A capa da abertura do vídeo da análise do jornalista Reinaldo Azevedo sobre o voto vergonhoso e patético do ministro do STF Luiz Fux, dá o exato tom do sentimento de todos nós: “Fux vilaniza o STF, em parceria com Trump e – o- entreguismo, e protege golpistas”
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Por PolitikBr I Brasília, Em 11/09/2025, 15h:37, Leitura: 5 min

O Supremo Tribunal Federal viveu ontem um daqueles momentos que mancham sua história. O ministro Luiz Fux, que já havia acompanhado mais de 400 condenações dos réus “peixes miúdos” da trama golpista, resolveu, diante dos grandes nomes do golpe, assumir ares de garantista de ocasião. Como observou Reinaldo Azevedo, em um dos comentários mais ferinos e certeiros da imprensa, não se trata apenas de um voto divergente, mas de “uma das peças mais vergonhosas jamais pronunciadas na história do Supremo”.
Segundo Reinaldo, Fux abandonou a toga para se transformar em “um comício em favor dos golpistas”, adotando uma retórica professoral e até mesmo caricata. Para ele, o ministro concorreu em rigor técnico com o “jurista Silas Malafaia, com a desvantagem de ser mais pernóstico”. O jornalista lembra que, quando se tratava dos bagrinhos, Fux não teve dúvidas em confirmar as condenações; mas, ao julgar os “peixões”, resolveu ser “a voz esganiçada do garantismo da impunidade”.
A crítica não para aí. Reinaldo destacou que Fux comprou integralmente a tese absurda da defesa, a do DataDump, apelidada pelo ministro de DocumentDump, como se fosse possível ler bilhões de páginas de dados técnicos em tempo hábil. Para o jornalista, isso não passava de um artifício para anular o processo, ignorando o peso das provas testemunhais e documentais que comprovam a tentativa de golpe.

Reinaldo foi ainda mais incisivo: “Fux votou pela nulidade do processo três vezes, aquele que sempre foi considerado uma espécie de Torquemada das ações penais, transformou-se agora em uma pomba do garantismo”. Uma guinada que soa menos como convicção jurídica e mais como oportunismo político.
Azevedo criticou ainda a incoerência do ministro: “Insisto, duas das preliminares já haviam sido julgadas pela turma. Fux, pelo visto, só toma como decisões dos tribunais aquelas que contam com a sua anuência”. Segundo ele, Fux alternou posições apenas para “tentar diluir a impressão de que não era exatamente um juiz a votar, mas um sabotador”.

O senador Marcos do Val, bolsonarista, afirmou publicamente em vídeo (depois apagado) que teve uma “reunião secreta” com o ministro Luiz Fux, na qual teria orientado o magistrado sobre como votar para escapar de sanções dos EUA ligadas ao julgamento de Bolsonaro no STF.
Segundo o senador, o objetivo era manter Fux fora de uma suposta “lista de sancionados” pelo governo dos Estados Unidos, recomendando que ele divergisse da maioria do Supremo para evitar eventuais punições, incluindo a revogação de vistos via Lei Magnitsky. O relato de Marcos do Val foi posteriormente negado e minimizado em nota oficial, alegando apenas contato institucional, mas a versão polêmica circulou por portais relevantes.
Cabe lembrar ainda que Fux recentemente negou habeas corpus a pessoas acusadas de furtar objetos de pequeno valor, incluindo uma calça jeans de R$70,00 e uma peça de carne de R$90,00 — casos em que a Defensoria Pública argumentou por insignificância e “furto famélico“, mas Fux rejeitou alegando reincidência e defendendo que delitos menores não devem ficar imunes à perseguição penal. Em outro caso mais antigo, Fux também negou liminar para anular uma ação por furto de uma galinha e um galo avaliados em R$40, alegando que o pedido deveria ser analisado pelo colegiado e não por decisão individual.

No voto proferido ontem, o ministro Luiz Fux condenou apenas o delator Mauro Cid – o jurista Wálter Maierovitch disse que Fux condenou o mordomo para livrar da prisão o chefe do palácio – e votou pela absolvição dos outros réus do núcleo golpista, alegando nulidade processual em diferentes pontos. Fux argumentou que o STF não seria competente para julgar o caso, que houve cerceamento de defesa devido ao volume de material (a chamada tese do “Document Dump”), e defendeu que não se caracterizou organização criminosa armada ou crimes patrimoniais para os demais acusados. Nas redes sociais os críticos de Fux ironizaram o fato: “Gente. E eu que pensava que o Mauro Cid era ajudante de ordens de Bolsonaro, mas era o contrário. O Bolsonaro é que era ajudante de ordens de Mauro Cid”. No entanto, a tendência majoritária no Supremo é pela condenação da maior parte dos réus, com divergências apenas quanto ao tamanho das penas e à aceitação do voto minoritário de Fux.
E o que está em jogo não é apenas um voto. É a imagem de um tribunal que, diante de provas robustas e inequívocas, precisa mostrar firmeza contra os que atentaram contra a democracia. Fux preferiu abrir uma brecha para futuros recursos e manobras de bastidores.
Como observou Reinaldo: se um presidente de direita voltar ao poder e indicar três ministros até 2030, não será difícil tentar anular julgamentos ou reduzir penas.
O episódio, portanto, é mais do que um voto vergonhoso. É um alerta sobre como o golpismo ainda encontra defensores bem posicionados, e a democracia corre risco em nome da conveniência política.
Ainda falta ser concluído, para terminar o julgamento, o voto da ministra Carmén Lúcia (11/09) que está votando nesse momento, e o voto do ministro Zanin marcado para amanhã.
