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Por PolitikBr I Brasília, Em 11/10/2025, 19h:27, Leitura: 9 min
Benjamin Netanyahu não fala mais apenas com tanques, drones e mísseis. Sua guerra também visa a manipulação da opinião pública — o campo de batalha das redes sociais. Em uma recente entrevista no podcast de Danny Haiphong a conclusão é que o sionismo abriu uma nova frente de guerra à medida que o desespero de Israel aumenta. O ex-analista da CIA Larry Johnson e os comentaristas geopolíticos Patrick Henningsen e Matt Kennard analisaram o que está precipitando essa escalada e o que isso significa para a região e para o mundo.
Após a fala para as paredes de Netanyahu na recente Assembleia da ONU, ele teria discutido com tiktoker´s, ainda no plenário, a necessidade de Israel “dominar” plataformas como o TikTok e o X (antigo Twitter), que, segundo ele, se tornaram “as armas mais importantes” da guerra moderna. E isso dito com naturalidade, sem constrangimento, como mostrado em um vídeo no podcast, o que só ratifica o que se sabe há muito tempo, mas que o sionismo tenta esconder: a sobrevivência do sionismo depende do controle da narrativa.
Desde a fundação de Israel em 1948, o mito da “autodefesa” e da “ameaça existencial” tem sido o combustível para justificar o inaceitável. A chamada Nakba, o êxodo palestino forçado, marcou o início dessa tragédia. Cerca de 750 mil palestinos foram expulsos de suas terras e mais de 15 mil mortos em massacres perpetrados por milícias judaicas, que destruíram mais de 500 vilarejos palestinos — um plano sistemático de limpeza étnica que pavimentou o nascimento de Israel. Desde então, o país vive sob o dogma de que a expansão territorial e o extermínio cultural e físico dos palestinos são “necessidades de segurança nacional”.
Da espada ao algoritmo
Em um momento emblemático do podcast, Netanyahu afirma sem rodeios:
“Temos que lutar com as armas que se aplicam aos campos de batalha em que estamos envolvidos. As mais importantes são as redes sociais. A plataforma número um agora é o TikTok. A outra é o X. Precisamos conversar com Elon, ele é um amigo.”
Essa confissão é mais do que um lapso — é um projeto político. O premiê israelense, acuado pelo isolamento internacional e pela repulsa e descrédito global, fruto do genocídio que Israel pratica sistematicamente em Gaza contra os palestinos, desde o ataque do Hamas em outubro de 2024, busca ampliar o controle parcial já existente sobre as redes sociais, amplificando ainda mais a influência ideológica do sionismo, manipulando algoritmos e mobilizando exércitos digitais para reconstruir a imagem de Israel e silenciar o horror da limpeza étnica diária em Gaza.
O controle dos meios de comunicação digital significa controlar o discurso e a opinião pública. Vejam. Com a pluralidade de youtuber´s, Tiktoker´s, e outros mostrando ao mundo os crimes de guerra que Israel promove impunemente, através de milhares de vídeos amadores e transmissões ao vivo — crianças soterradas, famílias dizimadas e hospitais bombardeados — a hegemonia da narrativa construída por décadas de propaganda falha. É desmascarada. Desaba sob o peso da verdade.
Se Netanyahu vier a controlar a moderação do tiktok, na operação de compra da subsidiaria americana da ByteDance, o que vem sendo tentado por Trump desde o seu primeiro mandato, certamente sob pressão sionista, ele poderá manipular e censurar os conteúdos que são desfavoráveis ao sionismo e amplificar a exposição dos conteúdos favoráveis à barbárie que Israel promove, legitimando esse horror que vem desde 1948, imposto, em especial, aos palestinos. O resultado é o que se quer: moldar, de novo, a percepção da sociedade americana à favor de Israel. Essa percepção hoje está abalada pelo extermínio, deliberado, que o sionismo promove metodicamente dia-a-dia contra mulheres, crianças, idosos, seja pela bala ou pela fome em Gaza. E controlar a opinião pública é controlar os políticos e a política.

Cabe ainda lembrar que a moderação da Meta é totalmente parcial. Na discussão com Danny se cita que há moderadores sionistas atuando no controle do que se publica. É notório que a Meta, de uma forma ou de outra, ou não publicita em igual forma e/ou mesmo censura conteúdo, em especial, quando falamos de política entre a esquerda e a direita/extrema direita, claro, a desfavor da esquerda, razão pela qual nós mesmos encerramos, em protesto, nosso perfil no facebook, quando nossos posts de artigos do blog passaram a ser objeto de censura explícita pela Meta. Hoje (11/10), em um grupo de whatsapp, algumas pessoas estavam mencionando que o Instagram estava impedindo comentários em uma postagem de um vídeo sobre palestinos. O que é isso se não censura?
Netanyahu sabe que perdeu a juventude global. Pesquisas recentes indicam que 60% dos jovens da geração Z nos EUA, hoje, simpatizam mais com a causa palestina do que com Israel. É um colapso moral e comunicacional sem precedentes.
