Reinaldo Azevedo: “Flavio Bolsonaro o Golpista da Negociação

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Por Política em Debate I Brasília, Em 21/07/2025, 18h:03

A cena política brasileira já ficou pequena para as intenções do clã Bolsonaro. Após embarcar para a Europa na véspera da operação que colocou seu pai, Jair Bolsonaro, sob escrutínio jurídico, o senador Flávio Bolsonaro não quis saber de discrição: deu entrevista à Folha de S.Paulo defendendo abertamente a preparação de um golpe de Estado em 2027, caso as condições eleitorais desagradem ao bolsonarismo. Não se trata de exagero da crítica ou de uma leitura enviesada; se trata de denúncia direta, feita pelo jornalista Reinaldo Azevedo, um dos jornalistas mais respeitados do Brasil e ferrenho defensor da Democracia e do Estado de Direito, com base nas próprias palavras do senador ao jornal, e em falas públicas em vídeo.

Reinaldo: Safados tentam edulcorar as ameaças golpistas feitas por Flávio ao Supremo

O “contrato de gaveta” para rasgar a Constituição

Segundo análise de Reinaldo Azevedo — e confirmando a própria entrevista — Flávio Bolsonaro admite que há um acordo informal, um “contrato de gaveta”, entre o bolsonarismo e o aspirante a candidato de 2026. O pacto: se eleito, o candidato bancado por Bolsonaro estará comprometido a dar indulto ou promover anistia ao ex-presidente e a todos os responsáveis pelas tentativas golpistas anteriores. Mais: caso o Supremo Tribunal Federal declare o indulto inconstitucional, caberá ao novo presidente “agir” para garantir o perdão, ainda que isso signifique atropelar o Judiciário com uso da força militar.

  • Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz a composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo falando inconstitucional, volta todo mundo pra cadeia. Isso não dá”, disse Flávio. Ele reforça: “Certamente o candidato que o presidente Bolsonaro vai apoiar vai ter que ter esse compromisso, sim”.
  • Reinaldo Azevedo denuncia: “A unção de seu pai passa pelo compromisso com uma futura intentona e isso não será dito às claras agora. Logo, já sabemos que o ungido pelo ‘Mito’ terá necessariamente um contrato de gaveta que prevê rasgar a Constituição”.

Direto no golpe: ameaça aberta à democracia

A entrevista de Flávio é explícita: caso o Supremo Tribunal Federal reaja e tente impedir o indulto, o governo eleito pelo bolsonarismo deverá estar pronto para “interferência direta entre os Poderes” — no limite, para usar a força e pressionar o STF. Reinaldo Azevedo classifica essa fala como a admissão de que não haverá eleição normal em 2026 e que só será tolerada uma “direita permitida”, ou seja, comprometida com a proteção dos golpistas e pronta para rasgar a ordem democrática.

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O papel da imprensa e o risco institucional

A estratégia de Flávio e da família é testada há anos: flertar com o golpismo, medir reações, exigir tutela judicial e militar sobre o processo político. Reinaldo critica duramente o jornalismo que relativiza ou tenta diluir o impacto dessas declarações, enfatizando que ignorar a ameaça é atentar contra a própria democracia.

A fuga (?) para o exterior diante do cerco legal, somada à defesa aberta de golpe (com detalhes operacionais e pacto informal), marca Flávio Bolsonaro como o novo “negociador golpista” do grupo familiar. Não há mais subtexto, não há mais insinuação: a ameaça à ordem constitucional agora é pública, nominal e documentada, com a anuência de um segmento do Parlamento — e sob denúncia frontal do jornalismo crítico, como faz Reinaldo Azevedo. O Brasil, mais uma vez, flerta com o perigo de um “acordo de bastidor” para sacrificar o futuro da República em nome da autoproteção dos de sempre.

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