Scott Ritter: O Plano de Paz de Trump, Sabotagem e a Queda de Zelensky

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Por PolitikBr I Brasília, Em 24/11/2025, 11h:00, leitura: 9 min

O Cenário: O Inverno Mais Sombrio da Ucrânia e o Plano de 28 Pontos

A entrevista concedida por Scott Ritter a Danny Haiphong pinta um quadro apocalíptico para a Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky, segundo a análise, enfrenta “um dos momentos mais difíceis da nossa história – da Ucrânia”. A escolha apresentada é existencial: capitular e perder a dignidade, ou arriscar a perda de um “parceiro-chave” – uma referência velada, mas inequívoca, a Donald Trump e seu governo.

Ritter não é um analista qualquer. Ele é um ex-inspetor de armas da ONU no Iraque, com vasta experiência em inteligência militar e assuntos de segurança internacional. Durante sua atuação na UNSCOM, ele ganhou notoriedade por sua postura incisiva e, por vezes, controversa, mas sempre fundamentada em dados técnicos. Sua carreira foi marcada por advertências precisas – como sua oposição à invasão do Iraque em 2003, baseada na certeza de que não havia armas de destruição em massa, uma posição que o tempo provou estar correta. Hoje, Ritter é uma das vozes mais respeitadas na análise geopolítica, especialmente no que tange às relações Rússia-Ocidente.

Nesse momento, o cerne da crise é o chamado “Plano de Paz de 28 Pontos”de Trump, para se tentar dar fim ao conflito entre o Ocidente coletivo/Ucrânia x Rússia, – que já abordamos no artigo A Geopolítica da Coação: O Acordo Secreto entre Trump e Putin – supostamente elaborado em negociações entre emissários de Trump, como Steve Witkoff, e o lado russo, representado por Kirill Dmitriev. Este plano, conforme Ritter, reflete “em grande parte a posição russa“. Ele não é uma oferta generosa, mas um ultimato baseado na realidade incontestável do campo de batalha.

A reação europeia, segundo Ritter, foi de pânico. A razão principal é que o plano não inclui as garantias de segurança da OTAN, que Kiev e seus aliados europeus desejavam.

A Europa, cuja elite política e econômica “amarrou seu futuro à Ucrânia“, vê o colapso iminente de Kiev não como uma derrota regional, mas como “o fim da Europa”. É o desmoronamento de um projeto estratégico que dependia da contenção da Rússia, através de uma guerra por procuração.

O Telegraph publicou o que seria um plano alternativo europeu para a paz, em que Vladimir Putin poderia regressar ao G8. A oferta foi feita em contraponto ao plano de Donald Trump, que favorece fortemente a Rússia. Então, se o Plano de Trump favorece fortemente à Rússia, por que Putin iria aceitar essa alternativa europeia? Não faz o menor sentido.

Qualquer proposta europeia será, em essência, reativa aos objetivos da operação especial Russa. Afinal, a OTAN é a promotora da tentativa de derrota estratégica da Rússia desde o fim da União Soviética, e, em especial, após 2014.

A matéria do Telegraph ainda cita que, após uma cúpula de emergência em Genebra, Marco Rubio, – secretário de Estado -, teria dito (23/11), que os Estados Unidos agora estavam “introduzindo algumas alterações” em seu plano de paz. Será? Ou é só uma “distração” aos líderes europeus, se verdadeira a declaração?

Entretanto, a Sputnik Brasil noticiou que Moscou nega ter recebido informações sobre essas negociações em Genebra.

“A Rússia não recebeu nenhuma informação sobre supostas negociações em Genebra com participação dos Estados Unidos, da Ucrânia e de países europeus, afirmou o porta-voz do Kremlin.

Segundo ele, Moscou desconhece o conteúdo do plano que teria sido elaborado durante esses contatos.

Peskov reiterou que o Kremlin considera impossível e incorreto discutir qualquer proposta norte-americana por meio da imprensa.”

