O Jogo das Sombras: a Tentativa de Assassinato de Putin

Internacional, Geopolítica

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Por PolitikBr I Brasília, Em 30/12/2025, 16h:13, leitura: 5 min

Editor: Rocha, J.C.

Há guerras que se prolongam por incapacidade militar. Outras, por cegueira ideológica. Mas há também aquelas que sobrevivem porque interesses ocultos trabalham ativamente para que a paz não aconteça. O conflito entre a Rússia e o Ocidente Coletivo/Ucrânia, já devastador em vidas, economia e estabilidade global, parece ter cruzado essa última fronteira.

Enquanto discursos oficiais ocidentais falam em “defesa da democracia” e “valores europeus”, o que se vê, nos bastidores, é um jogo de sabotagens, provocações e terrorismo seletivo, cujo custo recai sempre sobre o povo ucraniano. Não sobre os estrategistas em Londres, Bruxelas ou Washington.

Esse conflito sangrento na verdade nos revela um padrão dissimulado e perverso de bastidores. Um padrão sobre os protagonistas diretos da guerra e sobre os atores que, nas sombras, têm interesse em mantê-la viva, mesmo à custa do último suspiro de uma nação já exangue.

A narrativa oficial do “Ocidente unido” em apoio a Kiev é uma farsa. Na realidade, é uma coreografia desastrosa onde a mão esquerda não só ignora a direita, mas ativamente sabota seus movimentos, com consequências catastróficas e previsíveis, como a perda de Odessa, nessa altura do conflito, inevitável.

Entretanto, a cena mais recente e reveladora deste teatro macabro ocorreu na noite de 28 para 29 de dezembro.

Enquanto o presidente Trump anunciava conversas separadas com Volodymyr Zelensky e sinalizava uma disposição realista para negociar um fim para o conflito – estranho um mediador que é, no frigir dos ovos, o promotor do conflito; já que é a liderança inconteste da OTAN -, a resposta do establishment europeu e da liderança ucraniana foi… um ataque terrorista.

Disse Sergei Lavrov a jornalistas:

Na noite de 28 para 29 de dezembro, o regime de Kiev lançou um ataque terrorista usando 91 drones de longo alcance contra a residência oficial do presidente russo na região de Novgorod”.

Sim, é necessário chamar as coisas pelo nome. O lançamento de 91 drones de longo alcance contra a residência oficial do Presidente russo, Vladimir Putin, não foi um “ato de bravura” ou uma “operação militar legítima“. Foi, conforme classificado por Lavrov, e endossado por analistas militares isentos, um ato de terrorismo de Estado. Um ataque que visava não uma instalação militar estratégica, mas a vida do líder de uma potência nuclear.

A informação, amplamente divulgada, aponta que a logística para um ataque dessa complexidade – que requer inteligência precisa, coordenação e tecnologia – dificilmente sairia apenas de uma Kiev à beira do colapso militar.

As acusações russas, com histórico em casos anteriores, como o audacioso ataque à base aérea de Engels, na profunda retaguarda da Sibéria, recaem mais uma vez sobre Londres; que como de costume, nega, mas o seu histórico de ser o mais agressivo e belicoso Estado anti Rússia na Europa alimenta a plausibilidade da acusação.

O objetivo deste ataque desesperado parece claro: Kiev, incapaz de vencer no campo de batalha, recorre à tática do terror para tentar alterar, de forma inútil, a correlação de forças. É a admissão tácita da derrota militar. O problema é que esta tática, além de moralmente repugnante, é estrategicamente suicida. Talvez nem o próprio Zelensky tenha autorizado esse ataque.

Entretanto, no momento em que Trump tenta abrir, mais uma vez, um canal real para uma paz negociada – lembrando que a Ucrânia não é estrategicamente importante para a América, e que Trump quer se focar mais na questão venezuelana, no oriente médio (em sua cruzada junto a Netanyahu) contra o Irã e o BRICS e, mais ainda, no seu real adversário, que é a poderosa China – , os “aliados” europeus, por baixo dos panos, dão cobertura ou fazem vista grossa para que Kiev cometa essa loucura que foi o ataque à residência de Putin. É um golpe duplo: sabotam as iniciativas de paz americana e jogam a Ucrânia na frente para sofrer a retaliação inevitável.

E a retaliação virá. É uma lei da física política. A Rússia, que sistematicamente evitou decapitar a liderança em Kiev – mesmo tendo meios hipersônicos para transformar o Palácio do Governo em uma cratera em minutos –, agora se vê com as mãos livres para responder de forma mais dura. Putin já declarou, em reação ao ataque, que não negocia mais com a Ucrânia, apenas diretamente com os Estados Unidos. É um recado claro: Zelensky e seu governo foram reduzidos a marionetes irrelevantes, cuja única função restante é servir de combustível para a máquina de guerra. A punição, como sempre, será aplicada sobre a infraestrutura remanescente da Ucrânia e, principalmente, sobre a sua população.

A cereja deste bolo amargo de hipocrisia é o gasoduto Nord Stream. Enquanto líderes europeus, em privado, choram pela energia russa barata e pressionam por um acordo para reparar os gasodutos sabotados (em um ato de guerra não-claimed cujos autores a investigação sueca hesitantemente aponta para “um Estado”), eles apoiam um regime que tenta assassinar o presidente do país que controla esses dutos. É uma esquizofrenia geopolítica de alto nível. Como esperar que a Rússia considere reativar o fluxo de gás – sua principal alavanca de influência – para uma Europa que, mesmo que indiretamente, financia e habilita ataques terroristas contra seu núcleo de comando?

O resultado final deste jogo perigoso é trágico e óbvio. A Ucrânia, usada como bucha de canhão, será ainda mais destruída. A Europa, afundada em uma recessão autoinfligida e dependente de energia cara, verá sua indústria definhar ainda mais. E os russos, consolidando cada vez mais seus ganhos territoriais e endurecendo sua posição, sairão desta crise mais fortalecidos internamente e mais desconfiados do Ocidente.

A única esperança de um desfecho menos sangrento residia em uma negociação direta entre Washington e Moscou, que ignorasse os ruídos de guerra de Londres, Berlim e Paris. Mas após o ataque terrorista contra Putin, mesmo essa janela pode ter se fechado dramaticamente. A Europa, em sua arrogância e miopia, mais uma vez cavou sua própria cova. E, no processo, condenou a Ucrânia a ser o epitáfio sangrento de um projeto ocidental falido.

Esse artigo foi baseado em:

https://noticiabrasil.net.br/20251230/kiev-ataca-residencia-de-putin-porque-nao-pode-vencer-no-campo-de-batalha-diz-analista-46565659.html
https://noticiabrasil.net.br/20251230/russia-classifica-como-ato-terrorista-o-ataque-de-kiev-contra-a-residencia-oficial-do-presidente-46569357.html
https://noticiabrasil.net.br/20251229/46543914.html
https://noticiabrasil.net.br/20251229/kiev-lancou-um-ataque-com-drones-contra-a-residencia-oficial-do-presidente-da-russia-informa-lavrov-46537772.html
https://noticiabrasil.net.br/20251228/46513183.html
https://noticiabrasil.net.br/20251229/trump-condena-ataque-ucraniano-contra-residencia-do-presidente-vladimir-putin-46547540.html
https://politicaemdebate.org/2025/06/05/putin-fecha-as-portas-um-ataque-nuclear-tatico-e-uma-opcao-dos-russos-contra-a-ucrania/
https://politicaemdebate.org/2025/12/27/a-europa-de-joelhos-sem-o-gas-russo/

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