A Vitória de Lula: Como o Pragmatismo Desmontou a Arquitetura do Caos

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Por PolitikBr I Brasília, Em 21/11/2025, 15h:56, leitura: 6 min

A suspensão de parte das tarifas de importação de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, decretada nos primeiros dias da administração Trump, não foi um mero ajuste de política comercial. Foi o desfecho de um complexo e sórdido capítulo de ingerência política, onde o Brasil foi transformado em tabuleiro de um jogo de xadrez geopolítico movido por interesses da extrema-direita global.

Ontem (20/11), os Estados Unidos retiraram das tarifas – inicialmente aplicadas a todos os produtos de exportação brasileiros – itens como o café, as carnes e as frutas. A decisão é válida para os produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro. A Ordem de Trump do dia 20 acrescentou mais de 200 produtos à lista de exceções do tarifaço. Agora as exceções de taxação são de 900 itens da pauta de exportação.

A notícia, celebrada pelo Presidente Lula em discurso no Salão do Automóvel em São Paulo, é muito mais do que uma vitória econômica; é a consolidação de uma derrota estratégica e moral para um projeto político que tentou, pela chantagem internacional, subverter a ordem democrática brasileira.

As raízes desse imbróglio remontam a uma narrativa fabricada e exportada. A justificativa inicial para o imposto punitivo, segundo a retórica que emanava de Washington, era a de uma suposta perseguição política pelo Judiciário brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Era, na sua essência, uma tentativa descarada de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a conceder uma anistia política, um salvo-conduto para crimes eleitorais e antidemocráticos. A tese, frágil e descolada da realidade jurídica brasileira, servia de cortina de fumaça para um objetivo claro: blindar um aliado ideológico e, se possível, desestabilizar um governo que representava a rejeição ao bolsonarismo.

A farsa, no entanto, não parou por aí. A pressão evoluiu para a aplicação da Lei Magnitsky contra ministros do STF, como Alexandre de Moraes, e outras autoridades. A acusação de “censura” foi o cavalo de Troia utilizado para tentar proteger interesses corporativos específicos, como os de Elon Musk, que se viu confrontado pela legislação nacional. O que se via era um manual sendo executado: a extrema-direita internacional, da qual Trump é um dos principais expoentes, tentando replicar no Brasil suas táticas de deslegitimação de instituições, tratando decisões judiciais soberanas como moeda de troca em um grande bazar geopolítico.

A articulação doméstica dessa trama foi tão ou mais repulsiva. Enquanto o país era confrontado com as consequências comerciais da decisão americana, figuras como o deputado Eduardo Bolsonaro e o agitador Paulo Figueiredo atuavam nos corredores de Washington como lobistas, contra o próprio país.

Eles foram os arquitetos de uma sabotagem histórica, fornecendo informações distorcidas e alimentando uma narrativa de golpismo que servia aos propósitos de seu clã, mesmo que o custo fosse o estrangulamento da economia nacional. A atitude foi tão grotesca que até mesmo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em um raro momento de lucidez, foi forçado a reconhecer o caráter anti-patriótico e traiçoeiro da atuação de Eduardo Bolsonaro.

Contudo, a realidade possui uma força gravitacional inescapável, e as leis da economia são implacáveis. A estratégia de Trump, que também atingiu a China e outros parceiros com tarifas exorbitantes, se mostrou um tiro no pé. A indústria americana, dependente de componentes brasileiros, desde jatos da Embraer a minerais estratégicos, começou a sentir o golpe. A inflação nos Estados Unidos, pressionada pelo aumento do custo de importações essenciais como café e carne bovina, tornou a política tarifária um pesadelo logístico e econômico para o próprio povo americano. O castigo destinado a forçar o Brasil a se ajoelhar começou a causar fraturas na sociedade americana.

O preço da imposição dessas atabalhoadas tarifas foi sentido por Trump, em sua acachapante derrota para a prefeitura de Nova York, vencida por um socialista democrático, filho de imigrantes, Zohran Mamdani – A Derrota Acachapante de Trump: Zohran Mamdani vence em Nova York .

As primeiras eleições municipais após a volta de Trump ao poder, revelou que o fracasso republicano foi algo muito maior do que um simples revés eleitoral. Se trata de um recado que não apenas rejeita o estilo arrogante e autoritário, mas também a agenda do presidente.

Foi neste cenário de autoinfligido estrangulamento econômico que o pragmatismo, a mais antiga das virtudes na política real, falou mais alto. O presidente Trump, pressionado pela necessidade de aplacar a inflação e evitar uma recessão em ano eleitoral, se viu forçado a buscar uma saída. O encontro com Lula na Ásia foi o ponto de virada. Longe de ser um gesto de benevolência, foi o reconhecimento tácito de um erro de cálculo monumental. A retirada das tarifas, negociada em seguida por meio de um grupo de trabalho chefiado pelos chanceleres de ambos os países, foi a consequência lógica. O Brasil, sob a liderança de Lula, manteve a postura de um Estado soberano: não se curvou ao bullying, manteve o diálogo e defendeu seus interesses com elegância e firmeza.

O desfecho, enfim, é uma vitória robusta e multifacetada para o Brasil. Economicamente, reabre um fluxo comercial importante e de décadas de cooperação comercial entre os dois países. Politicamente, é a certificação internacional de que o projeto bolsonarista, em sua versão mais radical e antinacional, está moralmente falido.

A imagem de Eduardo Bolsonaro e seu parça ficou irremediavelmente associada à pecha de traidores e sabotadores. A condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses anos prisão aconteceu; e segue seu curso legal e imparcial. Ocorreu apesar de, e não por causa de, toda a pressão internacional, provando a solidez das instituições democráticas brasileiras.

Internacionalmente, indubitavelmente, é uma vitória para o BRICS, demonstrando a resiliência do bloco frente a políticas unilaterais e hostis. E, acima de tudo, é uma lição. Uma lição de que a chantagem tem prazo de validade, que o extremismo é um projeto autofágico e que, no tabuleiro global, a soberania e o pragmatismo, quando exercidos com dignidade, sempre prevalecem sobre a aventura irresponsável. O desmoronamento da narrativa da extrema-direita não foi um acidente; foi o inevitável desfecho de uma aposta feita contra a realidade.

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