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Por Política em Debate I Brasília, Em 24/06/2025, 08h30
Então vamos direto ao ponto: Trump subiu ao palanque, encheu o peito e anunciou um “cessar-fogo completo” entre Israel e Irã, tentando dar a entender que foi o grande pacificador do conflito. Mas… espera aí. Pacificador de quê? De uma guerra que ele mesmo iniciou de forma traiçoeira usando Israel como proxy? E mais: de um confronto do qual saiu derrotado, junto com seu amigo Netanyahu? E a rendição incondicional do Irã exigida por Trump? Aonde foi parar?
Vamos por partes. O Irã foi atacado, sim. Bombardeado por bombardeiros stealth B-2 norte-americanos em Fordow. Alvejado por Israel em Natanz. Tudo sob o pretexto de autodefesa, aquele truque velho que EUA e Israel sempre tiram da cartola quando querem atacar alguém sem autorização da ONU. Mas o que aconteceu, de fato? Quase nada.
As imagens de satélite antes e depois do ataque mostram o óbvio: não houve dano real à estrutura do programa nuclear iraniano. E o que foi atingido — algum prédio auxiliar ou instalação menor — será reconstruído em semanas. E mais: agora com camadas extras de blindagem, subterrâneas e protegidas contra penetração balística. Aprenderam a lição.
E o urânio? Ora, o urânio já enriquecido sequer estava mais lá. Foi transferido muito antes. Os iranianos não são ingênuos. Sabem com quem estão lidando. Sabem que dos EUA e de Israel se pode esperar tudo — menos honestidade.
Enquanto isso, Israel recebeu mais de 20 ondas de ataques de mísseis iranianos, com alvos atingidos em Tel Aviv, Haifa, bases militares, instalações de radar e postos de comando. Um pouco antes de ter início o cessar fogo, foram ainda mais 6 salvas de mísseis disparados pelo Irã contra Israel.
A resposta iraniana à Israel não foi simbólica. Foi uma ofensiva coordenada, potente, e que desmoralizou completamente o mito da invencibilidade israelense. O Domo de Ferro falhou. A população entrou em pânico. O governo de extrema-direita se viu cercado. Netanyahu encolheu.
E o que fez o Irã? Respondeu com força. Atacou bases dos EUA no Catar e no Iraque. Fez o Ocidente tremer. Falou em fechar o Estreito de Ormuz. E manteve a postura firme diante da pressão internacional. Mostrou ao mundo que não está sozinho, nem frágil, nem disposto a se curvar.
A essa altura, o cessar-fogo anunciado por Trump soa mais como um suspiro de alívio do que como uma vitória. Ele tenta vender um engodo. A ideia de que venceu, mas o cenário geopolítico diz o contrário. O Irã não só sobreviveu, como saiu fortalecido. Dentro e fora de casa. Ganhou mentes e corações ao redor do mundo. Admiração e respeito. E os EUA saem dessa como agressores prepotentes e vis que são, juntamente com o sionismo perverso e assassino de Netanyahu.
Lá dentro no Irã, o povo se uniu ainda mais aos Aiatolás. O regime, que os Estados Unidos queriam ver ruir, agora goza de legitimidade ampliada. E não foi por propaganda. Foi porque resistiram a um ataque combinado de duas potências militares e ainda revidaram. Isso cria unidade. Coesão.
E no cenário internacional, o Irã emergiu, ainda mais forte, como um dos principais pilares do BRICS, um elo que segurou firme o flanco sul do projeto multipolar. A agressão não foi apenas ao Irã: foi um ataque contra a China, contra a Rússia, contra o mundo alternativo ao dólar e à OTAN. E o mundo viu. Sentiu. E julgou.
Hoje, Israel está moral e estrategicamente ferido. Netanyahu, que prometia esmagar o Irã, saiu do confronto após apelar via Trump ao mundo árabe, para que o Irã aceitasse o desejo de Israel de encerrar o conflito . Trump tenta salvar a própria imagem com um “acordo de cessar-fogo” que só escancara a derrota. E o Irã? Bem… o Irã agora é outra coisa. Um símbolo de resistência. Um modelo de dissuasão. Um vencedor.




