O relator da ação penal que julga Bolsonaro e mais sete réus pela tentativa de golpe de estado contra Luís Inácio Lula da Silva, o vencedor das eleições presidenciais de 2022, ministro Alexandre de Moraes, abrirá na próxima terça-feira (9) a fase decisiva do julgamento no STF. Todos os olhos estão voltados para o seu voto, esperado como um dos mais extensos e contundentes da história recente — e prenunciado por recados diretos à elite política: “A impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação.”
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Por PolitikBr I Brasília, Em 05/09/2025, 19h:40, Leitura: 3 min
O voto de Moraes: recados para quem apoia impunidade
Nas palavras do ministro, a pacificação do país passa pelo respeito à Constituição e pelo fortalecimento das instituições — e não pelo perdão oportunista que só protege criminosos. Moraes já deixou claro que punir os golpistas é condição para garantir a soberania nacional, rechaçou pressões externas e internas e desqualificou tentativas parlamentares de interferir no julgamento.
Seu voto vai rebater indiretamente a tese da anistia defendida pelos bolsonaristas, apontando que qualquer pacificação baseada na impunidade é covardia institucional, que cicatriza a sociedade com traumas e abre espaço para novas tentativas de ruptura democrática.
O papel da defesa: negacionismo e acrobacias jurídicas
Bolsonaro e os demais réus tentam desqualificar as provas, minimizar a participação do ex-presidente, alegar que não há conexão entre ele e os planos golpistas, e atacar a delação de Mauro Cid — tachada de “mentirosa” pela defesa de Bolsonaro, que pede sua anulação e a exclusão dos depoimentos.
Outros réus alegam cerceamento de defesa, falta de tempo para analisar provas, e tentam dissociar suas trajetórias do núcleo central golpista. O script é previsível: negar autoria, transferir culpa, pedir o impossível — absolvição ou anulação do processo.
A gravidade do julgamento
O voto de Moraes, na terça, deve tratar em profundidade dos aspectos preliminares, rebater cada argumento das defesas, analisar o mérito das acusações (envolvendo o plano “Punhal Verde e Amarelo”, minuta do golpe, sequestro e homicídio de autoridades, tentativa de ruptura democrática e os atos de 8 de janeiro).
O STF, com sua Primeira Turma (Moraes, Zanin, Dino, Fux, Cármen Lúcia), pode condenar os réus a penas entre 30 e 40 anos de prisão. O julgamento já concentra enorme repercussão social, midiática e internacional, com tentativas de interferência sendo diretamente repelidas pelo Relator.
Alexandre de Moraes está prestes a marcar a história: um voto que não será apenas uma sentença, mas uma reação firme à corrosão institucional, à tentativa de golpe e ao cinismo dos que pedem pacificação baseada em anistia e omissão.
Se prevalecer, abrirá caminho para punição exemplar dos golpistas e uma nova página na defesa da democracia brasileira.
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