Em entrevista à Nima R. Alkhorshid do Podcast Dialogue Works Português, o ex-oficial da inteligência militar dos EUA, Scott Ritter, voltou a acender o alerta vermelho sobre os rumos da guerra na Ucrânia e seus efeitos devastadores para a própria Europa.
Ritter afirmou que a derrota completa da Ucrânia não será apenas uma tragédia nacional, mas o gatilho para o colapso da OTAN e da União Europeia.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 01/09/2025, 20h:52, Leitura: 5 min
As baixas insustentáveis da Ucrânia
Mais de três anos após o início da chamada “Operação Especial Russa” na Ucrânia, a guerra se tornou um divisor de águas geopolítico entre a OTAN/Europa, os EUA, a Ucrânia e a Rússia. O ex-oficial da inteligência militar dos EUA, Scott Ritter, argumenta que a derrota completa da Ucrânia no campo de batalha é, na verdade, a derrota de toda a Europa — e pode significar o colapso da própria OTAN como instrumento hegemônico dos EUA.
Segundo Ritter, a guerra travada na Ucrânia é, de fato, uma guerra da OTAN contra a Rússia usando soldados ucranianos como bucha de canhão. Washington e Bruxelas fornecem armas, inteligência e apoio financeiro, mas quem luta (e morre) nas trincheiras são os ucranianos.
Ritter cita números chocantes: as baixas ucranianas ultrapassariam 1,7 milhão de mortos e desaparecidos desde 2022 (em recente entrevista o coronel Douglas MacGregor disse que o número de combatentes mortos do lado ucraniano passa de 1,8 milhão, com o mesmo número de inválidos e gravemente feridos). Apenas nos últimos meses, as perdas médias chegam a 90 mil combatentes ucranianos por mês, com tendência a subir para 100 mil em breve. Do lado russo, Ritter afirma que a razão de perdas pode variar de 1 para 10 ou até 1 para 15 em relação aos ucranianos — ou seja, muito menores, ainda que significativas ao contexto da guerra mais brutal desde a Segunda Guerra Mundial.
O desespero do Ocidente: nenhuma vitória estratégica
Enquanto os sucessivos pacotes de armas prometidos pelos EUA e pela OTAN jamais chegaram em quantidade suficiente (e muitos nem existem ainda nos arsenais ocidentais), Ritter enfatiza: A Europa, dependente de energia e estabilidade russa, sangra economicamente e politicamente, colhendo instabilidade jamais vista desde a fundação da União Europeia.
A produção militar russa já superou as necessidades do campo de batalha; e a infraestrutura ucraniana, o exército e a base demográfica do país estão perto do limite do colapso.
O analista é direto: Ao prolongar o conflito, a aliança está “destruindo o pool genético da Ucrânia” e arrastando toda a Europa para a ruína.
A Rússia, por sua vez, controla a narrativa estratégica: não aceita concessões que comprometam sua vitória militar. “A paz só virá pela vitória”, resume Ritter.
O risco de colapso europeu
A consequência, segundo Ritter, pode ser catastrófica: o conflito é menos sobre a preservação da “democracia” ucraniana e mais sobre o desejo dos EUA de enfraquecer a Rússia estrategicamente e garantir o controle geopolítico do “tabuleiro europeu”. O cálculo americano, porém, pode acelerar a própria decadência da OTAN e do poder dos EUA na Europa, abrindo espaço para instabilidades inéditas, ressurgimento de rivalidades históricas no Velho Continente e ameaças à ordem global.
Se a OTAN e a Europa forem derrotadas junto com a Ucrânia, “mini-alianças militares” já existentes dentro da própria OTAN podem entrar em conflito aberto por disputas de fronteira e influência regional. O cenário traçado por Ritter aponta para:
- Fim da União Europeia: França e Alemanha, já mergulhadas em crises políticas e econômicas, podem ser engolidas por governos nacionalistas pró-Rússia (extrema direita);
- Mini-OTANs e novas guerras: alianças militares paralelas já formadas nos Bálcãs (Albânia, Croácia, Kosovo vs. Sérvia, Hungria e Eslováquia) podem desencadear novos conflitos regionais;
- Risco de guerra germano-polonesa: disputas históricas por territórios como Silésia e Prússia Oriental podem reacender, com o Reino Unido e a França sendo arrastados para lados opostos.
O cenário é de uma Europa condenada a vários anos de guerras, caso a OTAN insista em prolongar a aventura ucraniana.
A Rússia não quer o caos
Apesar da narrativa ocidental, Ritter lembra que a Rússia não deseja o colapso da Europa nem da OTAN. Moscou prefere estabilidade e previsibilidade para planejar seu futuro. O problema, diz o analista, é que a teimosia dos EUA e de parte da elite europeia pode entregar exatamente o contrário: um continente fragmentado, falido e em guerra consigo mesmo.
A análise de Scott Ritter desmonta o discurso oficial da OTAN e das capitais europeias. Para ele, a guerra já está perdida para Kiev, e cada dia de prolongamento só serve para:
- matar mais ucranianos,
- afundar a economia europeia e
- garantir a vitória estratégica russa.
Quanto mais o Ocidente prolonga a guerra, mais aprofunda a tragédia ucraniana — e mais se condena a uma derrota que pode mudar para sempre o equilíbrio global.
Segundo o professor Jeffrey Sachs, a OTAN — criada para “defender” a Europa da União Soviética — deveria ter se dissolvido em 1990 com a dissolução da União Soviética. Mas no cenário traçado por Ritter ela será responsável por seu colapso final.
Referências usadas nesse artigo:
A Jogada Surpreendente da Rússia para Derrubar Tudo | Scott Ritter (vídeo)


