Boicote no Canadá Desafia Tarifas de Trump e Impacta os EUA

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A arrogância imperialista de Donald Trump começa a causar uma reação de indignação que já se espalha em cadeia. Além da já conhecida e absurda ameaça de anexação do Canadá, Trump vem duelando com o premiê canadense a respeito das sanções impostas pelos Estados Unidos. A reação canadense tem a seu lado o patriotismo de um povo orgulhoso, que vem respondendo com dignidade muito além da diplomacia oficial: boicote aos produtos e ao turismo americanos.

Nós brasileiros devemos reagir da mesma forma, mas ao contrário de lá a população brasileira não terá a seu lado parte substancial do parlamento. Eu me refiro aos “vira-latas”, como bem citou o jornalista Reinaldo Azevedo, que se submetem à Trump contra o povo e a democracia. Claro que me refiro à bancada de parlamentares bolsonaristas na Câmara dos Deputados e do Senado. Gente sem a mínima vergonha em se posicionar contra o seu próprio país.

Por PolitikBr I Brasília, Em 06/08/2025, 17h:57

Trump e Sua Obsessão Imperial: Um Recado Que Caiu no Vazio

Insistir em sanções econômicas e na anexação do Canadá, um vizinho historicamente aliado e parceiro comercial dos EUA, é o ápice do delírio megalomaníaco de Trump. A intenção de Trump, bravata ou não, desencadeou, de imediato, a fúria legítima do povo. Os consumidores canadenses começaram a rejeitar os produtos americanos, transformando suas carteiras em instrumentos de protesto, em um movimento que se alastrou pelo país. Lá não parece haver “vira-latas” como aqui.

Boicote Como Resistência: Os Canadians Não Aceitam Ser Pisoteados

Não se trata de mera discussão política entre governos; está acontecendo nas prateleiras dos mercados. Em Toronto, as lojas exibem orgulhosas as bandeiras do Canadá ao lado dos produtos nacionais, enquanto os consumidores evitam conscientemente os produtos dos EUA. Redes como o Vince’s Market já notam uma queda drástica na preferência pelos produtos americanos — e com razão: a população não está disposta a financiar um governo que aposta na intimidação e na coerção econômica, de forma claramente colonial.

A resistência se mostra firme. O percentual de consumidores que opta por produtos canadenses em detrimento dos americanos cresceu exponencialmente. Onde era normal encontrar frutas frescas e produtos norte-americanos, agora predominam alternativas do próprio país ou de outros mercados internacionais, como França, Austrália e Nova Zelândia.

Impacto Econômico: Muito Além do Simples Boicote

As tarifas impostas por Trump, inicialmente vistas como uma manobra política, tiveram um efeito reverso para os Estados Unidos. Os canadenses não só agora boicotam os produtos americanos, como também mudam seus hábitos de viagem. As reservas feitas por turistas para visitarem os EUA despencaram, o comércio de fronteira desabou, e o prejuízo estimado pode alcançar até 90 bilhões de dólares em 2025.

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Não é exagero: as medidas protecionistas de Trump estão cavando um buraco ainda maior no próprio bolso dos americanos. As marcas tradicionais, como Coca-Cola e Lays, tiveram que se esforçar para reafirmar sua “canadensidade” nos rótulos, enquanto bebidas alcoólicas americanas foram excluídas das prateleiras — uma resposta clara e reta da população ao desrespeito. Às bebidas, como vinhos americanos produzidos na Califórnia, o Canadá impôs, uma tarifa de 25%, os tornando não competitivos em relação a vinhos como os da África do Sul e outros países.

O Canadá à Procura de Alternativas: União Europeia e BRICS

Após a imposição das tarifas punitivas e da retórica de anexação norte-americana por Trump, o Canadá deu sinais claros de buscar alternativas ao tradicional alinhamento com Washington. Entre os desdobramentos recentes, Ottawa iniciou consultas formais e informais à União Europeia, motivada pela crescente hostilidade e pela necessidade de ampliar suas opções de integração internacional diante do isolamento impulsionado pela caótica governança do presidente de extrema direita americano.

Entretanto, por mais que exista grande simpatia recíproca — com o Canadá sendo frequentemente chamado de “o mais europeu dos não europeus” devido à sua herança bilíngue e instituições similares às do velho continente —, Bruxelas rapidamente deixou claro que a adesão do Canadá à União Europeia é inviável do ponto de vista legal, segundo o artigo 49º do Tratado da União Europeia, que restringe a adesão à UE de somente Estados “europeus”. Apesar disso, pesquisas recentes registram que 44% dos canadenses apoiariam esse ingresso como reação ao endurecimento das relações com os EUA, e 46% manifestaram apoio mais geral à aproximação com a UE, inclusive por meio de laços comerciais ainda mais profundos.