A Realidade no Campo de Batalha: A Carnificina e o Fim da Capacidade Ucraniana

Ritter não poupa detalhes ao descrever a situação militar. A narrativa otimista ocidental desaba perante os fatos:

  • Baixas Catastróficas: A taxa de baixas, outrora estimada em 10 para 1, agora é “muito maior” ( Ritter, no artigo – PolitikBr – A derrocada da OTAN e o colapso europeu segundo Scott Ritter – cita baixas entre 10/1 e 15/1, mas outras fontes falam em até 25/1, contra os ucranianos). O exército russo domina “o campo de batalha de todas as formas possíveis”.
  • Aniquilação das Brigadas de Elite: Unidades treinadas pela OTAN, como a Brigada V Zenitsa, a 308ª Brigada de Fuzileiros Navais e uma Brigada de Assalto Aéreo, estão “permanentemente presas” e prestes a ser aniquiladas. A perda não é só de equipamento, mas de pessoal treinado e insubstituível. Os substitutos são recrutas arrastados para a linha de frente com treinamento mínimo, destinados a morrer.
  • Guerra Energética: A Ucrânia Perdeu: Os ataques ucranianos às refinarias russas, idealizados pelos britânicos e executados com drones furtivos de madeira, falharam em causar danos permanentes. A Rússia, um “posto de gasolina gigante com armas nucleares”, tem capacidade robusta de reparo. Em contrapartida, Ritter é categórico: “Os russos destruíram todas as principais instalações de geração de eletricidade na Ucrânia. Nenhuma está funcionando. Todas se foram.” A Ucrânia não tem capacidade de repará-las, e a Europa está em pânico tentando desviar energia para fornecer à Ucrânia.

Este inverno, portanto, não será apenas rigoroso; será o catalisador de um colapso social. Sem eletricidade, sem aquecimento e com a moral destruída, a coesão nacional ucraniana está à beira do abismo.

A Teia da Corrupção: O Açougueiro de Kiev e a Cumplicidade Ocidental

Ritter aborda a corrupção endêmica na Ucrânia com um cinismo elegante. Ele desmonta a fachada democrática de Zelensky, argumentando que a sua base de poder não é o amor popular, mas a facilitação da corrupção. O sistema ucraniano, assim como o americano em sua visão, opera na lógica do enriquecimento ilícito.

A revelação bombástica é que o ex-diretor da CIA, William Burns, teria voado até Kiev para confrontar Zelensky sobre o desvio de fundos. A mensagem, segundo Ritter, não foi de repreensão moral, mas de contenção de danos: “Você não pode pegar tanto. Vamos deixar você pegar… Acho que o valor era de 400 milhões de dólares.

É a confissão tácita de que Washington não só sabia da corrupção, mas a tolerava como um mal necessário para manter Zelensky no poder. Agora, com o vazamento de documentos que expõem essa corrupção, a legitimidade remanescente de Zelensky evaporou.

A visão de Ritter para o futuro de Zelensky é sombria: “Acho que ele vai receber o mesmo tratamento de [Ngo Dinh] Diem”, uma referência sinistra ao presidente sul-vietnamita que foi assassinado em um golpe, apoiado pelos EUA em 1963.

A Queda de Keith Kellogg e a Consolidação do Plano Russo

O plano de paz de 28 pontos vazou, e Ritter aponta o dedo para o general Keith Kellogg, ex-enviado de Trump à Ucrânia. Kellogg é descrito como “o sussurrador da Ucrânia no ouvido de Trump”; fornecedor de “todas as informações erradas”. Sua influência, no entanto, ruiu após o encontro entre Trump e Putin no Alasca – um momento de claridade, onde Trump foi confrontado com a realidade intransigente das demandas russas.

A ligação “difícil” entre o senador Marco Rubio e Sergey Lavrov teria sido o golpe de misericórdia. Lavrov, abandonando a diplomacia, teria dito a Rubio para “parar de ouvir Keith Kellogg e todas as outras pessoas estúpidas“. A mensagem era clara: a Rússia não negocia suas condições fundamentais. Kellogg, exposto como “um mentiroso, ou completamente estúpido e incompetente, ou ambos”, foi descartado por Trump.

