Douglas MacGregor: A Guerra Israel x Irã Não Acabou

A guerra entre Israel e o Irã só irá acabar quando um destruir o outro.

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Por Política em Debate I Brasília, Em 27/06/2025, 15h45

Você ligou a TV, viu Trump dizendo que venceu o Irã, que a guerra acabou, que foi tudo um sucesso? Pois é. Segundo o coronel Douglas MacGregor, é tudo encenação.

🔎 Quem é Douglas MacGregor?

Douglas MacGregor é coronel aposentado do Exército dos Estados Unidos, veterano altamente condecorado e um dos mais respeitados analistas militares do país. Ele ganhou notoriedade por seu papel na Guerra do Golfo (1991), onde liderou a famosa batalha de 73 Easting, considerada uma das maiores vitórias de blindados da história militar americana moderna.

Após deixar o serviço ativo, MacGregor tornou-se escritor, consultor de segurança nacional e comentarista de defesa em diversos veículos, incluindo Fox News e podcasts geopolíticos independentes. É autor de livros como Breaking the Phalanx e Transformation Under Fire, onde defende reformas profundas no modelo militar americano.

Em 2020, foi indicado por Donald Trump para o cargo de embaixador na Alemanha, mas sua nomeação não avançou no Senado. Ainda assim, serviu como conselheiro sênior do Secretário de Defesa nos últimos meses do governo Trump.

Mas, voltando ao nosso artigo: MacGregor foi direto ao ponto: essa guerra não acabou. Nem começou direito.

MacGregor critica a postura de Trump e da elite americana que insiste em dizer que “tá tudo bem, missão cumprida”. Para o coronel, essa fala é mais perigosa do que parece. Primeiro, porque não corresponde à realidade — o Irã não teve seu programa nuclear destruído. Segundo, porque cria uma ilusão de vitória, quando na verdade estamos apenas no início de um longo período de conflito.

Boomer TV e a manipulação da opinião pública

MacGregor usa um termo que deveria entrar para o vocabulário político mundial: Boomer TV. Segundo ele, toda a geração acima de 50 anos, com raras exceções, assiste a esses canais tradicionais de notícias e acredita cegamente em qualquer narrativa que seja repetida com força e segurança. A chamada midia mainstream. Trump sabe disso. Usa isso. E mente com a tranquilidade de quem acha que, se repetir algo muitas vezes, transforma em realidade.

“Ele acha que pode desejar algo e isso se tornará verdade”, diz MacGregor.

Mas a realidade não funciona assim. Muito menos na geopolítica.

Uma das frases mais famosas das atribuídas a Goebbels, o ministro da propaganda nazista, é que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Nos tempos atuais, de fake news em rede, a adaptação é simples. Lance uma mentira, seus seguidores repetem alguns milhões de vezes até que se torne verdade. Se a estratégia não é nova, é a base da propaganda de líderes da extrema direita como Trump nos Estados Unidos e Bolsonaro no Brasil.” (adaptação de BDF – Rádio Brasil de Fato)

A verdade incômoda: o Irã não foi destruído

Nosso blog já havia publicado sobre o que, de fato, resultou o ataque dos EUA ao Irã. O coronel MacGregor só reafirma o que já havíamos publicado: que os ataques americanos não destruíram nada relevante no programa nuclear iraniano. No máximo danificaram superficialmente algumas estruturas. Os locais estavam praticamente vazios.
E ele pergunta: Os iranianos esvaziaram tudo com duas horas de antecedência? Duvido muito.”

Para MacGregor, isso mostra que houve falha de inteligência ou, pior, escolha deliberada de ignorar a realidade. E aqui entra um ponto crucial da análise dele: Trump confiou totalmente nas informações de Israel e ignorou seus próprios serviços de inteligência. É o famoso “manda quem paga”. O Mossad fala, a Casa Branca abaixa a cabeça.

O show da vitória

O que vemos agora, segundo MacGregor, é apenas teatro político. Trump sabe que seus doadores querem guerra. Mas também sabe que o povo americano não quer mais se enterrar no Oriente Médio. Então faz esse meio-termo: ataques midiáticos, anúncio de vitória, discursos patrióticos, e volta pro campo de golfe.

O Irã segue de pé. O programa nuclear segue ativo. Essa é a realidade. O Irã saiu vitorioso. E Israel… bem, Israel esperava destruir o Irã em 24 a 72 horas, mas descobriu que subestimou o arsenal iraniano. Resultado? Correu para implorar aos EUA para entrar na guerra, salvá-los de uma fragorosa derrota. A destruição que as salvas de mísseis supersônicos, hipersônicos e drones kamikaze causaram à Israel foi sem precedentes. E Trump hesitou. Fez esse ataque “de vitrine” e voltou para casa dizendo: “Missão cumprida!”

A guerra ainda está na mesa

MacGregor alerta: essa guerra pode recomeçar amanhã, em seis semanas, em dois meses. Ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: ela não acabou. Nem de longe. Israel está ficando sem dinheiro e sem mísseis. Os EUA já dispararam centenas de mísseis de destróieres para defender Israel dos ataques iranianos. E a escalada pode explodir a qualquer momento.

Entre o desejo e a realidade

Trump, diz MacGregor, age como muitos presidentes antes dele: prefere ignorar relatórios de inteligência que contrariem sua narrativa. Mas isso não apaga os fatos. A guerra não acabou. E se recomeçar, será muito pior. Porque agora o Irã, a Rússia e a China estão cada vez mais unidos em torno de um objetivo simples: não serem destruídos pelo Império do Caos.

“Trump pode ter tentado calar o Irã com bombas, mas reacendeu a diplomacia euroasiática e fortaleceu a imagem de Teerã como vítima de agressão imperialista, o que agora se torna cristalino para a opinião pública mundial (veja vídeo), que empresta ao Irã cada vez mais apoio, e que vê o verdadeiro eixo do mal como sendo os Estados Unidos e Israel.” (Política em Debate)

“Trump incendiou o Oriente Médio, fracassou militarmente e agora finge que nada aconteceu.” (Ben Meiselas)

Depois desse ataque traiçoeiro dos EUA-Israel contra o Irã não há mais lugar para uma convivência tensa, mas aceitável. Irã e Israel sabem que um tem que destruir o outro. Esse é o resultado dessa fracassada operação de Trump e Netanyahu contra o Irã e o BRICS.

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