúme político e por disputa de protagonismo dentro do clã, vê no ex-ministro da Infraestrutura um traidor potencial — um homem que se aproveitou do bolsonarismo para chegar ao poder e que agora tenta “limpar a própria ficha” diante do eleitorado de centro.

Enquanto isso, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, não esconde sua irritação com os Bolsonaros. Relatos de reuniões e conversas internas destacam esse tipo de desgaste no relacionamento: Valdemar tenta manter o controle do partido, enquanto os Bolsonaros, segundo aliados do próprio PL, “ameaçam incendiar” ou romper com a legenda sempre que contrariados.

Esse ambiente tóxico transformou a extrema direita em um campo minado. Cada facção luta por espaço, sabotando a outra. O que era um movimento coeso em torno de Bolsonaro em 2018 hoje se fragmenta em egos, traições e ressentimentos.

O Efeito Michelle e o Desmoronamento da Farsa Moral

A suposta “candidatura de Michelle Bolsonaro” à Presidência, por sua vez, parece completamente esvaziada. As revelações de Joice Hasselmann, publicadas em PolitikBr, deixaram claro que a ex-primeira-dama não tem condições políticas e nem morais de ocupar qualquer cargo relevante.

“Desde o auge do bolsonarismo, Michelle cultivou a persona de modelo evangélica, dedicada à família e às causas humanitárias. O choque se dá quando o verniz começa a rachar: Joice Hasselmann, ex-deputada federal e ex-aliada da família, resolveu expor aquilo que, segundo ela, “o público não sabe” sobre Michelle, ao conceder uma entrevista a um podcast que já soma dezenas de milhares de visualizações.” (PolitikBr)

“Joice revela que o arquétipo evangélico de Michelle seria totalmente fabricado para consumo da base conservadora: “Todo esse arquétipo de evangélica é tudo inventado… pode ser que ela tenha se arrependido, se convertido e tal, mas essa que se apresenta não é a Michelle que se conhece em Brasília, é outra coisa”. (PolitikBr)

Com a imagem da ex-primeira-dama em queda livre, o “projeto Michelle” como “cabeça de chapa à presidência em 2026” parece ter virado pó. E, com Bolsonaro condenado, inelegível e sem uma figura que o substitua, o bolsonarismo se vê diante do abismo: uma legião de seguidores sem liderança.

E o que Lula diz

Lula considera Tarcísio um candidato imposto por Bolsonaro para garantir indulto. Presidente avalia que governador paulista será lançado por Bolsonaro em 2026, com Michelle na vice

Recentemente Lula teria declarado que considera a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) à Presidência da República em 2026 o cenário mais provável.  Segundo ele, a chapa teria como vice Michelle Bolsonaro, consolidando a estratégia do ex-presidente Jair Bolsonaro de conseguir indulto e manter influência no cenário político nacional. A conferir. Mas muito pouco provável, diante de toda a antipatia que os Bolsonaro´s nutrem por Tarcísio. Mas quem mais no lugar de Tarcísio pela extrema direita? Caiado? Ratinho Junior? O insosso Romeu Zema? Então…Cada um tentando tirar vantagem desse momento de desorganização e incertezas que marca a extrema direita.

O Desespero da Oposição

Do outro lado do tabuleiro, Fernando Haddad é um dos nomes mais fortes do governo Lula. Apesar das sabotagens da oposição — que o próprio Haddad denunciou recentemente —, o ministro da Fazenda demonstra serenidade, resultados e um discurso racional que atrai investidores e modera o ambiente político.

A pesquisa Quaest confirmou: Lula lidera em todos os cenários para 2026, e isso explica parte do desespero que toma conta da extrema direita. Sem narrativa, sem unidade e sem candidato viável, lhes resta a vitimização — o velho truque de acusar o PT de tudo.

A oposição reclama, faz mimimi, do PT estar fazendo política às claras, não engabelando, de forma fraudulenta, o público. Em resposta à derrubada da MP BBB, que nós dissemos que daria mais uma bandeira política ao governo, o PT lançou um vídeo que está viralizando via grupos de whatsapp. Então, Tarcísio e companhia reclamam. Faça-nos favor. Chega a ser ridículo.

Tarcísio tenta vestir o figurino de vítima, mas o papel não lhe serve. Ele não é o perseguido — é o algoz de sua própria reputação.

O que assistimos, neste momento, é a implosão de um projeto autoritário que acreditava ser eterno. Tarcísio é apenas o sintoma mais visível de um movimento que se autoaniquila pela incoerência e pela arrogância.

A extrema direita implode porque não sabe governar, não sabe dialogar e, acima de tudo, não sabe reconhecer os próprios erros. Ao transformar o ódio em plataforma e a mentira em método, cavam a própria cova política. Eles nada entregam. Não tem projeto de país. Não tem nada a oferecer ao povo.

O PT não precisa atacá-los. Eles se destroem sozinhos — em público, nos bastidores, diante de um país cansado de farsas.

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