Internacional, Geopolítica, Economia
PolitikBr é uma mídia independente. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.
As pessoas. Talvez você, queira, como eu, entender o mundo em que vive. E é isso que o PolitikBr oferece. Conectar fatos, em uma “linha do tempo”. Venha conosco! Subscreva o nosso conteúdo.

Por PolitikBr I Brasília, Em 07/04/2026, 20h:06, leitura: 07 min
Editor: Rocha, J.C.
Enquanto Donald Trump ameaça, em seu perfil no Truth Social, que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, uma verdade histórica vem à tona — e muda completamente a compreensão sobre as origens da crise atual. O jornalista Fernando Morais, em entrevista ao programa de Luís Nassif, revelou os bastidores de uma traição que poucos conhecem: em 2010, o presidente Lula, a pedido de Barack Obama, conseguiu negociar um acordo nuclear com o Irã que poderia ter evitado décadas de tensão. O acordo estava “amarradinho”. Mas Obama e Hillary Clinton, por vaidade e covardia, sabotaram a própria iniciativa — e abriram caminho para a escalada que agora incendeia o Oriente Médio.
O ano era 2010. O Irã, sob a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, estava disposto a negociar o seu programa nuclear. O presidente americano, Barack Obama, convidou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para atuar como mediador.
Lula aceitou. Viajou para a Turquia, foi à Itália, foi à França, foi à Inglaterra. E foi ao Irã. Nas negociações, conseguiu um acordo histórico: o Irã desenvolveria o seu programa nuclear para fins pacíficos, sob salvaguardas internacionais. O acordo estava “amarradinho”, nas palavras de Fernando Morais.
Mas algo aconteceu nos bastidores. Obama e Hillary Clinton, a secretária de Estado, começaram a perceber que o plano ia dar certo. E que quem levaria os louros — por ter conseguido a paz no Oriente Médio — seria Lula, não eles.
“O Lula foi encarregado pelo Obama de fazer um acordo. O Lula foi à Turquia, foi à Itália, foi à França, foi à Inglaterra. E foi ao Irã, o presidente era o Ahmadinejad, e conseguiu um acordo nuclear, um acordo para que, se pudesse, o Irã pudesse desenvolver o projeto nuclear dele para fins pacíficos, e o acordo estava amarradinho. O problema é que o Obama não acreditava que o Lula tivesse o prestígio que tinha. Na hora que ele começou a perceber que o plano ia dar certo, e quem ia levar os louros de ter conseguido a paz no Oriente Médio ia ser o Lula, o Obama e a Hillary começam a telefonar para os presidentes da República dizendo o seguinte: ‘O Lula tá indo aí com a carta assinada por mim, mas essa carta não vale mais nada, não. Não atendam ele, não está falando mais em meu nome’.”
Mais tarde, em 2015, O Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA), assinado pelo governo Barack Obama, limitou o programa nuclear do Irã em troca do alívio de sanções econômicas. O acordo, firmado com potências mundiais, visava impedir o Irã de desenvolver armas nucleares, aumentando o tempo de produção de material físsil para mais de um ano.
O Irã concordou em limitar o grau de enriquecimento de urânio e reduzir o número de suas centrífugas e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) obteve acesso para monitorar as instalações nucleares iranianas. Em troca, as sanções econômicas internacionais foram suspensas, permitindo ao Irã retomar as exportações de petróleo e reingressar no mercado financeiro. O pacto foi assinado entre o Irã e o P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha).
Entretanto, Trump, durante o seu primeiro mandato, retirou formalmente os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã — em 8 de maio de 2018. O resultado é a guerra que vivenciamos hoje.
A Declaração de Trump: “Uma Civilização Inteira Morrerá Esta Noite”
Enquanto Fernando Morais revelava essa história ao programa de Luís Nassif, Donald Trump postava em seu perfil no Truth Social uma declaração horripilante, abjeta.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. […] Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”
“Deus abençoe o grande povo do Irã”. Que canalha louco. Ele fala em exterminar uma civilização e pede a Deus bênçãos ao povo do Irã?! que louco é esse?
E as especulações apontam que Trump, em sua insanidade, só poderia estar se referindo ao emprego de uma arma nuclear que seria ou será lançada contra o Irã ainda essa noite. Mais uma vez: Esse homem está completamente louco !!
O prazo final estabelecido por Trump — 21h desta terça-feira (horário de Brasília) — está se esgotando. O presidente americano já havia dito, na segunda-feira (6), que os EUA têm um plano segundo o qual “todas as pontes e usinas de energia do Irã poderiam ser destruídas até a meia-noite”. Mas como não há controle dos céus como ele mentirosamente alega, e os mísseis de longa distância estão se esgotando, a especulação do uso de uma arma nuclear ganha relevância, apesar da loucura em se imaginar isso. E qual seria a resposta do Irã? Ele já tem armas nucleares? Há muita especulação sobre isso.
E as contradições de Trump, que não parece estar em seu perfeito juízo, não param. Ele havia anunciado no domingo (5), que os EUA irão embora em duas ou três semanas, com ou sem acordo. Agora, ameaça aniquilar uma civilização inteira. A contradição é evidente. Mas para Trump, contradições não são problemas.
O Que Vem Agora?
O prazo de Trump expira às 21h. A ameaça de “apagar uma civilização inteira” paira no ar. Mas as perguntas são:
- Trump tem capacidade militar para “apagar” o Irã? Scott Ritter já respondeu: não. Os EUA não controlam os céus. Os caças estão sendo abatidos. As defesas iranianas continuam ativas. Não há plano de guerra. Mas, como dissemos, resta a louca opção nuclear.
- Trump tem vontade política para fazer isso? A sua própria declaração de domingo — “vamos embora, com acordo ou sem” — sugere o contrário. Ele quer sair, não entrar. De toda forma, se for mais um blefe, o estrago à imagem dos EUA está feito. Um presidente no exercício de suas funções ameaçar “apagar – exterminar – uma civilização” é horrendo. Obra de um ensandecido. Um louco sociopata.
- O que acontecerá se Trump cumprir o ultimato? Talvez a pergunta devesse ser: O que acontecerá se o Irã revidar de forma mais que brutal – como vem fazendo – após esse extraordinário ato de destruição?
A Civilização Que Pode Morrer Não É Apenas a Iraniana
Quando Trump ameaça “apagar uma civilização inteira”, ele não está apenas ameaçando o Irã. Ele está ameaçando o frágil equilíbrio de um mundo que já não suporta mais um choque dessa magnitude. Está ameaçando a economia global, que já sangra com o petróleo a preços recordes. Está ameaçando a vida de milhões de civis inocentes. E está ameaçando a própria alma dos Estados Unidos, que na administração caótica Trump se transformou em um farol de destruição e de barbárie.
Esse artigo foi baseado em:
- YouTube (Nassif): A traição de Obama a Lula: Fernando Morais revela os bastidores (06/04/2026)
- Sputnik Brasil: ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’, declara Trump em nova ameaça ao Irã (07/04/2026)
- PolitikBr: “VAMOS EMBORA, COM ACORDO OU SEM”: Trump Anuncia a Debandada e Abandona Israel à Própria Sorte (06/04/2026)
- PolitikBr: “NÃO CONTROLAMOS OS CÉUS DO IRÔ: Scott Ritter Desmascara a Mentira de Trump (06/04/2026)
- PolitikBr: “SUAS MÃOS ESTÃO CHEIAS DE SANGUE”: O Papa Rebate a Teologia da Guerra de Trump e Hegseth (05/04/2026)
- O que é o acordo nuclear com o Irã e por que ele é criticado?