Lula: o Legislativo transformou o STF em “balcão de solução” dos próprios fracassos políticos

Em entrevista ao SBT Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desmontou o discurso fácil da judicialização e expôs a principal crise institucional do país: quem apela ao Supremo não é o Judiciário que quer interferir, mas o Congresso e políticos incapazes de resolver seus próprios conflitos. Essa visão é sobre o oportunismo parlamentar: “A política está judicializando a política. E o Judiciário está judicializando a política. Cada macaco no seu galho”, declarou Lula.

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Por PolitikBr I Brasília, Em 06/09/2025, 18h:24, Leitura: 3 min

STF: de guardião constitucional a árbitro dos embates parlamentares

Lula sublinha que “o problema de a Suprema Corte estar envolvida com questões políticas é porque a política é responsável por isso”. Toda vez que perde uma tese ou não consegue aprovar um projeto, o Congresso terceiriza suas crises e busca abrigo judicial, transferindo a responsabilidade das decisões políticas para o STF. Essa dinâmica viciada faz com que ministros como Alexandre de Moraes assumam protagonismo e obrigações constitucionais que deveriam caber ao Legislativo, acumulando funções além do saudável para a democracia.

Sobre Alexandre de Moraes: atribuição, não perseguição

O presidente foi crítico ao comparar Alexandre de Moraes com o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro, símbolo da Lava Jato: Diferente de Moro — que segundo Lula, arquitetou uma perseguição judicial apoiada por parte da imprensa corporativa e setores do Ministério Público — Moraes, ao conduzir o julgamento de Bolsonaro e aliados golpistas, age por atribuição constitucional, respondendo às investidas dos próprios políticos. “Ele tem mais obrigações constitucionais numa tarefa diferente da minha. Não tem mais força; tem mais atribuições”, pontua Lula.

Anistia: quem pede antes do julgamento, assume culpa

Outro ponto ácido é a crítica à estratégia de Bolsonaro e seus cúmplices, que clamam por anistia antes mesmo do julgamento final no STF. Para Lula, pedir perdão antecipado equivale a autoconfissão: ao invés de provarem inocência, buscam escapar das consequências.
Quem pede anistia antes, assume a culpa e mostra que não acredita no próprio discurso. O cidadão governou mentindo e agora pede anistia antes do julgamento, como se já fosse condenado”, dispara Lula, ironizando a postura de Bolsonaro.

O papel dos poderes: “cada um no seu galho”

Lula encerra dizendo que o Brasil só voltará à normalidade institucional e democrática quando Executivo, Legislativo e Judiciário cumprirem rigorosamente seus papéis e limites. Nada de panos quentes, terceirizações ou chantagens. O “Judiciário julgue, o Legislativo legisle, e o Executivo execute. Se cada macaco ficar no seu galho, o país se reorganiza”, resume o presidente — um convite à responsabilidade institucional e ao fim da hipocrisia política.

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