2026: O vazio da extrema direita e a reconquista de Lula

O vazio da extrema direita e a reconquista de Lula.

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Por PolitikBr I Brasília, Em 17/10/2025, 20h:10, Leitura: 5 min

Há momentos na história política de um país em que o destino parece entrar em compasso de espera — e o Brasil vive exatamente um desses momentos. Enquanto a extrema direita se debate em busca de um nome que una o campo conservador, Lula, a despeito dos ataques incessantes e das crises fabricadas, se consolida como o favorito incontestável à Presidência em 2026.

Se as eleições fossem hoje, Lula venceria com facilidade qualquer adversário. Com possibilidade de vencer até mesmo no primeiro turno. E o mais curioso é que essa recuperação de popularidade junto à sociedade não se deu por acaso, mas pelo colapso ético, estratégico e moral de seus oponentes.

A extrema direita — que há poucos anos marchou coesa sob o estandarte do bolsonarismo — agora se revela um amontoado de facções desconfiadas, ressentidas e sem projeto.

A família Bolsonaro se tornou um fardo político, e sua presença em qualquer chapa presidencial é hoje vista como inviável, como reconheceu recentemente o ex-ministro Ciro Nogueira, um dos estrategistas mais experientes do campo conservador. O bolsonarismo, outrora símbolo de força, virou sinônimo de desgaste, radicalismo e risco eleitoral.

Enquanto isso, o suposto “plano B” da elite, Tarcísio de Freitas, começou a ruir antes mesmo de sair do papel. Seu governo em São Paulo, repleto de contradições, erros administrativos e excessos autoritários, decepcionou os empresários e banqueiros que nele depositaram esperanças de um liberalismo eficiente e moderno.

A matéria do Estado de Minas é contundente: a elite se sente “traída” por Tarcísio, que trocou a imagem de gestor técnico por uma caricatura de político ressentido, mais preocupado em se vitimizar e atacar a imprensa do que em governar com competência. Sua insistência em agradar os mais radicais do bolsonarismo afastou o eleitor de centro e deixou o mercado sem um candidato confiável.

A extrema direita, nesse cenário, perdeu o rumo. Cada facção tenta reescrever a narrativa do fracasso de 2022, mas “nenhuma consegue escapar da sombra do “mito”.

O bolsonarismo, desmoralizado, ainda tenta sobreviver no submundo das redes sociais, entre fake news e teorias conspiratórias. Mas, fora das bolhas digitais, o Brasil real voltou a respirar política. A economia vai bem, o desemprego é o menor das últimas décadas, o salário mínimo voltou a crescer acima da inflação e a imagem de Lula — por mais atacada que tenha sido e seja — volta a se confundir com aquele que trouxe paz, ordem, progresso, estabilidade e, em especial, previsibilidade.

A diferença central é que Lula, ao contrário de seus adversários, não precisa de um salvador para explicar seu governo. Ele representa o Brasil possível: o país que já viveu o pleno emprego e agora vive novamente, que valorizava a educação e agora volta a valorizar de novo, que colocou comida na mesa e trouxe dignidade para a vida das pessoas. Lula resgatou tudo isso, na medida em que o governo Bolsonaro jogou milhões e milhões de volta à fome. É isso que a elite não compreende — e que a extrema direita não consegue combater. Porque não tem projeto de país. Porque não oferece nada ao povo, a não ser a premissa de favorecer e governar para os milionários e bilionários.

Os mesmos grupos que patrocinaram a ascensão de Bolsonaro agora se veem diante de um dilema. Qual projeto defender? Qual nome sustentar? E, mais grave: como convencer o eleitorado de que, depois de tudo de mais abjeto que o bolsonarismo nos revelou — corrupção, fanatismo, ataques à democracia —, eles representam algo novo? Uma alternativa viável à Lula, mais forte eleitoralmente do que nunca?

Lula, por outro lado, não precisa provar mais nada. Aos 79 anos, mostra o mesmo vigor de um operário; que entende o que é povo como ninguém. Seu discurso toca em algo que a elite financeira e a empresarial jamais compreenderão: a linguagem do povo. É isso que o torna, novamente, o candidato mais temido pelas elites e o mais querido pelas massas.

Enquanto Tarcísio tropeça em sua própria arrogância e os bolsonaristas se engalfinham em busca de relevância, Lula ocupa o espaço com naturalidade. Não por milagre, mas por contraste. Seu governo é discreto, pragmático e longe de escândalos.

Os indicadores econômicos do governo Lula melhoraram, e muito. A inflação, mesmo sob pressão global, foi controlada e está caindo. Essa normalidade — que deveria ser regra — virou, no Brasil pós-bolsonarismo, um ato revolucionário. Afinal, Lula e Haddad herdaram a herança maldita da desordem das contas públicas e da ineficiência do governo Bolsonaro.

Nas redes, o discurso bolsonarista tenta se reciclar, mas soa mais falso do que nunca. Afinal, o que eles tem a oferecer? baderna, tumulto e lacração on line?

O cansaço da narrativa do “nós contra eles” já não mobiliza. Apenas os radicais se apegam ao velhos chavões mais do que manjados. A tentativa de reeditar o antipetismo fracassa, porque o Brasil aprendeu que o caos que a extrema direita trouxe ao Brasil custou caro demais. E, sem narrativa, sem liderança e sem projeto, a extrema direita se esvai no próprio vazio que criou.

A elite econômica, por sua vez, sente o peso da própria miopia. Depois de apostar em figuras que venderam a ilusão de um Estado mínimo e uma economia de mercado sem povo, agora descobrem que o mercado sem povo é um deserto. E no deserto, quem tem água — no caso, quem tem votos — é rei. Lula tem ambos: popularidade e legitimidade.

É sintomático que, enquanto a extrema direita briga por um nome, Lula concentre o debate sobre ideias. Sua prioridade em discutir transição energética, reindustrialização e programas sociais sustentáveis recoloca o país no eixo da racionalidade. O contraste é cruel: de um lado, projetos; do outro, ressentimentos e trapaças. O vazio da extrema direita é existencial. O bolsonarismo foi a aposta desesperada de uma elite que preferiu o caos.

A corrida eleitoral de 2026 começa com uma clara vantagem. Lula tem a seu lado a verdade histórica de um Brasil que se reencontrou. Lula se tornou, novamente, o símbolo que tantas vezes derrotou o preconceito e o poder econômico combinados.

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