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Por Política em Debate I Brasília, Em 24/07/2025, 18h:59
A senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) não poupou críticas a Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em entrevista recente, o responsabilizando diretamente pelas medidas restritivas severas que recaem sobre o ex-presidente Bolsonaro, incluindo a humilhante obrigatoriedade do uso da tornozeleira eletrônica. Buzetti classificou a atuação do deputado licenciado nos Estados Unidos como prejudicial tanto para o país quanto para seu próprio pai, de quem agora se distancia em função de sua condução controversa.
“É um abuso o que Eduardo Bolsonaro está fazendo nos Estados Unidos com o país e com o pai dele. A culpa de Bolsonaro estar de tornozeleira é desse moleque”, disse a senadora, sem papas na língua.
A parlamentar destacou que as ações internacionais de Eduardo, especialmente o contato direto com autoridades americanas, agravaram a tensão diplomática que resultou no anúncio do “tarifaço” de 50% imposto pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros, algo que o próprio Eduardo admitira em vídeos publicamente, mas que vem negando mais recentemente. E quem acredita na negativa? “A palavra não proferida é nossa prisioneira e nós somos prisioneiros da palavra proferida.” Acho que Eduardo Bolsonaro se esqueceu ou desconhece essa máxima.
Além de lamentar a mudança de discurso, Margareth criticou o estilo conflituoso e isolacionista do filho do ex-presidente, que teria atrapalhado as negociações conduzidas pelo Senado e pelo governo, ao criticar colegas como Tereza Cristina e Tarcísio de Freitas, considerados interlocutores importantes para o equilíbrio político e econômico do país.
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Para a senadora, a incoerência política e os comportamentos polarizadores de Eduardo dificultam ainda mais a articulação necessária para contornar a crise, resumindo: “Difícil equilibrar quando uma pessoa pensa e as outras não”.
Essa declaração ganha ainda mais força diante do contexto político atual, em que o uso da tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente simboliza não apenas uma medida judicial, mas um capítulo da crise institucional ampliada pelas ações do próprio clã Bolsonaro — especialmente pela postura de Eduardo nos Estados Unidos, onde tem trabalhado para retaliar autoridades brasileiras e o próprio país.
O episódio evidencia mais uma fissura interna na direita brasileira, com desentendimentos públicos que revelam uma disputa por controle e narrativa em meio ao isolamento crescente do ex-presidente e seus aliados.