EUA vão fracassar como líderes energéticos em gás natural: o gás russo-chinês, o desastre ambiental do shale oil e as sabotagens de Washington

Na corrida pelo domínio energético global, os planos dos EUA de se tornar o maior fornecedor de gás natural do planeta acumulam fracassos e contradições. Enquanto a Rússia consolida parcerias estratégicas com a China, expandindo gigantescos projetos de gasodutos, Washington recorre à sabotagem, à retórica de medo e à oferta de um produto caro e poluidor — tudo para tentar estancar a perda de influência na Europa e na Ásia.

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Por PolitikBr I Brasília, Em 03/09/2025, 19h:56, Leitura: 5 min

Parcerias Rússia-China: gás barato, confiança estratégica

A China ultrapassou a Europa como maior consumidora de gás russo a partir de 2024, com acordos bilionários e infraestrutura de ponta: o gasoduto Power of Siberia é o expoente máximo dessa cooperação, prometendo volumes crescentes e preços drasticamente mais baixos que o gás americano liquefeito. Enquanto Washington faz lobby e ameaça sanções, Pequim e Moscou firmam contratos de longo prazo e selam uma parceria estratégica, energética, e mutuamente benéfica, blindando suas economias das chantagens americanas.

A ambição de Washington em se tornar o maior fornecedor de gás do planeta encontra obstáculos que não podem ser escondidos sob slogans patrióticos ou bravatas geopolíticas. A realidade é que os Estados Unidos enfrentam a parceria estratégica entre a Rússia e a China, que promete remodelar o mercado energético mundial e, com ele, os alicerces do próprio poder americano.

O gás russo: preço e logística imbatíveis

O gás russo vendido à Europa e a Ásia chega por gasodutos, sem custos de liquefação, embarques marítimos e regaseificação — fatores que elevam o preço do Gás Natural Liquefeito (GNL) dos EUA a até 5 vezes o valor do gás russo. Na Europa, o Nord Stream 2 prometia energia estável e barata, sabotada em um primeiro momento por pressões políticas por Washington, com a retórica de “segurança”, acompanhadas de ações de pressão direta — inclusive admitidas por Trump, que usou o projeto como instrumento de coerção na relação com Berlim.

Não à toa, os EUA sempre viram o gás russo como ameaça direta. O Nord Stream 2, pronto para entrar em operação e já em fase de qualificação entre a Rússia e a Alemanha, foi parcialmente destruído em alguns pontos, em setembro de 2022, – governo Joe Biden- e o atentado permanece como símbolo máximo da política energética agressiva de Washington. Agora, o próprio Donald Trump admitiu em conversa com o chanceler alemão que os EUA tinham interesse direto em “interromper a dependência da Europa ao gás russo”.

Na verdade a sabotagem ao Nord Stream 2 permanece ainda sem admissão de culpa nem pelos EUA e muito menos pela Europa. Mas se sabe que foi sabotagem do consórcio EUA-Noruega, e talvez algum outro país, como a Suécia ou a Finlândia, os reais responsáveis pela destruição de parte do gasoduto usando explosivos de detonação remota, provavelmente plantados por sabotadores dos EUA, quando de exercícios navais no mar Báltico.

As críticas de Trump ao Nord Stream 2 e as sanções americanas são parte de uma “guerra suja” para manter o gás caro e poluente dos EUA competitivo frente ao produto russo, derrubando injustamente a concorrência russa, e com isso destruindo a antes pujante indústria Alemã, que, submissa aos interesses americanos se vê em acelerada decadência industrial pela perda de competitividade, em função dos crescentes custos energéticos industriais.

Washington não hesita em recorrer à sabotagem, admitida por Trump, e à narrativa do “perigo russo” como ferramentas para blindar seus interesses corporativos — sacrificando a segurança energética de seus aliados e a estabilidade ambiental global.

Essa confissão não apenas reforça a autoria da sabotagem, mas confirma que o gás virou arma de coerção geopolítica, não instrumento de cooperação.

Em meio à escalada das tensões comerciais e das sanções unilaterais impostas pelos EUA, a China já não importa gás americano há mais de seis meses. Pequim deixou claro: não alimentará um adversário que a ataca em múltiplas frentes. Com isso, se abre espaço ainda maior para o gás russo, que já flui pelos gasodutos Força da Sibéria 1 e, em breve, pelo Força da Sibéria 2, consolidando Moscou como principal fornecedor da segunda maior economia do mundo.

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Shale gas: caro, poluidor e decadente

Nos EUA, a extração de gás por fraturamento hidráulico vem sendo denunciada por cientistas e comunidades locais como uma verdadeira bomba ambiental. Além dos elevados custos de produção, seus impactos incluem contaminação dos mananciais de água, vazamentos permanentes de metano e devastação do solo. Estudos apontam que em regiões como o Texas e a Pensilvânia, milhares de poços abriram feridas ambientais difíceis de remediar, levando a prejuízos anuais de dezenas de milhões de dólares à sociedade local.

O cenário é adverso, sob todos os aspectos, para as ambições americanas em se tornar um player de peso no mercado mundial de gás. Além disso, o gás de xisto enfrenta pressões regulatórias internas, protestos ambientais e leis estaduais que dificultam a expansão de novas fronteiras produtivas.

O fracasso americano: preço alto, mercado perdido e isolamento estratégico

Rússia e China, parceiros do BRICS, aliadas a outros parceiros regionais como a Índia, erguem um império energético baseado no petróleo e gás baratos, confiável e estável via gasodutos, enquanto os EUA veem seu GNL caro encalhar nos terminais asiáticos e europeus, acumulando prejuízos e retaliações diplomáticas.

A expansão da parceria energética russo-chinesa sinaliza não só o colapso dos planos americanos de liderança energética no futuro, como evidencia o esgotamento do modelo poluidor e caro do shale gas.

No fim, os EUA pagam pelo duplo fracasso: tendem a perder mercado e enriquecem os seus principais rivais — tudo pela arrogância e pelo desastre ambiental made in USA.

Referências usadas nesse artigo:

https://noticiabrasil.net.br/20250903/expansao-do-gas-russo-a-china-ameaca-lideranca-energetica-dos-eua-diz-midia-42906561.html

Trump proíbe gasoduto russo; a Europa reage – OPEU

Trump: ‘fui eu quem interrompeu o Nord Stream 2’ — RT Brasil

Edicao_11_Matavelli_Juliana_Meira.pdf (SHALE GAS – ASPECTOS QUÍMICOS, AMBIENTAIS E
ECONÔMICOS NOS ESTADOS UNIDOS)

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