Morte de Khamenei: Irã Promete Vingança e o Mundo Mulçumano Pode Pegar Fogo

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 01/03/2026, 07h:03, leitura: 5 min

Editor: Rocha, J.C

A mais recente e trágica escalada no conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã acaba de ganhar um capítulo de consequências imprevisíveis. Fontes oficiais iranianas, em informação divulgada pela Sputnik Brasil, confirmaram a morte do Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, durante o ataque combinado das forças israelenses e norte-americanas.

O bombardeio, que os analistas já classificam como uma operação de “decapitação”, não poupou a família de Khamenei: seu genro, a sua filha e a sua neta também foram mortos, num golpe profundamente simbólico contra a estrutura da Revolução Iraniana. A ação eliminou ainda dois ou três oficiais generais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), desarticulando, momentaneamente, o alto comando político e militar do país.

Nem Israel e nem os EUA escondem que o objetivo central em atacar o Irã nada tem a ver com o programa de enriquecimento de urânio, e nem mesmo com a fabricação de um possível artefato nuclear pelos iranianos. Sempre se tratou, e se trata, de uma tentativa de mudança de regime. Para tal, o alvo primário de Israel, em junho de 2025, foi a liderança civil e militar do Irã, assim como agora.

O que os EUA e Israel querem é instalar um governo pró ocidente – como na época do Xá Reza Pahlavi, deposto pela revolução islâmica em 1979 – e, em algum momento, expulsar tanto a Rússia quanto a China da região. Isso seria um duro golpe para a nova rota da sedã chinesa, que tem no Irã, um hub. Assim como, também, para o BRICS e para a arquitetura geopolítica em toda a Eurásia.

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Nesse momento, o Irã enfrenta o desafio imediato e urgente de escolher um novo líder supremo, – o que será realizado nesse domingo (01/03) – em um processo que é conduzido pela Assembleia dos Peritos, mas agora ocorre sob fogo inimigo.

A resposta do regime, que se mantém, e pode se tornar realmente radical, já foi verbalizada: Teerã promete intensificar os ataques contra Israel e contra todos os ativos militares dos Estados Unidos presentes na região, numa retaliação que promete ser ainda mais violenta do que as operações anteriores.

O assassinato de Khamenei, porém, transcende a esfera militar e adentra ao sensível território da fé. A figura do Líder Supremo do Irã não era apenas política, mas profundamente religiosa, e o seu assassinato por um inimigo do Islamismo, tem o potencial de incendiar a revolta em todo o mundo muçulmano. É crucial compreender que, apesar das históricas e profundas divisões entre xiitas — ramo do Islã ao qual o Irã pertence — e a maioria sunita, ambas as vertentes compartilham os cinco pilares fundamentais da fé islâmica.

A morte de uma liderança dessa estatura pode ser interpretada por milhões de fiéis como um ataque ao Islã como um todo, unindo temporariamente facções rivais em torno de uma causa comum. Os primeiros sinais dessa erupção já são visíveis: protestos violentos eclodiram no Paquistão contra a embaixada americana, indicando que a crise pode se alastrar rapidamente para nações de maioria muçulmana, muito além das fronteiras iranianas.

No intrincado tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, as alianças e as inimizades históricas estão sendo testadas e reconfiguradas de maneira complexa e, em alguns casos, surpreendente. O Iraque, que travou uma guerra brutal e prolongada contra o Irã entre 1980 e 1988, se posiciona agora, aparentemente, ao lado do Irã. Esta postura, embora surpreenda à primeira vista, encontra explicação na composição demográfica iraquiana, de maioria xiita, e na forte influência exercida pelas milícias ligadas a Teerã, que há muito operam em território iraquiano, e veem na aliança com Washington uma ameaça existencial maior que o antigo rival.

Por outro lado, duas nações árabes cruciais tomaram decisões que podem expandir dramaticamente o teatro de operações: a Arábia Saudita e a Síria declararam formalmente guerra ao Irã. A declaração saudita era, de certa forma, esperada, dado o ataque iraniano sobre um ativo militar dos EUA lá posicionado, assim como se menciona a rivalidade regional pela hegemonia no mundo muçulmano e no mercado de petróleo e, no caso da Síria, pela forte influência que Israel exerce sobre a liderança síria, após a queda de Assad.

Esta nova configuração de forças, no entanto, carrega consigo um perigo imediato e concreto para a economia global: a infraestrutura energética do Oriente Médio pode se transformar num campo de batalha.

Com a Arábia Saudita e a Síria agora em guerra declarada contra o Irã, as refinarias, oleodutos, gasodutos e centros de armazenamento de energia desses países, se tornam alvos legítimos para a retaliação iraniana.

A lógica é: se a indústria de petróleo do Irã for atacada, Teerã responderá mirando exatamente os mesmos pontos vitais de seus novos inimigos declarados.

Some-se a isso o fato de que o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, já é uma realidade concreta desde as primeiras horas do conflito.

O mundo, que já enfrentava pressões inflacionárias e tensões no abastecimento de energia, agora se vê à beira de um colapso econômico de proporções ainda não dimensionadas, com o preço do barril de petróleo disparando e a segurança energética global pendurada por um fio.

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