BRICS: O Desafio à Hegemonia Unipolar dos EUA

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Por Política em Debate I Brasília, Em 12/07/2025, 11h:02

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo tem sido marcado por uma ordem unipolar, com os Estados Unidos exercendo hegemonia militar, econômica e política. Porém, o avanço do BRICS — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e o Emirados Árabes Unidos, agora expandido com mais 9 países na qualidade de parceiros — representa uma das mais contundentes respostas à manutenção desse status quo. O bloco, ainda com um imenso potencial por explorar, emerge como alternativa concreta à dominação estadunidense, mas enfrenta desafios internos e externos que testam sua coesão e capacidade de transformação.

O BRICS e a Multipolaridade: Uma Nova Geopolítica

O BRICS ocupa hoje um papel central nas disputas internacionais. Especialistas apontam que o bloco pode ser um espaço privilegiado para o enfrentamento ao imperialismo, desde que aprofunde seu caráter popular, democrático e anti-imperialista. A criação do Conselho Popular dos BRICS, por exemplo, é vista como uma vitória dos movimentos sociais, ao articular interesses para além das elites econômicas e dos governos.

O engajamento dos povos dos países membros é considerado essencial para que o BRICS se consolide como força em favor da paz e da soberania, e não apenas como mais um ator estatal no tabuleiro global.

O bloco é o único espaço internacional capaz de convergir interesses de países anti-imperialistas, oferecendo uma alternativa ao sistema que serve apenas a bilionários e grandes corporações.

O Enfrentamento à Hegemonia Militar e Econômica dos EUA

Os Estados Unidos mantêm sua hegemonia por meio de guerras, sanções e controle financeiro global, com o dólar como moeda central. Mesmo quando derrotados militarmente, lucram com a indústria bélica, perpetuando conflitos e instabilidade. O BRICS, por sua vez, busca alternativas.

O bloco pode promover a cooperação militar sem reproduzir a lógica armamentista ocidental, especialmente se fortalecer seu caráter popular e democrático.

Há esforços para romper com a dependência de sistemas como o SWIFT, criando instrumentos financeiros próprios e promovendo o uso de moedas locais nas transações internacionais. Reparem que nas trocas internacionais o sistema SWIFT leva entre 18 horas a até 07 dias para fechar uma transação entre os países em suas trocas comerciais. Com um sistema próprio, em estágio final de desenvolvimento pela China e pela Rússia, essa transferência de recursos entre vendedor e comprador se dará em questão de minutos pela adoção da tecnologia blockchain.

As iniciativas da China e da Rússia com moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e sistemas de pagamentos baseados em blockchain estão em fase de testes e implementação, ainda não sendo amplamente adotadas para grandes volumes de comércio internacional. Mas esse momento virá.

Um sistema alternativo de pagamentos do BRICS, baseado em tecnologias como blockchain e moedas digitais, tem potencial para reduzir custos e acelerar transações, o que pode desafiar a hegemonia dos bancos tradicionais e do SWIFT. Contudo, o impacto financeiro negativo direto sobre os grandes bancos dependerá da adoção, escala, regulamentação e integração desses sistemas alternativos no mercado global.

O BRICS pressiona, ainda, por maior representatividade em fóruns como o FMI e o Conselho de Segurança da ONU, questionando a centralidade dos EUA nas decisões internacionais.

Desafios e Contradições Internas

O BRICS ainda é um projeto em construção. A coesão do bloco depende da correlação de forças internas e da capacidade de superar a desigualdade industrial e econômica entre os países, especialmente diante da supremacia chinesa em tecnologia e produção.

Alianças militares e econômicas com o Ocidente ainda coexistem com a agenda de autonomia e multipolaridade, gerando tensões e limites à atuação do bloco.

Oportunidade Histórica e Caminhos para o Futuro

O cenário atual de protecionismo abre espaço para o fortalecimento de polos alternativos à hegemonia ocidental. O BRICS, com sua dimensão populacional, recursos naturais e crescente influência econômica, tem a oportunidade de articular uma nova ordem planetária, mais justa e multipolar.

O fortalecimento do Conselho Popular dos BRICS e a inclusão de países historicamente marginalizados, como a Venezuela, podem ampliar o alcance e a legitimidade do bloco.

A promoção de políticas de reindustrialização e inovação tecnológica é fundamental para romper com o papel de colônia e consolidar o BRICS como protagonista global.

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