Haddad diz que tarifa de Trump ao Brasil é política e “não vai se sustentar”

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Por Política em Debate I Brasília, Em 10/07/2025, 12h:50

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou como “insustentável” a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

Em entrevista coletiva a mídias independentes, Haddad afirmou que a medida “não parte de nenhuma racionalidade econômica” e disse não acreditar que ela vá perdurar.

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“A decisão é eminentemente política, porque ela não parte de nenhuma racionalidade econômica. Nós somos, nos últimos 15 anos, deficitários em mais de US$ 400 bilhões com os Estados Unidos”, argumentou o ministro.

Haddad lembrou que mesmo quando a tarifa era de 10%, havia espaço para negociação, justamente porque o Brasil é deficitário na balança de bens e serviços com os EUA.

Hoje estamos falando de uma tarifa insustentável, tanto do ponto de vista econômico quanto político, de 50%”, reforçou.

O ministro alertou para o impacto direto sobre setores estratégicos, como o agro e a indústria paulista — especialmente o suco de laranja e a Embraer. “Até a extrema-direita vai ter que reconhecer mais cedo ou mais tarde que deu um enorme tiro no pé”, disse.

Acusações à família Bolsonaro

O ministro atribuiu a escalada da tensão comercial a uma ação deliberada da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“A única explicação plausível é que a família Bolsonaro urdiu esse ataque ao Brasil com um objetivo específico: escapar do processo judicial que está em curso”, declarou. Isso para nós e para qualquer um que acompanha o dia-a-dia da política está mais do que claro.

Segundo Haddad, o próprio deputado Eduardo Bolsonaro teria sugerido que a situação poderia piorar se não houvesse perdão ao ex-presidente.

Não é uma acusação infundada. Isso ele disse publicamente”, acrescentou Haddad.

A Farra do Dep. Fed. Hugo Motta (Centrão) com Dinheiro Público

Aposta na diplomacia

Apesar da gravidade do cenário, Haddad se disse confiante na capacidade do Brasil de reverter a medida. Destacou a tradição diplomática do Itamaraty e as negociações em curso com a União Europeia, países asiáticos e do Golfo como exemplos da capacidade brasileira de articulação internacional.

“Temos uma diplomacia reconhecida no mundo inteiro como uma das mais profissionais. Não faz o menor sentido, para as tradições diplomáticas brasileiras, um país com 200 anos de relação econômica com o Brasil adotar esse tipo de atitude”, afirmou.

Segundo o ministro, a resposta do governo será institucional e baseada na busca de parcerias e entendimento com os EUA, em vez de confronto.

“Foi um dia ruim, mas nós vamos encontrar um caminho de superar e esquecer que ele aconteceu, por uma boa relação entre dois povos que se gostam”, concluiu.

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