A retaliação contra os Estados Unidos deixou de ser apenas pauta diplomática e entrou no carrinho de compras dos brasileiros. Já não se trata só de comunicados oficiais ou notas de repúdio: cresce no Brasil a campanha popular de boicote a produtos e serviços americanos, num movimento semelhante ao que já se vê no Canadá e em outros países atingidos pelo tarifaço arbitrário de Donald Trump.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 30/08/2025, 12h:13, Leitura: 2 min
Do café brasileiro ao deboche canadense
No Canadá, a resposta às tarifas impostas por Trump foi debochada: “aqui temos café barato do Brasil, Trump que se vire”. Uma ironia à política de coerção dos EUA que não só fracassa, mas ainda fortalece os sancionados. Uma lógica estúpida por trás de tal decisão ilegal, conforme decisão de um tribunal federal americano. E quanto mais Washington tentar estrangular as economias alheias, mais abrirá espaço para novos arranjos comerciais — e o Brasil surge como fornecedor direto de commodities que antes passavam por intermediação americana.
O Brasil na linha de frente
No Brasil, a campanha de boicote mobiliza consumidores a abandonar produtos e marcas norte-americanas, da Coca-Cola ao McDonald’s, passando por itens de tecnologia e serviços financeiros. Não se trata apenas de patriotismo: é reação contra o ataque econômico travestido de diplomacia.
Mas a resposta não é só popular. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a aplicação da Lei de Reciprocidade, recentemente aprovada pelo Congresso, para retaliar formalmente os EUA. Ou seja: se Trump impõe tarifas contra o Brasil, o Brasil também impõe contra os EUA. O gesto marca uma virada: não só negociação, mas afirmação soberana.
BRICS e a força da solidariedade internacional
O movimento do Brasil não ocorre isolado. A China, através do chanceler Wang Yi, declarou apoio explícito ao Brasil contra o unilateralismo e a intimidação de Trump. Dentro do BRICS, cresce a percepção de que os ataques econômicos não são contra países isolados, mas contra o irreversível movimento em direção a uma nova ordem. A ordem multipolar. Nesse sentido, cada boicote, cada tarifa de retaliação, cada pacto comercial fora da órbita do dólar é uma afirmação de soberania coletiva e de enfraquecimento geopolítico americano.
O veneno da extrema direita e a cura pela soberania
É preciso sublinhar: quem articula e vibra com as sanções contra o Brasil é a extrema direita local – os bolsonaristas – e o deputado autoexilado nos EUA Eduardo Bolsonaro, que seguem pedindo ajuda a Trump para pressionar o Brasil. É o cúmulo. Aqueles que criticam Eduardo Bolsonaro, classificam como traição: conspirar contra o próprio país, torcendo pela derrota econômica da pátria em troca da impunidade ao pai.
O boicote aos produtos americanos, portanto, é mais do que uma reação ao bolso: é também um gesto simbólico contra a submissão colonial, contra o entreguismo e contra a extrema direita brasileira que se ajoelha diante de Trump e dos EUA.