Ritter, ao dizer que Kellogg teria vazado o plano para sabotá-lo, aponta para um ato que classifica como traição; e que ele mereceria ser punido com a execução.

O Contraponto Cínico: A Negação de Marco Rubio

Neste contexto, a notícia veiculada sobre o secretário Marco Rubio, pelo Telegraph,  conforme já mencionamos, ganha um significado profundo, se não for mais um jogo de intriga e manipulação. Rubio teria afirmado que o plano de 28 pontos “não é dos EUA”, mas sim um reflexo dos “desejos da Rússia“. Esta declaração, longe de ser uma revelação, é a peça-chave na estratégia de sabotagem? Tudo é possível.

No entanto, como Ritter cita, o plano efetivamente reflete a posição russa, porque Moscou detém a iniciativa estratégica.

A Inevitável Vitória Russa e a Impotência Europeia

Ritter, estando em Moscou, traz um testemunho crucial: o povo russo está “cansado da guerra, mas determinado a não haver paz sem vitória”. O apoio a Putin é maciço, e a oposição interna se alinha ao líder em tempo de guerra, por patriotismo.

Enquanto isso, a Europa é retratada como um gigante de pés de barro. Ritter desmonta qualquer noção de intervenção militar europeia:

  • França: Consegue projetar apenas 2.500 soldados – irrelevantes no campo de batalha ucraniano.
  • Reino Unido: “Não tem um exército“. Sua artilharia autopropulsada foi toda enviada e destruída na Ucrânia.
  • Alemanha: Suas forças armadas são uma “instituição quebrada“, e apenas 16% da população lutaria para defender o próprio país.

A ameaça europeia de uma força militar na Ucrânia é um blefe, e Trump, segundo Ritter, tem todas as cartas na mão. “A OTAN não é nada, é disfuncional. É apenas um enorme desperdício de dinheiro“, disse ele.

A Rússia, por sua vez, não está apenas vencendo no campo de batalha. Ela sobreviveu e se adaptou a um “ataque de amplo espectro” de sanções e russo fobia. E, crucialmente, detém a capacidade da escalada estratégica.

Ritter menciona o desenvolvimento de mísseis de alcance intermediário, como o Iskander-S e possíveis variantes do 9M729 (Novator), que poderiam atingir profundamente o território europeu. É um poder de fogo contra o qual a Europa não tem defesa.

O Fim do Jogo

A análise de Scott Ritter não é uma opinião; é um diagnóstico. O plano de paz de Trump, por mais que seja negado ou sabotado, é o único desfecho realista, porque é um espelho da correlação de forças.

A Ucrânia está militarmente derrotada, economicamente arruinada e politicamente corrompida por dentro.

A Europa é irremediavelmente dependente dos Estados Unidos e militarmente impotente. A Rússia, apesar do custo, vence de forma decisiva.

Quanto à Zelensky ele se encontra no “olho” de um furacão, um líder cujo mandato expirou junto com a sua utilidade para os patrocinadores que agora o consideram um incômodo. Seu destino parece selado. O “inverno mais rigoroso” do qual ele fala não é apenas meteorológico; é o inverno geopolítico que se abate sobre um projeto ocidental que fracassou. O acordo pode ser desfeito em público, mas nos bastidores, a rendição é a única opção que lhe resta.


Esse artigo foi baseado em:

  1. https://www.youtube.com/watch?v=I28JPtF1lKk
  2. https://midiamax.com.br/mundo/2025/rubio-diz-conversa-senadores-americanos-plano-ucrania-nao-eua/
  3. https://politicaemdebate.org/2025/11/22/a-geopolitica-da-coacao-o-acordo-secreto-entre-trump-e-putin/
  4. A Queda de Prokovsk e a Manipulação da Informação – PolitikBr
  5. PolitikBr – A derrocada da OTAN e o colapso europeu segundo Scott Ritter
  6. Europe agrees to invite Putin back into G8
  7. Moscou nega ter recebido informações sobre negociações em Genebra – 24.11.2025, Sputnik Brasil

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