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Por Política em Debate I Brasília, Em 06/07/2025, 17h:40
Um dia após Elon Musk ampliar seu conflito com Donald Trump ao anunciar a criação de um novo partido político nos Estados Unidos, o secretário do Tesouro do governo dos EUA afirmou que o empresário deveria se focar exclusivamente na gestão de suas empresas.
Paralelamente, a Azoria Partners, empresa de investimentos que planejava lançar um fundo ligado à Tesla, montadora de carros elétricos de Musk, comunicou o adiamento do projeto, alegando que a formação do partido gerava “um conflito com suas responsabilidades integrais como CEO”.

No sábado, Musk revelou a fundação do “Partido da América” como reação ao pacote de cortes de impostos e gastos defendido por Trump, que, segundo Musk, levará o país à falência.
Durante entrevista ao programa “State of the Union“, da CNN, no domingo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, comentou que os conselhos administrativos das empresas de Musk — Tesla e SpaceX — provavelmente prefeririam que ele evitasse envolvimento político.
“Imagino que esses conselhos não aprovaram o anúncio feito ontem e o encorajarão a se concentrar em seus negócios, não na política“, declarou Bessent.
Musk, que foi um dos principais conselheiros de Trump para reduzir e reformular o governo federal nos primeiros meses da presidência do republicano, afirmou que seu novo partido pretende, nas eleições legislativas do próximo ano, retirar do Congresso os republicanos que apoiaram a chamada “grande e bonita lei”.
Embora a Casa Branca não tenha respondido diretamente à ameaça de Musk, a aprovação da lei demonstra a força do Partido Republicano que, entretanto, se mostra dividido.
“Como líder do Partido Republicano, o presidente Trump unificou e fortaleceu o partido como nunca antes“, disse Harrison Fields, porta-voz da Casa Branca.
Musk, maior doador da campanha de Trump em 2024, chegou a aparecer frequentemente ao lado do presidente no Salão Oval e em outros eventos, mas divergências sobre o projeto de lei orçamentária resultaram em um rompimento, que parece ser em definitivo com a criação do “Partido da América”.

O projeto, que reduz impostos e aumenta gastos com defesa e segurança nas fronteiras, foi aprovado recentemente com apoio partidário em ambas as casas do Congresso, mas críticos alertam que ele agravará o déficit federal e prejudicará a economia. Para fins de contexto, a atual dívida pública americana é de US$ 36 trilhões. Com a pacote fiscal proposto e aprovado, essa dívida deve chegar nos próximos anos a US$ 41 trilhões. A verdade é que os EUA estão, em termos econômicos, tecnicamente quebrados. A reversão desse quadro não é promissora, já que desde 2001 os EUA apresenta deficitária a sua balança nas trocas comerciais.
Quanto a Musk, Trump afirmou que ele está descontente porque a lei elimina incentivos para veículos elétricos, afetando diretamente a Tesla. O presidente ameaçou retirar bilhões de dólares em contratos e subsídios governamentais para as empresas de Musk em retaliação às críticas. A aprovação do novo pacote fiscal agora permite isso.
Bessent minimizou a influência política de Musk, observando que os eleitores valorizavam mais o Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Musk, do que o próprio bilionário. Será mesmo? Acreditamos que não.
O novo partido – “Partido da América” – inegavelmente surge em um momento em que a insatisfação mundial com as nefastas consequências do neoliberalismo dão lugar ao surgimento de novas lideranças e propostas não atreladas ao status quo viciado e amoral, que assola a grande maioria das democracias ocidentais, claramente em decadência e sendo cada vez mais contestadas por concentrar a renda de todos na mão de poucos, e agravar os problemas sociais. Talvez para os americanos, a proposta de Musk venha a prosperar. Em períodos de decadência, dificuldades econômicas, divisão da sociedade, como é o momento dos EUA, novas propostas soam como um bálsamo, sendo elas genuínas ou não. No caso do “Partido da América” só o tempo dirá.
“Os princípios do DOGE eram muito populares”, afirmou Bessent. “Mas, se analisarmos as pesquisas, Elon não era.”