As bravatas de Eduardo Bolsonaro e a rejeição popular à anistia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 03/10/2025, 20h:24, Leitura: 4 min

A rejeição popular ao projeto de anistia aos golpistas do 8 de janeiro cresce de forma inquestionável, se transformando em um dos maiores consensos sociais do Brasil recente. O que começou como uma pauta agressivamente pressionada pelo núcleo bolsonarista e setores do Centrão, caiu em descrédito até entre os apoiadores do ex-presidente: os próprios bolsonaristas hoje reprovam majoritariamente o perdão aos seus correligionários condenados por conspiração e vandalismo institucional (64% da população se manifesta contra qualquer tipo de anistia, incluindo 55% dos eleitores de Bolsonaro).

O projeto de anistia, politicamente morto, tenta ser reanimado pela artimanha da “dosimetria”, um truque legislativo promovido como ajuste de penas, mas que não passa de anistia disfarçada para beneficiar o núcleo duro do golpismo. A proposta, arquitetada pelo Centrão e seus aliados oportunistas, busca redução de até 11 anos nas penas dos condenados pela tentativa de golpe de estado — incluindo o próprio Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão. É o escárnio travestido de artimanha jurídica: “Chamam de ‘projeto da dosimetria’, mas na prática é uma anistia para beneficiar, em especial, o núcleo central da trama golpista”.

A resposta das ruas, das redes sociais, jogou luz sobre o abismo que separa as classes políticas dos anseios populares. As manifestações contrárias ocuparam as capitais, e não raro, analistas apontam que o desgaste da elite parlamentar é ainda maior do que o dos próprios condenados golpistas. Os parlamentares recuaram — e recuam mais a cada nova rodada das pesquisas de opinião, que apontam, sem equívocos, que quem apoia projetos espúrios e mal cheirosos como os da anistia ou da dosimetria está em guerra aberta contra a maioria da sociedade.

No seu pano de fundo a disputa é clara: anistia neste contexto não é nobre, não arquiva feridas históricas nem encerra ciclos de exceção. Aqui, o perdão serve apenas como alvará de impunidade para golpistas, e a “dosimetria” é a manobra cínica do establishment fingindo o que não tem coragem de defender em público. A maioria dos brasileiros assim interpreta e rejeita categoricamente: o novo Brasil democrático não aceita os truques e as trapaças costumeiras da velha oligarquia legislativa.

O fiasco de ver a “anistia aos golpistas” murchar é a derrocada do projeto bolsonarista e sintoma explícito do isolamento político de todo o clã, ainda mais do mais radical deles, Eduardo Bolsonaro. Refugiado nos EUA, Eduardo, que já foi visto como articulador internacional do bolsonarismo, hoje ecoa bravatas dignas de um personagem fora da realidade institucional — e, não por acaso, deve ter sua prisão preventiva decretada em breve, caso haja parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

O ápice dos delírios autoritários de Eduardo é agora a ameaça: “Sem anistia, não haverá eleições em 2026”. Afinal. Quem ainda ouve esse cara? É só auto promoção e desespero típicos dos perdedores, que se debatem enquanto afundam na irrelevância.

A ilusão de que Eduardo ou a sua família possam sequestrar um processo democrático inteiro só revela a ruína dos Bolsonaros. Algo non sense. Talvez Eduardo pretenda enviar os mariners à Brasília. Uma reedição saudosa de 64…Quem sabe o que se passa na cabeça dele? Acho quem nem mesmo o pai, condenado, sabe.

O bolsonarismo tenta, com discursos incendiários e ameaças vazias, reverter um naufrágio já consumado: a PEC da anistia derreteu diante da resistência social. E quanto a Eduardo, mesmo dentro do clã, cresce a percepção de que se ele se tornou um problema e não um ativo político, tamanho o descontrole de suas últimas declarações. Políticos tradicionais e amplos setores do próprio PL já o tratam como carta fora do baralho.

Quanto mais o bolsonarismo se debate em prol de propostas impopulares e grotescas, e que juridicamente não se sustentam, mais afunda no lodaçal da rejeição pública e das brigas entre si e contradições. Lula 2026 agradece tamanho amadorismo.

Esse artigo foi baseado em:

https://www.viomundo.com.br/politica/jeferson-miola-anistia-disfarcada-de-dosimetria.html

https://www.cartacapital.com.br/politica/cresce-a-rejeicao-dos-brasileiros-ao-projeto-de-anistia-aos-golpistas-mostra-pesquisa/

https://politicaemdebate.org/2025/09/25/o-centrao-em-alerta-o-risco-iminente-de-naufragio-da-pec-da-anistia-dosimetria/

https://vermelho.org.br/2025/10/03/64-dos-brasileiros-rejeitam-anistia-a-golpistas-aponta-poderdata/

Cresce a rejeição dos brasileiros ao projeto de anistia aos golpistas, mostra pesquisa – CartaCapital

https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2025/10/7261620-sem-anistia-nao-havera-eleicao-em-2026-diz-eduardo-bolsonaro.html

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