Marcelo Freixo: “Cláudio Castro usou os caixões das vítimas como palanque político”

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Por PolitikBr I Brasília, Em 29/10/2025, 10h:37, Leitura: 4 min

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) fez duras e merecidas críticas à desastrosa operação policial realizada no Complexo da Penha, Rio de Janeiro, ordenada pelo governador Cláudio Castro.

A operação, que resultou na maior e mais letal ação policial da história do estado, teve um saldo trágico de 124 mortos — entre eles, 120 supostos traficantes e 4 policiais — além de 81 prisões.

Inicialmente havia sido divulgado que o número de mortos seria de 64. Entretanto, ao longo da madrugada e da manhã desta quarta-feira (29/10), 60 corpos foram levados até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Os cadáveres foram retirados da mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais violentos entre os policiais e os traficantes na megaoperação de terça-feira .

Foto de O Globo. Chacina no complexo da Penha, em tenebrosa operação policial que aterrorizou o Rio de Janeiro. Cenário de guerra.

O contexto do episódio revela uma atuação mal planejada e desprovida do apoio das forças armadas, como blindados, num enfrentamento que se transformou verdadeiramente numa guerra urbana, onde os traficantes usaram drones armados com bombas explosivas e incendiárias contra os agentes de segurança.

Após acusar publicamente o governo federal de deixar o Rio de Janeiro desamparado nas operações policiais, o governador Cláudio Castro (PL) entrou em contato com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para se retratar, afirmando que sua intenção não foi criticar o presidente Lula – É claro que foi. Politicagem barata e mesquinha.

Durante a conversa, Castro explicou que havia requisitado o empréstimo de blindados para apoiar a megaoperação no Complexo da Penha, mas que seus pedidos não foram atendidos; uma alegação desmentida pelo Ministério da Justiça e pela própria comunicação oficial, que informou que o pedido formal de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), necessário para a liberação do apoio das Forças Armadas, nunca foi feito pelo governo estadual.

Essa tentativa de justificar sua posição veio após ele afirmar em entrevista que o Rio estava “sozinho” no combate ao crime organizado, especialmente durante a maior e mais letal operação da história do estado, que resultou nos 124 mortos. A repercussão negativa levou Castro a tentar amenizar a situação, após ser confrontado pela ausência do pedido formal de apoio federal necessário para o uso da estrutura militar.

Freixo, por outro lado, apontou que o governador Cláudio Castro usou os caixões das vítimas como palanque político, tentando justificar seu governo através de uma operação que, na avaliação do parlamentar, foi incompetente e desrespeitosa com as famílias das vítimas. Segundo ele, o governador mente ao culpar o governo federal pelo caos na segurança pública do Rio, quando, na verdade, o governo estadual deixou de utilizar R$ 174 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública, recursos federais destinados para o estado.

O parlamentar do PSB destacou o impacto da operação na cidade: hospitais, escolas e a vida dos trabalhadores ficaram paralisados pela violência, sem que houvesse melhorias reais na segurança.

Para Freixo, a ação não trouxe nenhuma mudança positiva para a população carioca. Ele classificou o governador como medíocre, mentiroso e acuado, conclamando que o Rio de Janeiro hoje não tem governo, e que a segurança pública não pode ser feita sem diálogo, parceria e planejamento, elementos que, segundo o deputado, estão ausentes no governo estadual.

Além disso, Freixo lembrou a atuação eficiente da Polícia Federal no combate ao crime organizado, citando prisões que atingiram a facção criminosa PCC em seus núcleos financeiros, ressaltando que isso se dá com eficiência e planejamento, em nítido contraste com a brutalidade e o improviso da operação no Complexo da Penha.

A escalada da violência durante essa operação foi inédita: como mencionamos, os traficantes empregaram drones para atacar policiais com bombas, uma inovação letal que elevou o conflito ao patamar de guerra.

Essa tragédia expõe não só a crise da segurança pública do Rio de Janeiro, mas também um jogo político onde vidas são usadas para justificar governos frágeis e incapazes de promover o bem-estar da população. A operação e seus desdobramentos são um retrato cruel da violência institucionalizada e da falência administrativa que assola o estado.

Importante destacar que essa operação ocorreu em um momento sensível, pouco tempo após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter feito um polêmico pedido para os Estados Unidos bombardearam supostos barcos de traficantes na Baía de Guanabara.

A fala desastrada de Flávio, amplamente criticada, não foi repudiada pelos candidatos a governador do Rio de Janeiro para 2026, o que gerou um debate sobre a omissão diante de proposta tão anti patriótica e perigosa, que traz implicações internacionais e viola a soberania brasileira. Esse silêncio dos pré-candidatos foi visto como um grave descaso com a segurança pública e a política do estado.

Esse artigo foi baseado em:

https://revistaforum.com.br/politica/2025/10/24/flavio-bolsonaro-justifica-pedido-para-trump-bombardear-guanabara-parar-de-defender-bandido-190475.html

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