A Left e a UnionPay x hegemonia das bigtechs e operadas de crédito americanas

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Por Política em Debate I Brasília, Em 22/07/2025, 18h:32

Se o mundo das finanças brasileiras parecia restrito ao feudo de Visa, Mastercard, Amex, Apple Pay, Google Pay e outras, 2025 trouxe a carta fora do baralho: nasceu a Left (Liberdade Econômica em Fintech), decidida a romper o cartel oculto deste clube de bilionários, e está trazendo ninguém menos do que a UnionPay maior operadora de cartões do planeta, com espantosos 40% do volume global de transações — para o Brasil.

Trump e os tubarões financeiros

Não é só retórica: a pressão norte-americana nunca foi tão explícita. No epicentro deste terremoto está Donald Trump e seu establishment, empenhados em blindar o domínio das gigantes do cartão — Visa, Mastercard, American Express. Combinam cortes regulatórios, afrouxamento de regras e até ameaças de sanções contra qualquer iniciativa que fuja à cartilha de Wall Street. Trump presenteou as grandes operadoras dos EUA com brechas para taxas altas e lucros bilionários, esmagando propostas contra abusos como o “late fee” (taxa de serviço) e fechando portas para controles que poderiam beneficiar consumidores.

O resultado prático? Monopólio, tarifas abusivas, controle de dados, exclusão sistemática e dependência crônica do dólar e do sistema SWIFT nas transferências internacionais.

UnionPay + Left: a resposta audaciosa à dominação estadunidense

A proposta da Left, fintech de bandeira “progressista”, lança um audacioso contraponto: viabiliza a chegada da UnionPay — única bandeira capaz hoje de fazer frente real à onipresença de Visa e Mastercard. O objetivo oficial: diversificar, democratizar e, principalmente, devolver capacidade de escolha ao consumidor brasileiro no mercado de pagamentos.

Principais destaques da proposta:

  • Entrada da UnionPay: maior operadora do mundo, presente em 180 países, mais de 55 milhões de estabelecimentos e cerca de 40% dos pagamentos com cartão no planeta. Permitirá pagamentos no Brasil sem intermediação obrigatória das plataformas tradicionais americanas.
  • Modelo socialmente inovador: parte das taxas de transação será revertida para causas sociais escolhidas pelo usuário — do MST a outros movimentos de base.
  • Soberania financeira: integração ao sistema chinês CIPS, alternativa ao SWIFT, reduzindo a dependência do dólar e do sistema financeiro dos EUA, importantíssimo diante de ameaças de sanção ou chantagem internacional.
  • Tecnologia nativa e integração local: Left assume emissão dos cartões, integração com bancos e maquininhas, e prepara o lançamento da função crédito para o final de 2025.

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Pix: pressão transnacional

O Brasil já vinha gerando incômodo na Casa Branca ao criar o Pix, sistema público de pagamentos que, em poucos anos, drenou bilhões do faturamento de multinacionais financeiras e minou o domínio dos apps de pagamento das BigTechs. Se considerarmos que o Pix já movimentou R$ 65 trilhões, a uma taxa de intermediação de 1,5%, isso dá R$ 975 bilhões (US$ 175 bilhões com dólar a R$ 5,57) que deixaram de entrar no bolso das empresas de Trump.

Diante deste “inesperado” protagonismo nacional, Trump e seus aliados intensificaram ataques jurídicos e diplomáticos contra o Pix e, agora, querem retaliar economicamente o país — tudo para preservar as tarifas dolarizadas cobradas pela sua elite financeira. O “case” clã Bolsonaro é só um “cavalo de troia” nesse ataque, que é também contra o BRICS.

Entendam uma coisa: desde a década 1970 os EUA vem perdendo espaço na arrecadação de impostos via produção de bens tangíveis (uma lâmpada, uma geladeira, um automóvel, etc). Os EUA abriram mão da “economia produtiva” para mergulhar na “ciranda financeira” (neoliberalismo) que é de onde o país obtém a maior parte da arrecadação de impostos; e desde 2001 a balança de pagamentos ( o que se exporta menos o que se importa, a grosso modo) está sempre negativa. Nós estamos falando de praticamente 25 anos devendo ao mundo. Então, o “buraco” da economia é tamanho que mesmo com um PIB de US$ 30 trilhões, a dívida pública é de mais de US$ 36 trilhões, e cresce em média cerca de US$ 1 trilhão a cada três meses, ou seja, aproximadamente US$ 330 bilhões por mês estão sendo “rolados” para manter a dívida vigente. Portanto, perder arrecadação pela fonte “serviços” acelera ainda mais a quase ou já insolvência dos EUA. Tecnicamente isso tem um nome: os EUA estão quebrados.

A chegada da UnionPay via Left acirra ainda mais o atrito: abre espaço para uma operação de pagamentos independente das grandes marcas americanas e coloca pela primeira vez à disposição dos brasileiros um modo de transacionar internacionalmente sem passar obrigatoriamente pelo dólar ou por bancos dos EUA. E isso é prejuízo líquido e certo para os Estados Unidos.

Democratizar é romper o oligopólio

A materialização da parceria Left/UnionPay não é só uma inovação de produto, mas um gesto geopolítico: expõe a fragilidade do domínio americano, oferece soberania financeira e insere um elemento de redistribuição social onde antes só havia concentração de renda e poder.

O rebatimento disso para o sistema financeiro nacional é um recado singelo, porém devastador: o tempo do cartel blindado por lobistas, taxas abusivas e chantagens “intercontinentais” pode estar finalmente chegando ao fim. Isso se não houver mudança política em 2026 e o povo brasileiro resolver eleger um entreguista bolsonarista, vassalo, que se ajoelhe aos EUA.

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