Patriot, Kinzhal e a Destruição do Mito

Patriot, Kinzhal e a destruição do mito de invencibilidade.

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Por PolitikBr I Brasília, Em 10/11/2025, 20h:04, leitura: 6 min

Míssil hipersônico Kinzhal lançado de um caça SU-35 Russo

Há guerras que terminam com tratados. Outras, com silêncio. A guerra na Ucrânia — e, em especial, a destruição da bateria Patriot enviada esses dias pela Alemanha — é um desses marcos históricos que, sem um tratado, encerra um ciclo de ilusões.

Como observou o professor Jeffrey Sachs, o ataque russo com um míssil hipersônico Kinzhal não destruiu apenas um equipamento de defesa anti aérea: destruiu um símbolo de fé — a crença do Ocidente de que sua tecnologia ainda bastaria para manter a superioridade frente aos Russos.

O episódio que Jeffrey Sachs cita, provavelmente, se refere à Base Aérea de Ozerne, localizada perto de Zhytomyr, na Ucrânia, que é a base da 39ª Brigada de Aviação Tática. Zhytomyr também é a localização da 95ª Brigada de Assalto Aéreo, uma unidade de forças de assalto aéreo. Local onde estaria a bateria patriot recebida da Alemanha faz poucos dias.

Hoje, já podemos afirmar que obtivemos um bom resultado para nossa defesa aérea: a Ucrânia agora possui mais mísseis Patriot“.

Hoje, já podemos afirmar que obtivemos um bom resultado para nossa defesa aérea: a Ucrânia agora possui mais mísseis Patriot. Agradeço ao Chanceler Merz, à Alemanha e a todos que contribuíram – nossos acordos foram cumpridos. Mais mísseis Patriot já estão na Ucrânia e sendo colocados em operação”, disse Zelensky em um vídeo publicado na rede social X no domingo à noite.”

É claro que são necessários mais sistemas para proteger as principais infraestruturas e as nossas cidades em todo o território do nosso Estado”, concluiu Zelensky. Foi em vão. O patriot foi destruído.

As baterias americanas anti mísseis patriot vem sendo sistematicamente destruídas por ataques de mísseis hipersônicos russos, como o Kinzhal, por toda a Ucrânia. Esse episodio não é um caso isolado.

Os sofisticados sistemas Patriot são as armas mais eficazes – se cita que em 2024 a taxa de abate de um kinzhal usando vários mísseis lançados pelo patriot era de 36%. Em 2025, face aos aprimoramentos Russos, essa taxa desabou para 6% – contra os mísseis russos que a Ucrânia possui no seu arsenal de armas, e Zelenskyy apelou aos parceiros ocidentais para que fornecessem mais destes sistemas.

Segundo Sachs, poucas horas depois da entrega oficial do Patriot à Ucrânia, em questão de minutos, o kinzhal, viajando a Mach 10, transformou o investimento europeu de um bilhão de dólares em ferro retorcido, em uma cratera fumegante.

O que era anunciado como a “prova do compromisso moral e tecnológico da Europa” foi mais uma vez desmentido. O sepultamento do mito da invulnerabilidade ocidental.

O colapso de um símbolo

O Patriot era mais do que um sistema de defesa: era uma narrativa. Para Berlim, um gesto de liderança moral. Para Washington, um ato de dissuasão. Para Kiev, uma promessa de esperança. E, para Moscou, uma oportunidade cuidadosamente aguardada.

Quando o míssil hipersônico russo atingiu o alvo, ele destruiu não apenas o hardware, mas o imaginário político que sustentava o esforço de guerra ucraniano e o discurso moral do Ocidente.

A fé depositada em máquinas estrangeiras — na “engenharia salvadora” — substituiu o planejamento estratégico. E, como lembrou Sachs, “tecnologia sem estratégia é fé sem Deus”.

A Ucrânia confiou nas mãos alheias; a Rússia, na inteligência e no tempo. E tempo, no campo de batalha, é a mais letal das armas.

A lição hipersônica

O Kinzhal, ou “punhal”, – assim como os demais mísseis hipersônicos Russos -, foi concebido para anular o eixo de poder sobre o qual os EUA e a OTAN edificaram sua doutrina militar: o da superioridade tecnológica.

Atingindo velocidades que dobram o espaço-tempo da defesa antimíssil, o Kinzhal não pode ser interceptado à custos economicamente viáveis. O radar do Patriot — projetado na Guerra do Golfo para rastrear mísseis convencionais — é cego diante de um alvo que literalmente torce as leis da interceptação.

Mais do que velocidade, o ataque revelou inteligência estratégica. Moscou sabia exatamente quando e onde o sistema estava localizado — informação que, segundo Sachs, “não veio do céu, mas de dentro da própria cadeia de suprimentos”. O ataque, portanto, foi uma demonstração: a Rússia enxerga onde o Ocidente apenas acredita ver.

A ilusão da dissuasão

A destruição dessa bateria Patriot, e das demais já destruídas, é mais uma evidência de que a crença na invencibilidade da criativa e inteligência americana ruiu. Essa crença sustentou guerras, alianças e a própria hegemonia global americana. Mas, como observou Sachs, “os impérios não caem quando suas armas falham, mas quando seus inimigos deixam de temê-las.”

O resultado? Cada novo sistema ocidental enviado à Ucrânia — seja um Leopard, um Abrams ou um novo Patriotse torna apenas desperdício de dinheiro e um novo alvo, previsível e rastreável.

A Europa e o espelho da dependência

O desmoralizante ataque ao patriot alemão, recebido com alarde por Zelensky, revelou outra verdade incômoda: a Europa não é autônoma.

Nas palavras de Sachs, “a Europa confundiu alinhamento com autonomia”.

O continente que falava em “soberania estratégica” depende, desde a guerra fria, de Washington para sobreviver e de Moscou para não ser destruído.

A destruição das baterias Patriot é um espelho inclemente — nele, a Europa vê o reflexo de sua fragilidade política, moral e industrial.

A guerra na Ucrânia, outrora símbolo da “unidade ocidental”, se tornou um palco de fadiga. A inflação, o custo energético e o cansaço popular corroem a retórica da solidariedade. O mito da “liderança moral” deu lugar à realpolitik do cálculo de perdas e do empobrecimento.

O teatro da gratidão

Mesmo diante da tragédia, Zelensky agradeceu à Alemanha por “proteger vidas”. Um gesto diplomático, mas também teatral. Como observou Sachs, “quando uma guerra depende de financiamento externo, a verdade vira luxo. A gratidão se torna moeda de sobrevivência.”

Cada tanque queimado, cada sistema destruído é re-empacotado como prova de bravura — e não de derrota — para manter vivo o fluxo de recursos. O resultado é um show de ilusões, em que a narrativa substitui a vitória, e a imagem de resistência vale mais do que a própria resistência.

Na prática, a Ucrânia já não luta apenas contra a Rússia — luta contra o esquecimento, contra o momento em que o Ocidente decidir que o espetáculo já não compensa o custo.

A erosão silenciosa do poder ocidental

A destruição espetacular e embaraçosa desse patriot marca o início de uma nova fase da guerra — não a militar, mas a psicológica. O Ocidente pode ter perdido algo mais grave que o armamento: entendido, finalmente, que não vale mais a pena. Que é em vão continuar a custear Zelensky.

A dissuasão morre em silêncio, não em explosões. Morre em dúvidas, reuniões fechadas e discursos hesitantes. É o que vemos agora: uma Europa inquieta, um Estados Unidos dividido, uma OTAN moralmente arruinada.


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