PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.
Vladimir Putin voltou a elevar o tom da ameaça nuclear global. Em conferência ao lado do aliado Lukashenko, de Belarus, o presidente russo anunciou a produção em massa do míssil hipersônico Oreshnik, de alcance até 5.500Km e velocidade 10 a 12 vezes maior que o som, capaz de portar ogivas nucleares e atingir qualquer país integrante da OTAN em menos de 17 minutos. O projeto, segundo o Kremlin, prevê a instalação imediata dessas armas em Belarus — a poucos minutos de voo dos centros europeus e da sede da aliança ocidental em Bruxelas.

Por PolitikBr I Brasília, Em 04/08/2025, 18h:24
O Oreshnik foi utilizado de forma experimental contra um alvo ucraniano em 2024, causando uma destruição sem precedentes. O míssil foi disparado da Ásia Central e destruiu uma imensa fábrica de natureza metalúrgica em Dnipro. Ele é dotado de 06 ogivas principais que se dividem cada uma em mais 06, totalizando 36 projéteis independentes, para ataque a múltiplos alvos, em velocidade mach 10 a 12, que ao atingir o objetivo causa uma imensa destruição, pulverizando mesmo bunker´s reforçados subterrâneos, construídos à grande profundidade. O míssil que atingiu Dnipro não usou carga explosiva. O efeito destruidor foi o da energia cinética – Ec = mv²/2, onde ‘m’ é a massa da ogiva e ‘v’ é a sua velocidade – do projétil (projétil cinético). A mídia estatal russa, em tom de puro deboche, lembra que bastariam 11 minutos para o míssil chegar a uma base aérea na Polônia, e 17 minutos para atingir Bruxelas, sede da OTAN — um recado explícito à Europa e aos EUA sobre os riscos insanos de qualquer escalada.
Retórica nuclear e a doutrina do “Mão Morta”
A escalada de tensões entre os EUA e a Federação Russa ocorre após troca de ameaças entre Trump e o ex-presidente russo Dmitry Medvedev. Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia desde 2020, respondeu ao ultimato – inócuo – de Trump sobre a imposição de mais tarifas pelos americanos à Rússia (caso Moscou não avance em direção a um cessar fogo na Ucrânia em 10 dias), recordando que Moscou dispõe do sistema “Mão Morta” : uma máquina do juízo final; de retaliação nuclear automática projetada para lançar um bombardeio nuclear intercontinental devastador, mesmo se todos os comandantes russos forem mortos em um ataque inimigo (extinção mútua). O sistema opera sem a necessidade de ordem humana direta.
Medvedev foi direto: “Trump deveria lembrar do quão perigosa a lendária ‘Mão Morta’ pode ser.” O “Mão Morta”, desenvolvido nos anos 1980, permanece ativo e é considerado a arma nuclear “do fim do mundo”: se algum centro russo não responder após um ataque, mísseis balísticos intercontinentais com ogivas nucleares serão disparados automaticamente em direção ao inimigo, o que nada mais, nada menos seria, do que o fim da humanidade como a conhecemos.
Leia mais:
Putin Fecha as Portas: Um Ataque Nuclear Tático é Opção dos Russos Contra a Ucrânia
A resposta de Trump foi, como sempre, estúpida e irresponsável: ele ordenou o reposicionamento de dois submarinos de ataque nuclear próximos à Rússia, e chamou Medvedev de “ex-presidente fracassado”, alimentando o jogo do medo global.
O novo patamar da insanidade nuclear
Putin, ao anunciar a produção em massa do oreshnik, sinaliza claramente uma posição de força, mas que também começa a levar à sério as ameaças, quase explícitas, da OTAN em atacar preventivamente a Rússia.
Não há nenhuma tecnologia militar ocidental capaz de interceptar um ataque russo usando esse míssil; e que qualquer ameaça à sobrevivência do regime russo será respondida não com diplomacia, mas com a extinção recíproca garantida. O paralelo é tão sombrio quanto didático: em meio a fracassos, sanções e retaliações econômicas, Moscou aposta na sua superioridade nuclear apocalíptica para dissuadir a OTAN e assim fortalecer seu poder.
Cabe lembrar ainda que os únicos países que possuem mísseis operacionais hipersônicos são a Federação Russa, a China e o Irã. A Ucrânia já provou o amargo gosto do oreshnik. Israel também já sentiu o poder destruidor dos mísseis hipersônicos iranianos.
Embora os EUA estejam há anos desenvolvendo um míssil hipersônico, não houve ainda qualquer progresso real. Muito menos qualquer teste.
O fantasma do “Mão Morta” — máquina automática de retaliação que pode destruir os EUA mesmo sem comando humano — mostra até onde está disposta a ir a Rússia, vencedora desde já da guerra contra a Ucrânia e o ocidente coletivo. Somente a máquina de propaganda falsa da mídia ocidental não reconhece isso. Qualquer analista, mesmo americano, sabe que a guerra do ocidente coletivo contra a Rússia, usando a Ucrânia como proxy, na gíria em português “boi de piranha”, foi um fiasco. Um completo fracasso. Trump sabe que Putin é moderado. Mas que não blefa. As apostas são nucleares: cartas que ninguém deveria querer jogar.
