Seyed Mohammad Marandi: Irã se prepara para guerra com os EUA.
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Por Política em Debate I Brasília, Em 20/06/2025, 20h07
O professor Seyed Mohammad Marandi, intelectual iraniano respeitado no campo da geopolítica e professor da Universidade de Teerã, volta a oferecer uma leitura lúcida da escalada de tensão no Oriente Médio. Em entrevista recente ao canal “Glenn Diesen Português”, Marandi afirmou: o Irã está preparado para a guerra com Israel, mas também se preparando para uma guerra com os Estados Unidos.
Essa afirmação, que em outros tempos soaria exagerada, hoje ressoa como um alerta, especialmente diante da reação ao conflito em curso, que chega ao oitavo dia de combates intensos — nos quais Israel já acumula baixas, perdas militares, destruição de parte do seu território e sinais de esgotamento【ver: Fattah-1: o míssil hipersônico iraniano que escancara a vulnerabilidade de Israel】.
A expansão do conflito e o papel dos EUA
Marandi ressalta que Israel, diante da humilhação militar imposta pelo Irã, está pressionando os EUA para entrarem diretamente na guerra. Mas o Irã, segundo ele, já trabalha com esse cenário como hipótese concreta. A presença de forças militares americanas na região, a movimentação naval e as ameaças verbais vindas de Washington são, para Teerã, indícios de que um confronto direto pode ocorrer.
“Israel pode não sobreviver a essa guerra. E os EUA sabem disso. Por isso, eles estão vacilando. Mas se entrarem, o Irã está pronto”, afirma Marandi.
A armadilha sionista e a hesitação americana
Segundo o professor, Netanyahu está encurralado politicamente e quer arrastar o mundo para sua guerra, mesmo que isso custe uma escalada nuclear regional. Trump, por sua vez, usa linguagem dúbia e populista, flertando com a ideia de ataque, mas evitando assumir responsabilidades. Marandi aponta que, diferentemente de conflitos passados, o Irã agora conta com apoio estratégico e militar de países como Rússia e China, além de dispor de armamento de ponta — como os mísseis hipersônicos da série Fattah.
Israel sangra, os EUA hesita? Ou se Prepara?
Nós acreditamos que não houve qualquer recuo por parte dos EUA em se juntar à Israel na guerra de agressão ao Irã. Até porque se os EUA não saírem em socorro de Israel, em uma guerra que já mostra que será de atrito, Israel será completamente destruído. Estamos falando de um Estado de dimensões reduzidas, sob uma tempestade contínua de fogo que chega através de mísseis extremamente avançados, supersônicos e hipersônicos. A área total de Israel é de aproximadamente 22.145 km² (incluindo Jerusalém Oriental, mas sem contar os territórios palestinos ocupados como Cisjordânia e Faixa de Gaza). Para fins de contexto o estado de Sergipe, o menor do Brasil tem área de praticamente 22.000 km². Comparando com os Estados Unidos, Israel é do tamanho aproximado do estado de New Jersey (Nova Jersey): 22.591 km². Já o Irã tem aproximadamente 1.648.195 km². Trata-se de um país enorme — o 17º maior do mundo em extensão territorial — e quase 75 vezes maior que Israel. Para se ter uma ideia, dentro do Irã cabem a Alemanha, a Itália, o Reino Unido, a Áustria, a Suíça, a Bélgica, a Holanda, Portugal e ainda sobraria espaço para parte da França ou da Espanha. É um território de proporções e topografia desafiadora para qualquer força agressora externa, seja terrestre ou empregando meios aéreos e navais, o que torna qualquer ambição militar de invasão ou ocupação um desafio logístico e estratégico monumental.
Se pensarmos em uma insurreição, como aspira Israel, provavelmente ela não acontecerá, e nem uma possível troca de regime. O povo iraniano, mais do que nunca, está ao lado dos Aiatolás. Eles vêm, com toda a razão, Israel e os Estados Unidos como agressores. Basta assistir aos vídeos que já vem sendo publicados de apoio ao Irã não somente em várias cidades do Irã, mas em diversas partes do mundo.
Na visão do professor Marandi, a vantagem tática de Israel evaporou, o que é verdade. E trump sabe bem disso. A capacidade de resposta do Irã, a integração com milícias aliadas no Líbano, Síria, Iêmen e Iraque, o apoio de países regionais como o Paquistão e também do BRICS – explicitamente China e Rússia -, que veem o Irã como ator fundamental em direção a um mundo multipolar, e de trocas comerciais não mais atreladas ao dólar, tornam a intervenção americana altamente arriscada e contraproducente. Mas nós acreditamos que ela ocorrerá, o que trara consequências devastadoras na economia mundial, e que pode levar à terceira guerra mundial.
“O que estamos vendo não é o colapso do Irã, mas o colapso da hegemonia americana na região”, afirma Marandi.
A guerra que já começou
Embora a mídia ocidental tente vender a narrativa de que o Irã estaria “agindo de forma provocadora”, os fatos mostram o oposto. A resposta iraniana veio após anos de assassinatos seletivos, sabotagens, sanções e ataques diretos perpetrados por Israel com aval dos EUA. O ataque à Embaixada iraniana na Síria e a morte de cientistas nucleares foram a gota d’água.
E o recado do Irã foi claro: não haverá mais impunidade. Quem atacar, sofrerá retaliação — e em escala proporcional.
O que vem pela frente?
O prognóstico de Marandi é sombrio: o conflito tende a se expandir, a menos que os EUA recuem e contenham Israel. Mas, para isso, seria necessário um gesto de liderança que Trump não parece disposto ou não tem força para tomar. O Irã, por sua vez, não teme o confronto, porque, nas palavras do professor, “não há mais nada a perder”. Nós discordamos…Sempre há muito a perder, de todos os lados.

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