Moraes diz que ‘novo populismo extremista’ ameaça a democracia

O discurso de Alexandre de Moraes na abertura da 23ª Semana Jurídica do TCE-SP foi mais do que uma palestra: foi um recado direto aos que ainda sonham com aventuras golpistas. Relator da trama golpista de 8 de janeiro de 2023, Moraes relembrou o ataque à democracia e cravou que a Constituição de 1988 deu um basta definitivo ao golpismo e ao uso político — oficial ou paraoficial — das Forças Armadas. O ministro reconheceu erros e acertos das instituições, mas destacou que, por ser colegiado, o Supremo – STF – tende a errar menos: “uns corrigem os erros dos outros”.

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Por PolitikBr I Brasília, Em 12/08/2025, 07h:49

O evento, que já estava no calendário jurídico, acabou se transformando em um ato de desagravo. Convidados ilustres como o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, ambos aliados de Bolsonaro, preferiram marcar compromissos paralelos para não cruzar com Moraes. A ausência deles, porém, foi compensada pelo apoio público de ministros, professores e juristas, que enalteceram a coragem e a determinação do relator diante de ataques internos e externos — inclusive das sanções do governo Trump e das pressões da extrema direita.

Moraes foi incisivo ao identificar o inimigo: o “novo populismo extremista” que se alimenta das desigualdades sociais para vender críticas vazias e prometer soluções que jamais entrega. Para ele, esse discurso encontrou terreno fértil graças à hiperexposição da informação, que também potencializou as narrativas antidemocráticas e o ataque coordenado às instituições republicanas.

A fala de apoio mais marcante veio do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, que afirmou que a democracia brasileira “não está salva” e que o país “deve muito” à postura firme de Moraes. Citou, sem rodeios, que ameaças à vida do ministro e de seus familiares não o fizeram recuar: “Quem tem sentido de missão paga um preço alto, mas não cede”.

Também a vice-diretora da Faculdade de Direito da USP, Ana Elisa Bechara, reforçou que o STF está às vésperas de um julgamento “previsível e racional” sobre Bolsonaro, e que não faltou ao ex-presidente o devido processo legal. Criticou, ainda, “narrativas oportunistas” e “intromissões externas indevidas” — recado claro aos EUA.

Em um momento de polarização extrema, Moraes e o STF se mantém firmes: não há espaço para o golpismo nem para chantagens travestidas de debate político. A democracia brasileira, jovem e ainda vulnerável, precisa ser defendida diariamente. E, gostem ou não seus detratores, Alexandre de Moraes se colocou na linha de frente dessa defesa.

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