A paz espera pelo fim de Netanyahu
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Por PolitikBr I Brasília, Em 16/10/2025, 19h07, Leitura: 5 min
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil poderá normalizar as relações diplomáticas com Israel assim que Benjamin Netanyahu deixar o poder, ele não estava apenas comentando um episódio momentâneo da geopolítica. Estava, na verdade, recolocando o Brasil no eixo da moralidade internacional. A fala, feita após o cessar-fogo mediado por Donald Trump entre Israel e o Hamas, ressoa como um divisor de águas entre dois mundos: o da barbárie institucionalizada e o da diplomacia baseada em princípios humanitários.
Não é segredo que, desde 7 de outubro de 2023, o Oriente Médio entrou em uma espiral de horror. O ataque do Hamas, usado como gatilho narrativo por Tel Aviv, abriu as portas para uma das mais brutais operações militares da história recente. Cidades e vilas arrasadas, crianças, mulheres e idosos assassinados à sangue frio em brutais bombardeios; soterrados sob escombros; hospitais bombardeados, jornalistas assassinados por revelar ao mundo a tragédia da limpeza étnica — e uma retórica oficial que chamou tudo isso de “autodefesa”.
O que se viu em Gaza foi um uma ação meticulosamente planejada e executada sob o pretexto de eliminar o inimigo: o povo palestino.
Enquanto a mídia ocidental se calava — ou pior, legitimava o massacre —, o Brasil se ergueu como uma das vozes mais firmes contra o genocídio. Lula, em meio à tempestade diplomática, sustentou o óbvio que muitos se recusavam a dizer: o que Israel fazia em Gaza não era uma guerra; era extermínio. Matança em massa.
O Itamaraty, mesmo sob imensa pressão das mídias pró sionistas e da base parlamentar da extrema direita do Brasil, manteve a linha de condenação aos ataques desproporcionais, reafirmando o princípio da autodeterminação do povo palestino e denunciando o uso sistemático do terror e da fome como ferramentas de política de Estado.
Mas há uma dimensão ainda mais profunda nessa história — e é aqui que a fala de Lula ganha um peso histórico. Ao dizer que o problema do Brasil não é com Israel, mas com Netanyahu, até porque o judaísmo abomina os crimes que o sionismo comete desde 1948, o presidente traçou um limite moral claro entre um povo e o seu governo. Separou o judaísmo do sionismo. Distinção esta que o Ocidente prefere apagar, porque nela reside a chave para desarmar o discurso vitimista e beligerante que sustenta a máquina de guerra israelense.
Netanyahu destruiu toda a simpatia que o mundo nutria pelo povo judeu, especialmente após o holocausto da segunda grande guerra.
Ao longo de sua carreira à frente do governo, ele transformou Israel em um Estado refém de seu próprio extremismo. E o mundo finalmente percebeu que o sionismo é malévolo. Um escudo para a violência, sob o pretexto da auto segurança. Uma doutrina expansionista, que usa a propaganda como instrumento de manipulação global.
Sob o comando de Netanyahu, Israel desafiou abertamente as resoluções a ele contrárias da ONU, bloqueou sistematicamente a ajuda humanitária à Gaza, levando ao desespero e a fome os inocentes, vítimas de uma brutalidade sádica, sem igual. Atacou jornalistas. E, mesmo após o cessar-fogo imposto sob mediação americana, o governo de Netanyahu começou a sabotar os termos do acordo, realizando incursões pontuais e bloqueando rotas de reconstrução — numa clara tentativa de forçar a ruptura do que foi acordado.
Essa sabotagem, como analisei no artigo “Netanyahu sabota o Plano de Paz de Trump” (PolitikBr, 16/10/2025), revela o mesmo padrão de comportamento que há décadas define a liderança sionista: jamais aceitar a paz que não seja imposta por eles mesmos. E isso é precisamente o que irrita Tel Aviv — ver o mundo, pela primeira vez em muito tempo, questionar o monopólio israelense sobre a narrativa da dor.
Entre as vozes que ousaram desafiar essa narrativa estava Charles Kirk, o militante conservador americano assassinado em circunstâncias ainda mal explicadas. No artigo “O assassinato de Charlie Kirk, o sionismo e as versões que desmoronam”, Kirk sustentava uma hipótese perturbadora: a de que o ataque de 7 de outubro pelo Hamas poderia ter sido, ao menos em parte, facilitado pelo próprio aparato de segurança israelense — não por incompetência, mas por cálculo. A tese é ousada, mas encontra ecos em análises históricas de como regimes belicistas fabricam pretextos para justificar medidas extremas.
O massacre em Gaza, portanto, não é um evento isolado. É a culminância de uma doutrina — o sionismo expansionista — que se alimenta do medo e do ódio. Uma ideologia que sequestrou a causa judaica, transformando a legítima luta contra o antissemitismo em instrumento de dominação. E Lula, ao marcar posição contra isso, não está “tomando partido” de um lado, mas resgatando a essência do multilateralismo brasileiro: o diálogo, a mediação e o respeito ao direito internacional.
Quando o presidente afirma que as relações poderão ser normalizadas após a saída de Netanyahu, ele está, na prática, sinalizando ao mundo que o Brasil não romperá pontes com o povo israelense — mas tampouco fingirá neutralidade diante de crimes contra a humanidade. É uma declaração de princípios: o Brasil não compactua com regimes de apartheid, nem aceita a chantagem diplomática que tenta silenciar quem denuncia o óbvio.
O cessar-fogo, mediado por Trump, é frágil. Mas a frase de Lula traz uma esperança simbólica: a de que há um caminho para reconstruir a convivência internacional a partir da ética, e não da força. O “inimigo” do Brasil nunca foi Israel. O inimigo é a política que mata em nome de Deus e chama isso de “segurança nacional”.
Enquanto Netanyahu continuar no poder, Israel continuará a se isolar — e o mundo continuará a olhar para Gaza como um espelho do que somos capazes de tolerar em nome de alianças políticas. A saída dele, portanto, não é apenas uma exigência moral, mas uma necessidade civilizatória. E quando esse dia chegar, a normalização das relações entre o Brasil e Israel não será apenas um gesto de boa vontade, mas um sopro de esperança em prol da humanidade.
Esse artigo foi baseado em:
https://politicaemdebate.org/2025/10/16/netanyahu-sabota-o-plano-de-paz-de-trump/
https://www.brasil247.com/brasil/lula-brasil-nao-tem-problema-com-israel-tem-problema-com-netanyahu