Em meio a este cenário de tensão, as notícias mais recentes apontam para o interesse canadense em relação ao BRICS. O bloco — considerado por Trump e setores do establishment norte-americano como “inimigo” dos EUA pela busca de alternativas ao dólar e à hegemonia unipolar de Washington, que Trump tenta recuperar de forma insana e irresponsável — tem sido olhado por Ottawa como uma opção pragmática de diversificar acordos e ampliar seu espaço no tabuleiro das decisões globais. Não por acaso, especialistas veem no BRICS uma plataforma cada vez mais atraente para países descontentes com os mecanismos ocidentais tradicionais.

Ainda não há confirmação oficial do interesse canadense em fazer parte do BRICS. O assunto é sensível demais, mas fontes diplomáticas apontam intensas consultas de bastidores a respeito do ingresso, pelo menos, em status de país “parceiro”, modalidade inaugurada em 2024 aberta a economias estratégicas e colaborativas. Isso sinaliza a disposição do Canadá em questionar a dependência do eixo Washington-Bruxelas e representa um passo adiante ao mundo multipolar, como resposta aos ataques e ameaças de Trump.

A reação de Washington ao interesse canadense em relação ao BRICS foi agressiva. Trump advertiu — publicamente, como ele costuma fazer de forma espetaculosa — o Canadá contra qualquer tentativa de Ottawa ou de outros aliados tradicionais de se integrarem ao bloco, ameaçando tarifas ainda mais elevadas e medidas retaliatórias. Será que os EUA tem esse poder todo de impor tarifas sem limites sempre que ameaçados? Ao invés da “bala” e dos “mariners” usar a arma da coerção econômica? A realidade da economia americana que só “vende” ao mundo basicamente “serviços digitais” e não “produtos tangíveis” mostra que não. De toda forma, a postura truculenta de Trump só impulsionou o debate interno canadense sobre a necessidade de alternativas que não passem pela tutela norte-americana. Como disse o presidente Lula: “Não é correto. Ele (Trump) precisa saber que o mundo mudou, nós não queremos imperador, nós somos países soberanos”. Trump, megalomaníaco, parece tentar personificar essa personagem imperial, em suas ações pros holofotes das redes sociais e das mídias corporativas.

A Longa Sombra do Movimento Anti-Trump

O boicote espontâneo do cidadão canadense traduz um sentimento mais profundo — não apenas contra tarifas ou políticas econômicas, mas contra o autoritarismo disfarçado de liderança. O Canadá mostra que não aceita ser domesticado pelos EUA, e que não engole chantagens e ameaças. Assim como se tem posicionado, de forma firme, países como a China, a Rússia, o Brasil e a Índia, agora sancionada em 50% por comprar petróleo Russo. Reparem que todos os países citados são membros fundadores do BRICS. A desesperada cruzada de Trump é direcionada ao BRICS. E fadada ao fracasso.

Até marcas globais, como a Tesla, sentem o impacto do desgaste da imagem americana, o que vai muito além da política e percola até o comportamento do consumidor nos mercados globais. Quem vem se aproveitando disso é, em especial, a China. As vendas da Tesla, até há pouco líder inconteste do mercado de carros eletrificados, despencaram e continuam caindo, mesmo após a saída de Musk do governo Trump, o que sinaliza que o mundo está farto da arrogância e da prepotência dos americanos. O futuro esboça uma realidade difusa, não mais centrada nos EUA de pós guerra, e focada em relações de respeito mútuo. O estúpido e prepotente Trump não enxerga ou não admite isso. Ele se vê ainda em 1944. Em Bretton Woods.

O Fim da Era do Império Hegemônico

O boicote canadense é um ato político, social e econômico poderoso contra o estilo truculento dos EUA. É a clara resposta de que o poder unilateral e as ameaças não se sustentam diante do orgulho, da soberania e da ação coordenada dos povos.

O Canadá diz um sonoro “não” às imposições descabidas, e o Brasil, a Europa e outros países observam atentos, jornalistas como Reinaldo Azevedo que denunciam os impactos corrosivos do trumpismo brasileiro. Enquanto isso, o gigante americano assiste—quase impotente—à erosão de sua influência pela força de consumidores e cidadãos que não aceitam mais ser tratados como súditos.

Este artigo foi baseado em:

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