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Por Política em Debate I Brasília, Em 21/07/2025, 13h:10
Em uma demonstração de prepotência e desdém pela lei, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro voltou a se expor em uma live com ataques diretos e ameaças à Polícia Federal (PF), especialmente contra servidores responsáveis pelas investigações que envolvem seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e ele próprio.
Agindo com impunidade — amparado por seu mandato parlamentar ainda não cassado, apesar de tudo que está ocorrendo, o que é uma vergonha para Hugo Motta — , e protegido por um pano de fundo de apoio nos Estados Unidos, Eduardo mostrou, mais uma vez, que se julga acima da lei. Talvez ele tente “encarnar” uma lei própria: a lei das ameaças.
“Cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber quem você é”
Durante a transmissão ao vivo, Eduardo direcionou palavras duras aos agentes da PF, em especial a um delegado específico, Fábio Schor, figura central nas investigações contra o bolsonarismo que inclui a trama golpista que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele afirmou:
“Se eu ficar sabendo quem você é, eu vou me mexer aqui. Vai lá, coleguinha da Polícia Federal. Cachorrinho da Polícia Federal que está me assistindo, deixa eu saber não, irmão. Se eu ficar sabendo quem você é, vou me mexer.”
O tom, no mínimo ameaçador, já resultou em reação oficial. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou as falas de Eduardo como uma “covarde tentativa de intimidação aos servidores policiais”. O delegado reafirmou que tais declarações serão incluídas no inquérito em andamento contra Eduardo Bolsonaro, que apura obstrução de justiça, coação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
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Protegido internacionalmente, protegido no Congresso?
Desde que se instalou nos Estados Unidos, financiado por Jair Bolsonaro que confessou ter enviado a Eduardo R$ 2 milhões, sob a alegação de perseguição política, Eduardo Bolsonaro tem usado sua influência junto aos congressistas republicanos de extrema direita, do governo Trump, para pressionar a mais alta corte do Brasil (STF) — em especial o ministro Alexandre de Moraes — em prol de uma anistia a Jair Bolsonaro; o que já resultou em vistos cancelados dos ministros do STF, à exceção dos ministros André Mendonça, Kassio Nunes e Edson Fachin, e do Procurador Geral da República, também alvo da sanção. Além da já mais que noticiada movimentação de Eduardo contra o povo brasileiro, para que os EUA impusesse uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros.
Essa estratégia cria um escudo diplomático para o deputado, que se sente amparado “sob as asas de Trump” e do parlamento daqui, e desfruta da invulnerabilidade proporcionada por seu mandato parlamentar, que, apesar de toda controvérsia, continua lhe garantindo foro privilegiado e proteção legislativa. Um acinte à democracia. Um escárnio com a sociedade.
Se Eduardo Bolsonaro fosse parlamentar americano, lá ele já estaria preso. Mas como parlamentar brasileiro, licenciado, ele segue deputado sob o silêncio do presidente da Câmara.
Estratégia suicida: cavar buraco cada vez mais fundo
Analistas políticos e colunistas, como Josias de Souza, avaliam que Eduardo continua cavando o próprio buraco, aprofundando sua situação jurídica e política. Ele apostou numa estratégia agressiva de confrontação que, ao invés de aliviar sua situação, a complicou ainda mais. A ameaça aberta à PF é mais um passo nesse caminho tortuoso que ele abraçou.
O que Eduardo Bolsonaro arrisca?
Além de ampliar o inquérito contra si, Eduardo arrisca desgastar ainda mais sua imagem política e agravar a crise da família Bolsonaro dentro do Congresso e na opinião pública nacional. A fala agressiva e os ataques às instituições indicam que ele aposta em um desgaste institucional clássico, como forma de fazer sua defesa, enquanto esconde a fragilidade jurídica e política que o cerca. Esse discurso é para as falanges bolsonaristas. Para as manter mobilizadas.
A bravata de Eduardo Bolsonaro expõe o drama de um parlamentar que ultrapassou todos os limites da civilidade política, usando o mandato parlamentar para ameaçar agentes da lei, enquanto considera sua imunidade invulnerável — especialmente por estar “protegido” no exterior. A resposta da Polícia Federal, firme e inequívoca, demonstra que esse jogo de intimidações terá consequências legais e políticas. No Brasil, mesmo que protegido por foro e alianças internacionais, ninguém está acima da lei.
Esse artigo foi baseado nessas referências:
CNN Brasil – Diretor da PF diz que ameaça de Eduardo será incluída em inquérito
Veja – Chefe da PF inclui ameaças de Eduardo Bolsonaro em inquérito no STF
UOL – Josias: Em estratégia suicida, Eduardo Bolsonaro cutuca PF e se complica
UOL – Diretor da PF diz que fala de Eduardo é ‘covarde tentativa de intimidação’
G1 – Eduardo Bolsonaro ameaça Polícia Federal em live, e diretor-geral reage