Javier Milei, até ontem o paladino da cruzada anticorrupção e do “choque de gestão” neo liberal, vê seu castelo desmoronar a olhos vistos. Áudios explosivos revelaram que sua irmã e braço direito, Karina Milei, secretária-geral da Presidência, está no epicentro de um esquema de corrupção milionário, que envolve contratos de aquisição de medicamentos públicos, ao lado do aliado Eduardo “Lule” Menem. O governo, pego em flagrante, tenta abafar, mas a Justiça investiga e as evidências só aumentam.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 05/09/2025, 07h:51, Leitura: 2 min
A hipocrisia de Milei e o escândalo Karina
Por meses, Milei se vangloriou nas redes sociais e nos palanques: “No meu governo, não há corrupção; aqui acabou o toma-lá-dá-cá.” Agora tem de se explicar: áudios atribuídos ao ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência, Diego Spagnuolo, mostram Karina cobrando propinas de até 3% dos contratos e embolsando valores que chegam a 500 mil dólares mensais. O esquema, que tem nomes e cifras, envolve desde indústrias farmacêuticas até nomeações políticas, tudo sob o aval do círculo mais íntimo do presidente.
Milei acuado: popularidade despenca, Congresso reage
No auge da crise, Milei viu o Congresso derrubar um veto presidencial a um projeto de ampliação dos gastos e proteções para pessoas com deficiência. O Senado e a Câmara reprovaram sua postura: 63 votos a 7 contra Milei, em decisão histórica motivada pelo desgaste do escândalo de corrupção. Tão chinfrim. Tão igual a tantos e tantos outros.
O governo, sempre fiel à política de austeridade fiscal que vem fracassando, com a anunciada intervenção no câmbio para freiar a disparada do dólar; e que tem como resultado o empobrecimento generalizado da população, alegava risco fiscal para negar direitos a pessoas vulneráveis — mas não hesitou em blindar o gabinete corrupto.
Resultado: Milei, sem base, perdeu o apoio até de setores antes aliados. Em campanha, virou alvo de pedradas e teve de abandonar eventos públicos cercado por protestos e panelaços.
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Irmã e chefe de gabinete: da confiança absoluta ao centro da denúncia
Karina, chamada de “Chefe” e principal conselheira do presidente, está envolvida em todas as decisões políticas relevantes, desde nomeações até articulações partidárias. A denúncia abala o núcleo do poder: parte dos áudios revela que Milei sabia da situação e preferiu ignorar, alimentando o velho ciclo da impunidade e da hipocrisia política.
A investigação é federal, já houve apreensão de dólares em espécie, buscas judiciais e abertura de CPI no Parlamento.
Milei no fio da navalha eleitoral
O escândalo ocorre a dias das eleições legislativas em Buenos Aires e a menos de dois meses das eleições federais. Analistas de oposição e até antigos aliados apontam que, sem ampliar a base parlamentar, Milei corre o risco de naufragar, sendo absorvido pelo lamaçal de escândalos e derrotas políticas.
Milei, ícone do “caos ordenado”, repete a velha política — trocando princípios por blindagem familiar. O discurso anticorrupção desmorona no primeiro teste de poder. Quem defende austeridade para o povo, mas tolera propina no gabinete, não é novo, é apenas mais um capítulo do retrocesso latino-americano.
Referências usadas nesse artigo:
Congresso argentino derruba veto de Milei e amplia tensão política
Escândalo de corrupção envolvendo irmã ameaça popularidade de Milei no Congresso | WW (vídeo)