A guerra das versões e o fantasma de Charlie Kirk
O desespero israelense por retomar o controle informacional se conecta a outro evento trágico: o assassinato de Charlie Kirk, nos Estados Unidos. Antes de ser morto, Kirk havia sugerido que os sionistas poderiam ter deliberadamente facilitado a incursão do Hamas em outubro de 2024, como pretexto para legitimar uma ofensiva ainda mais brutal contra Gaza.
Essa denúncia — explorada no artigo Larry C. Johnson: O assassinato de Charlie Kirk, o sionismo e as versões que desmoronam — abriu uma ferida profunda. A ideia de que Israel teria sacrificado deliberadamente civis para obter legitimidade bélica não é nova; é uma tática conhecida de regimes que vivem do medo e da manipulação emocional.
A propaganda como política de Estado
O sionismo nasceu de um mito de pureza e de um delírio de grandeza: o da “Eretz Israel”, a Terra Prometida do Nilo ao Eufrates. Essa visão messiânica, travestida de geopolítica, justificou décadas de ocupação, apartheid e extermínio. Como bem lembrou Bernie Sanders, em rara coragem política no Senado norte-americano:
“Netanyahu é um criminoso de guerra recebido por Trump.”
A frase ecoa como uma ruptura simbólica. Pela primeira vez um político judeu de projeção global, que se candidatou à presidência dos Estados Unidos, rompeu com o silêncio cúmplice da política americana que apoia e protege Israel, apoio sem o qual Israel não sobreviveria.
A blindagem política e midiática construída por décadas — com o apoio dos EUA, da OTAN e da mídia corporativa ocidental — começa a se desfazer. E isso apavora Netanyahu. A cada bomba lançada sobre Gaza, a cada criança morta, o discurso da “autodefesa” se revela mais e mais vazio, falso.
O fracasso do império digital sionista
Mesmo com bilhões investidos em propaganda, censura e parcerias tecnológicas — a exemplo da aproximação com Larry Ellison, bilionário fundador da Oracle e um dos principais financiadores das Forças de Defesa de Israel —, Netanyahu e seu círculo descobrem que o controle total é impossível.
Segundo Danny Haiphong, Israel gastou entre 120 e 150 milhões de dólares em campanhas digitais após os ataques de outubro de 2024, tentando “comprar” influência nas redes. Mesmo assim, foi superado por postagens pró-Palestina numa proporção de 16 para 1.
A verdade encontrou caminho, como a água que fura a rocha. Os jovens, descolados dos velhos paradigmas da guerra fria e da manipulação midiática, já não compram a narrativa do “único Estado democrático do Oriente Médio”. Vêem ali o que o mundo sempre soube, mas fingiu ignorar: um regime de apartheid, supremacista e teocrático, que usa o holocausto como escudo moral para justificar novos holocaustos.
A perda do monopólio moral
A ruptura com a opinião pública é irreversível. Hoje, até governos europeus que sempre sustentaram o sionismo começam a reconhecer, tardiamente, a solução de dois Estados. Não por altruísmo, mas por pressão popular e vergonha histórica.
No mês de setembro de 2025, na semana de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, Reino Unido, Austrália, Canadá, Portugal, França, Luxemburgo, Malta, Mônaco e San Marino reconheceram oficialmente o Estado palestino como soberano após o agravamento do conflito em Gaza. Portugal também já reconheceu, assim como a Espanha, isto é, uma pressão muito grande sobre Netanyahu.
Enquanto isso, Israel continua negando a solução de dois Estados e diz que lutará contra a pressão internacional.
O cessar-fogo com o Hamas, firmado recentemente por pressão internacional com a interveniência de Trump, é mais uma prova de que Israel não responde à diplomacia — responde à pressão e à exposição. Quando a barbárie é transmitida em tempo real, o império da mentira vacila. Mas não nos enganemos, o projeto nefasto sionista não se rende tão fácil, e a prova disso é a intenção do completo domínio da narrativa sonista via Tiktok e X.
Um sopro de esperança
O projeto sionista sobrevive há 75 anos graças à manipulação das narrativas. Da Bíblia à CNN, de Hollywood, ao Facebook e agora, ao X e ao TikTok, o enredo é sempre o mesmo: o povo escolhido, eternamente vítima, enfrentando bárbaros sem alma. Mas as horrendas imagens e vídeos dos assassinatos brutais em Gaza, os relatos desesperados de palestinos, os depoimentos e protestos de judeus não sionistas, estão rasgando o véu dessa falácia.
Netanyahu é desumano, louco, mas ardiloso. Ele agora tenta amplificar a batalha da desinformação digital. Mas como toda tirania, ela carrega, em si, o germe da própria ruína.
Esse artigo foi baseado em:
- Podcast de Danny Haiphong: https://youtu.be/UPbdYJfnL90?si=wqQ83YBPBXIWMhUY
- G1: Cessar-fogo começa a valer na Faixa de Gaza
- CNN Brasil: Ajuda humanitária começa a entrar em Gaza após cessar-fogo
- Política em Debate: O horror do genocídio em Gaza: o relato de um judeu ortodoxo contra o sionismo
- Política em Debate: Gaza: o horror da limpeza étnica
- Política em Debate: Bernie Sanders: Netanyahu é um criminoso de guerra recebido por Trump
- Política em Debate: Larry C. Johnson: O assassinato de Charlie Kirk, o sionismo e as versões que desmoronam





