Tenente-general Vladimir Alekseev. Baleado em Moscou
Internacional, Economia, Geopolítica
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Por PolitikBr I Brasília, Em 09/02/2026, 20h:18, leitura: 3 min
Editor: Rocha, J.C.
A guerra entre a Rússia e o Coletivo Ocidental/Ucrânia é, cada vez mais, tanto uma disputa de narrativas quanto um conflito no campo de batalha.
Nesta semana, as autoridades russas anunciaram que um tenente-general de alta patente foi alvo de uma tentativa de assassinato em Moscou.
O atirador abriu fogo contra o tenente-general Vladimir Alekseev em um prédio residencial, e ele foi hospitalizado — mas sobreviveu após a cirurgia, e o seu estado de saúde é estável.
Segundo o Comitê de Investigação russo, o autor dos tiros teria fugido para Dubai, onde foi preso e posteriormente entregue às autoridades russas. Um cúmplice do criminoso também foi detido, enquanto um outro continua foragido.
Moscou afirma que os suspeitos agiram sob instruções da inteligência ucraniana, que lhes teria sido prometido uma recompensa de US$ 30 mil pela morte do general.
Este episódio, longe de ser apenas uma operação clandestina malsucedida, revela o que está em jogo: a guerra híbrida do século XXI, em que o uso de violência direta convive com batalhas de imagem e legitimidade.
A cifra oferecida — US$ 30 mil — é simbólica para os padrões de um conflito moderno, mas serviu de munição para Moscou reclamar – o que é verdadeiro – que Kiev recorre a métodos “terroristas” para atingir alvos. Essa não foi a primeira e nem será a última vez.
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Putin poderia matar toda a liderança ucraniana em minutos, se quisesse. Bastaria usar um oreshnik no modo cinético ou combinado com carga explosiva de alta potência. Não há qualquer bunker subterrâneo que resista a 7000oC de calor instantâneo, dissipados em milissegundos no impacto. Tudo vira vapor metálico.
Em teoria, líderes militares e centros de comando poderiam ser alvos de uma operação fulminante. De decapitação. Israel matou grande parte da liderança militar iraniana, dessa forma, desencadeando o conflito de 12 dias. Contudo, uma ação desse tipo, seja contra a liderança ucraniana ou de qualquer outro Estado, seria imediatamente taxada de barbárie e de crime de guerra. A propaganda, a seguir, se tornaria um desastre político.
A lógica estratégica por trás de evitar uma ação assim é simples: o custo político de um ataque de aniquilação total superaria qualquer ganho tático. Mesmo países aliados aos EUA já advertiram contra o uso indiscriminado de força, que possa provocar vítimas civis ou ser classificado como crime contra a humanidade.
Este contraste — a ameaça teórica de destruição total e a realidade prática de tramas clandestinas, de baixo custo — sintetiza a guerra híbrida em curso:
- De um lado, o espetáculo da tecnologia militar (como o Oreshnik), usado para intimidação e poder psicológico.
- Do outro, operações de inteligência, narrativas estratégicas e política de legitimidade.
O episódio do atentado frustrado não é, portanto, um simples crime isolado. É mais um capítulo na disputa pela narrativa global do conflito — uma guerra em que cada lado tenta apresentar o outro como criminoso, desesperado ou moralmente ilegítimo.
Esse artigo foi baseado em:
- https://noticiabrasil.net.br/20260209/ucrania-prometeu-us-30-mil-pela-vida-do-general-russo-47830401.html
- https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/09/russia-general-ucrania-polonia.ghtml,
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce3e380d41jo,
- https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/russia-culpa-ucrania-por-tentativa-de-assassinato-de-general-em-moscou/
- https://www.estadao.com.br/internacional/russia-diz-que-tentativa-de-assassinato-de-general-foi-ordenada-pela-ucrania-npr/